saneamento basico

ANA autoriza testes para vazão de 900m3/s da vazão defluente das usinas hidrelétricas de Sobradinho e Xingó

Em mais uma rodada de discussão na sede da Agência Nacional de Águas – ANA, em Brasília, na manhã desta terça-feira (28.04), a agência reguladora, em consenso com representantes do setor elétrico, autorizou o início dos testes para 900m3/s da vazão defluente das usinas hidrelétricas de Sobradinho e Xingó, ambas localizadas na bacia do rio São Francisco. Atualmente, as UHEs operam com vazões entre 1000m3/s e 1.100m3/s.

Esses testes serão feitos de maneira progressiva em três etapas, com reduções integrais, para 1000m3/s, 950m3/s, 900m3/s. O início será dentre 15 a 20 dias por parte da operadora dos reservatórios, a Companhia Hidrelétrica do São Francisco – Chesf. Antes deste prazo, a empresa deverá atender às condicionantes determinadas na licença concedida pelo Ibama, a exemplo da elaboração de um plano de contingência envolvendo todos os usuários da bacia, bem como a ressalva de que “os testes deverão ser realizados após o problema da afloração de algas tenha sido resolvido. Além disso, deverá que ser feita uma avaliação sobre a possibilidade de não comprometer a captação de água por parte da Companhia de Saneamento de Alagoas, a Casal”, destacou o diretor-presidente da ANA, Vicente Andreu, em alusão ao recente aparecimento de micro-algas no lago de Xingó, entre os estados de Alagoas e Sergipe, e que vem dificultando o abastecimento da população ribeirinha.

Participando na qualidade de observador, o Comitê da Bacia Hidrográfica do Rio São Francisco cobrou da ANA a definição de uma agenda futura para o enfrentamento da crise hídrica que afeta todo o país. “A presença do CBHSF nessas discussões é a de depositário de todas as reclamações, e estamos tentando fazer com que o diálogo seja conduzido da melhor forma possível. Por isso, pedimos a ANA que encabece um plano de envolvimento de todos os usuários da bacia. Precisamos de uma ampla campanha de comunicação, com a realização de oficinas por diversos pontos da bacia, explicando o que realmente está acontecendo”, frisou Wagner Costa, vice-presidente da entidade.

Em maio, uma nova reunião está marcada na sede do órgão federal, quando serão avaliados os resultados dos testes, para que assim seja aprovada ou não a vazão definitiva de 900m3/s. Hoje, a barragem de Sobradinho possui um volume útil de 21,91% da sua capacidade de armazenamento de água. Entre janeiro e abril de 2015, este armazenamento foi considerado por especialistas do setor como o pior da história. A medida de reduções visa, em tempos de escassez, preservar os estoques hídricos dos principais reservatórios, importantes na regularização das águas do Velho Chico. A vazão mínima defluente autorizada, em condições normais, nas UHEs Sobradinho e Xingó, é de 1.300 m³/s, mas, devido às condições hidrológicas desfavoráveis na bacia, a ANA, desde abril de 2013, vem autorizando uma vazão ainda menor.

 

UHE Três Marias

Durante a reunião, ficou aprovado também o aumento dos atuais 80m3/s para 200m3/s da vazão defluente da UHE Três Marias, situada em território mineiro. A medida tem início já no próximo dia 1 de maio.

O Comitê da Bacia Hidrográfica do Rio São Francisco é um órgão colegiado, integrado pelo poder público, sociedade civil e empresas usuárias de água, que tem por finalidade realizar a gestão descentralizada e participativa dos recursos hídricos da bacia, na perspectiva de proteger os seus mananciais e contribuir para o seu desenvolvimento sustentável. A diversidade de representações e interesses torna o CBHSF uma das mais importantes experiências de gestão colegiada envolvendo Estado e sociedade no Brasil.

Últimas Notícias:
Integração de sistemas no saneamento o risco operacional que começa na desorganização dos dados EOS Systems

Integração de sistemas no saneamento: o risco operacional que começa na desorganização dos dados | EOS Systems

No setor de saneamento, a falta de integração entre sistemas não é apenas um problema de TI; é um risco operacional sistêmico. Quando o sistema comercial (faturamento) não se comunica com o operacional (telemetria/GIS) e ambos ignoram o fiscal (ERP), a operação da concessionária entra em um ciclo de desorganização de dados, onde a informação se torna incompleta e a tomada de decisão perde efetividade.

Leia mais »
Novo marco legal do saneamento fracasso ou limites estruturais

Novo marco legal do saneamento: fracasso ou limites estruturais?

Nos últimos meses, uma sequência de notícias sobre concessões esvaziadas, revisões de modelagens e redução do interesse privado em projetos de saneamento reacendeu um debate incômodo. O novo marco legal do setor (Lei 14.026/2020) estaria falhando em sua principal promessa: a universalização dos serviços até 2033?

Leia mais »