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Empreiteira Delta desiste de obras públicas

Principal empreiteira da primeira etapa do PAC (Programa de Aceleração do Crescimento) no governo Lula, a Delta desistiu de concorrer a obras públicas.

A empresa espera a conclusão do processo de recuperação judicial para definir seu fim e ainda estuda se vai participar de incorporações imobiliárias. Atualmente, conta com a participação na concessionária da rodovia RJ-116.

Com apenas 70 funcionários, a empreiteira não vai mais tentar contratos públicos, apesar de ter conseguido no STF (Supremo Tribunal Federal) liminar que a retira da lista de empresas inidôneas da CGU (Controladoria Geral da União).

O enredo de queda da Delta é visto como um exemplo sobre o que pode acontecer com as construtoras envolvidas na operação Lava Jato.

Dentro da empresa, há queixa sobre diferença no tratamento do governo federal.

A Delta foi declarada inidônea dos contratos públicos logo no início das investigações que identificaram elo entre o comando da empresa e o bicheiro Carlinhos Cachoeira, no início de 2012. Executivos veem boa vontade da União no caso das empreiteiras agora envolvidas em suspeitas de cartel nas obras da Petrobras.

Após ter receita de R$ 3 bilhões em 2010, quando tinha 17 mil funcionários, ela reduziu seu faturamento a um décimo, chegando a R$ 329 milhões no ano passado.

Esse valor será reduzido drasticamente já que todos os ativos da empresa foram vendidos para a espanhola Allianza Infraestrutura. A compradora assumiu a dívida de R$ 400 milhões e ainda fez um aporte de R$ 50 milhões.

CRISE DA DELTA

Após ter receita bruta de R$ 3 bilhões em 2010 e se tornar a empreiteira com o maior volume de contratos com o governo federal, a Delta entrou em crise financeira com investigações contra a empreiteira. A PF apontou elo entre diretor da empresa e o bicheiro Carlinhos Cachoeira.

Ela também passou a ser alvo após a revelação da amizade próxima entre seu dono, o empresário Fernando Cavendish, e o ex-governador do Rio de Janeiro Sérgio Cabral (PMDB). A empresa tinha mais de R$ 1 bilhão em contratos no Rio.

O empresário Fernando Cavendish saiu do controle da empresa logo que a crise da Delta teve início. Ele permanece, contudo, como principal acionista da empreiteira.

Em 2013, a Delta teve uma receita bruta de R$ 725 milhões. A empreiteira afirma que, após as investigações, passou a não receber de governos por serviços já prestados -o que chamou de “bullying empresarial”.

A Delta ainda tentou manter-se no setor de obras públicas com sua subsidiária, a Técnica Construções. Mas ela teve dificuldades em assinar contratos, mesmo liberada pela Justiça.

Após dois anos de operação, a subsidiária obteve só nove contratos com o poder público.

Fonte: http://www.jornaldepiracicaba.com.br/capa/default.asp?p=xdnafolha&idnot=33100

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