saneamento basico

Desperdício de água impõe a empresas melhorar operação

Editorial O Globo

Em geral, grandes empresas responsáveis pelo abastecimento de água e saneamento no Brasil têm razoável desempenho financeiro. A Sabesp, concessionária de serviços de saneamento básico de São Paulo, com capital aberto, negocia ações nas Bolsas paulista e de Nova York.

A Cedae, que atende 65 dos 92 municípios fluminenses com abastecimento, e 17 com rede de esgoto, tem faturamento mensal de R$ 318 milhões. Em Minas, a Copasa, de economia mista e responsável pelo abastecimento da grande maioria das cidades do estado, também é uma companhia com boa saúde financeira.

As três estão situadas no Sudeste, no olho da crise da água que afeta a região com o maior PIB do país. Ocorre, no entanto, que nem sempre essa eficiência se reproduz na atividade-fim das concessionárias — na área operacional, aquela cujo desempenho é medido pela população na ponta da bica.

Se a longa estiagem traz para os consumidores o fantasma do racionamento — em razão da escassez de chuvas, de fato um problema real, mas fruto do imponderável —, não é menos verdade que são tíbias as ações das empresas para, no que lhes compete, atenuar os efeitos de uma crise que aumenta de tamanho a cada dia.

É o caso do desperdício de água tratada, questão ligada à operação. Os índices no país, inaceitáveis quando os reservatórios estão cheios, são ainda mais condenáveis nestes tempos de risco de desabastecimento.

De acordo com o Ministério das Cidades, o Brasil joga pelo ralo, em média, 37% da sua água tratada, com vazamentos, defeitos nas redes, fraudes e ligações clandestinas. Especialistas dão como admissível um percentual de perda em torno de 15%.

Mais grave ainda é que, mesmo com o monstro da escassez se insinuando, não há no Brasil uma cultura da racionalização do uso da água. Enquanto em países como o Japão, com taxa de 3% de perdas, e a Inglaterra (20%) são visíveis os esforços contra falhas operacionais, no Brasil, estados do Nordeste, onde o fantasma da seca é mais presente, estão entre os mais relapsos — como Sergipe (60% de desperdício) e Rio Grande do Norte (55%). Rio e São Paulo, ambos com o monstro na antessala, têm taxas acima de 30%, perfil nada animador.

Mas, se crises encerram ensinamentos, que emerjam lições deste momento de extremos climáticos, aparentemente relacionados a consequências do aquecimento global. Uma delas, o compromisso com a racionalização do uso da água, envolve responsabilidades do poder público e da sociedade.

Outra, na esfera das ações das empresas, implica melhorar a operação, ou seja, investir na contenção do desperdício e na efici- ência da distribuição. Outra ainda é buscar novos caminhos de gestão — como a concessão, à iniciativa privada, dos serviços onde o paquiderme estatal a entrave —, nos moldes, por exemplo, da bem sucedida experiência de Niterói.

Fonte e Agradecimentos: Jornal O GLOBO

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