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Cedae: uma empresa ainda lucrativa, mas que não leva saneamento a todos

A moeda de troca para o acordo de socorro financeiro da União ao Rio é o único ativo importante que o governo estadual tem a oferecer. Avaliada em cerca de R$ 7 bilhões, segundo fontes da cúpula do Palácio Guanabara, a Cedae era deficitária até 2007, quando foi reestruturada, tornando-se lucrativa nos últimos anos. Ainda assim, em 2015, amargou uma queda de 45,9% nos seus lucros, que despencaram de R$ 460,3 milhões, em 2014, para R$ 248,8 milhões. Entre as razões elencadas para as perdas, estão a crise hídrica, a campanha de redução de consumo e o alto custo da energia elétrica.

Mesmo saneada financeiramente, a estatal ainda está longe de atingir sua finalidade: a universalização do saneamento nos 64 municípios fluminenses em que opera, incluindo a capital. Só 38,87% dos moradores dessas áreas contam com rede de esgoto, segundo o último relatório de administração e demonstrações financeiras, relativo a 2015, publicado pela empresa. Já o índice de fornecimento de água chega a 86,95%. Em contrapartida, as tarifas — exceto a social — aumentaram 14,48% no ano passado.

BAÍA POLUÍDA

Além disso, persistem problemas crônicos, como a poluição da Baía de Guanabara, que recebe grande carga de esgoto não tratado de cidades nos seus arredores.

No último ranking do Instituto Trata Brasil — ONG que avalia a qualidade dos serviços de saneamento nas cem cidades mais populosas do país —, de 2014, o Rio ficou na 50ª posição. O município é atendido pela Cedae, com exceção de parte da Zona Oeste. No levantamento, o Rio ficou atrás de outras capitais da Região Sudeste, como São Paulo (22ª colocação) e Belo Horizonte (25ª). Outras cidades fluminenses ficaram mais bem posicionadas — Niterói (12ª) e Petrópolis (28ª) —, mas têm o serviço privatizado. São Gonçalo (89ª), Caxias (91ª), Nova Iguaçu (92ª) e São João de Meriti (93ª), todas atendidas pela estatal, ficaram nos últimos lugares. O ranking usou dados do Sistema Nacional de Informações sobre Saneamento, do Ministério das Cidades.

— À exceção de Niterói, as cidades fluminenses, principalmente as da Baixada Fluminense, têm desafios enormes no saneamento. A maior parte da sujeira da Baía de Guanabara é em função disso. O grande problema é o tratamento de esgoto, mesmo na capital. Pelo poder econômico, o Rio já deveria estar em melhor situação. Os números do saneamento do Rio são desafiadores. O desperdício, que atinge 50% da água que a Cedae produz, é outro problema — diz Edson Carlos, presidente do Trata Brasil.

DÍVIDAS TRABALHISTAS

O valor da empresa passará por avaliação do BNDES, que vai levar em conta ainda o passivo trabalhista. A Cedae tem 5.961 empregados, todos celetistas. De 2014 para 2015, as despesas com pessoal aumentaram 11,6%, passando para R$ 939,5 milhões anuais.

A empresa tem um projeto que prevê investimentos de cerca de R$ 7 bilhões para aumentar a oferta de água e a coleta e o tratamento de esgoto no Estado do Rio. Somente para a Baixada Fluminense e a duplicação da Estação de Tratamento de Guandu, são R$ 3,5 bilhões (R$ 3,1 bilhões financiados pela Caixa Econômica Federal).

Para o Renato Sucupira, sócio-presidente da BF Capital, que trabalha com projetos de infraestrutura, a privatização da Cedae é a melhor solução para o estado neste momento:

— O negócio atrai o setor privado. E teria investidores não só nacionais, como estrangeiros. Isso, com certeza, traria um serviço de melhor qualidade para a sociedade e com um pagamento de outorga para o governo que poderia remunerar essa passagem para a iniciativa privada. Além do mais, os investimentos em água e esgoto no estado cresceriam muito. Como aconteceu no Aeroporto de Brasília, onde a empresa paga uma outorga, investiu mais de R$ 1 bilhão, e o lugar está funcionando muito melhor do que antes.

Foto: Adriana Lorete – O Globo
Fonte: O Globo

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