saneamento basico

Onde há água, há esperança

Por: André Cordeiro Alves Dos Santos
Atualmente não é possível encontrar uma pessoa que não tenha conhecimento que a disponibilidade dos recursos hídricos é um grande problema ambiental. Também não é possível encontrar que não reconheça a importância fundamental da água para a sobrevivência da vida e do planeta Terra. Se juntarmos tudo que é escrito e falado sobre este tema dá para encher um oceano.
Porque então falar de um problema tão conhecido? É porque o conhecimento do problema não é garantia da solução, ainda mais em uma questão tão complexa e conflituosa, em que interesses difusos e interesses econômicos disputam espaço, corações, mentes e bolsos.

Um bom exemplo para entender esta complexidade é o caso de Sorocaba. A água para a população vem quase inteiramente do reservatório Itupararanga em Votorantim. A área deste reservatório fica no território de oito municípios além de Votorantim, Piedade, Ibiúna, Cotia, Vargem Grande Paulista, São Roque, Mairinque e Alumínio.

Tirando a vulnerabilidade de uma cidade como Sorocaba depender dos recursos hídricos proveniente de outro município, há, cada vez mais, a preocupação na redução da qualidade desta água.

Esta preocupação nem é nova, por causa dela foi criada a APA Itupararanga há 15 anos, com a função de proteger os recursos hídricos. E também foi um dos motivos para a fundação do Comitê da Bacia Hidrográfica do Rio Sorocaba e Médio Tietê há 18 anos.
O reservatório de Itupararanga já foi considerado um dos ecossistemas com melhor qualidade no Estado de São Paulo, porém gradualmente vem perdendo esta característica, conforme pode ser conferido através dos dados gerados pela Cetesb e pelas universidades da região como a Ufscar e a Unesp. Esta degradação pode levar, em um futuro próximo, ao aumento de custo de tratamento e a diminuição da qualidade de água servida a população.

Contribui para a perda de qualidade o pouco tratamento de esgoto dos municípios da cabeceira do reservatório. Ibiúna trata hoje menos de 30% dos esgotos urbanos, Vargem Grande Paulista, São Roque, Mairinque e Caucaia do Alto em Cotia, que tem áreas que drenam para o reservatório, não tratam seu esgoto doméstico.

A permissividade no uso e ocupação do solo também contribui para degradação, principalmente permitindo a substituição de áreas de vegetação natural, que auxiliam na conservação da água e na redução da poluição difusa, por áreas urbanas, agrícolas e condomínios.
São os municípios do entorno que detém a responsabilidade, pois a eles compete dar licença para uso e ocupação de solo e são eles os responsáveis pelo tratamento de esgoto, diretamente ou através de concessionárias que prestam serviço às prefeituras. Estes municípios da cabeceira afirmam, de forma legitima, principalmente em relação ao uso do solo, que não podem limitar seu crescimento em função das necessidades de outros municípios.

Alternativas de substituição deste recurso para Sorocaba são escassas, há pouca disponibilidade de água subterrânea, e os problemas de redução de qualidade de água de outros rios como o Pirajibu e o Ipanema é semelhante.

O problema depende, para sua solução, de ações regionais. A atuação de Sorocaba junto ao Comitê de Bacia e seu exemplo tratando seus efluentes têm auxiliado na conscientização regional, mas só isso não é garantia de solução.

Há 20 anos atrás aconteceu discussão semelhante sobre a represa Guarapiranga. Hoje São Paulo já estuda deixar de usar este reservatório como fonte de água, devido a sua má qualidade. Não foi falta de reconhecer o problema, mas sim de agir com celeridade e coletivamente.

Tenho esperança que em Itupararanga será diferente, mas para isso Sorocaba e os municípios do entorno do reservatório tem que encontrar meios de conviver e desenvolver sem impactar e toda a sociedade: executivo, legislativo e judiciário de todas as esferas de governo e a população, que em seu nome é exercido o poder, tem que evoluir da conscientização para a ação.

Fonte: Cruzeiro do Sul
Veja mais: http://www.cruzeirodosul.inf.br/materia/518347/onde-ha-agua-ha-esperanca

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