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A FORÇA DE HÁBITOS

Por: Eng. Civil Álvaro Menezes, presidente da Casal
Nunca antes na história desse país se tratou com tanta ênfase da busca pela eficiência na prestação dos serviços de abastecimento de água e de esgotamento sanitário. Nunca também se esteve tão perto de grandes e profundas mudanças no modelo de gestão desses serviços, com uma disfarçada utilização por alguns Prefeitos e representantes do Governo Federal de comparações entre a eficiência do setor privado versus a das companhias estaduais de saneamento. Uma injusta e má utilizada comparação, pois são dois mundos completamente diferentes, já que enquanto ao eficiente gestor privado é dado o direito de atuar de acordo com planejamentos de longo prazo e planos de negócios, por exemplo, ao gestor público é exigida a máxima eficiência em um ambiente ordenado legal e administrativamente para ser lento em seus processos decisórios, burocrático em excesso, quase que impedido de ter seus quadros de pessoal gerenciados sob a ótica da meritocracia e da produtividade, submetido a uma legislação que obriga a contratar muitas vezes pelo menor preço e pior qualidade e inserido em um sistema complexo de exercício de atividades onde o Governo Estadual é o dono da companhia prestadora do serviço, o Governo Municipal é o poder concedente e o Governo Federal tanto atende a um como ao outro e outros, com financiamentos. Mesmo assim, as companhias estaduais brasileiras são modelos de gestão com reconhecimento mundial. É claro que este reconhecimento atinge principalmente as grandes do setor, mas sem dúvidas as estatísticas mostram números excelentes de consolidação de boas gestões e principalmente de processos de evolução nítidos. Em todas as regiões do Brasil é possível encontrar desafios sendo vencidos e dificuldades sendo transformadas em solução, com corajosos exemplos de inovação na gestão dos serviços no Nordeste, no Norte, no Centro-Oeste e como sempre no Sudeste e Sul. Entretanto, os hábitos corporativistas e um certo complexo de inferioridade, mantém o setor a reboque das discussões mais importantes, dando a impressão de que mesmo sendo responsáveis pelo atendimento a 75% da população brasileira e possuindo os melhores índices globais de prestação dos serviços de abastecimento de água e de esgotamento sanitário, as companhias  estaduais devem se comportar como se prestassem os piores serviços do mundo, diante de dogmas históricos que as colocam indevidamente como prestadoras de um serviço social com a conotação delirante de estarem disponíveis para usos variados por todos sem nenhuma preocupação com resultados financeiros, sustentabilidade empresarial e utilização de tecnologias avançadas para melhorar a qualidade do atendimento. Expulsar esses hábitos do setor é uma das urgências para que se possa consolidar as mudanças que já aconteceram e as que se iniciaram pela utilização de sistemas de gestão e modelos, que incluem as parcerias formais com a iniciativa privada de modo que de forma equilibrada, segura e real possa ser alcançada a universalização do atendimento, com qualidade e preços justos.

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