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Plano de negócios da OAS prevê queda de 50% nos contratos de obras

SÃO PAULO – A construtora OAS, que entrou com pedido de recuperação judicial no início do mês, apresentou nesta quarta-feira seu plano de negócios que será levado aos credores nacionais a partir de hoje e aos internacionais, na próxima semana. No documento, a empreiteira, que é investigada pela operação Lava-Jato e tem seus principais executivos presos na Polícia Federal de Curitiba (PR), reafirma que vai “voltar as origens”, processo que vai lhe custar a venda de ativos e a uma redução à praticamente metade de sua carteira de contratos (o chamado backlog), de R$ 21,8 bilhões, em setembro de 2014, para R$ 11 bilhões. Além da venda de ativos, que incluem a sua participação de 24% na Invepar, uma das sócia no aeroporto de Guarulhos, e das arenas de Natal e Salvador, construídas para a Copa do Mundo, a empresa está saindo dos negócios internacionais, que representavam até setembro do ano passado 25% do total de sua carteira de contratos.

— Agora, vamos concentrar nossos negócios no Brasil com bom risco de crédito e reduzir nossa diversificação — disse Diego Barreto, diretor de Desenvolvimento Corporativo da construtora.

A construtora, uma das mais tradicionais do país, também está fazendo uma ampla reestruturação em suas operações e aumentando os processos de controles internos, com o fortalecimento das equipes de auditorias internas e de redução de riscos. Uma consultoria internacional foi contratada para fazer uma espécie de pente fino nos contratos que estão em andamento.O objetivo, segundo Barreto, é identificar riscos, ou irregularidades na carteira de contratos da empresa. O realinhamento organizacional prevê ainda extinção de oito diretorias e a saída de conselheiros que tinham cargos de diretores e faziam parte da operação, que agora será tocada exclusivamente por executivos contratados no mercado.

A OAS estima que o valor de venda de seus ativos mais líquidos vai atingir de R$ 1,7 bilhão a R$ 2,5 bilhões.

— Acionistas não fazem mais parte da operação. Esse papel cabe agora aos executivos. Essa mudança vai trazer a profissionalização da companhia — salientou Barreto, lembrando que as mudanças também atingem a forma de remuneração dos diretores que passam a ter como critério para receber bônus o controle da volatilidade do caixa:

— Tudo que estamos fazendo é para manter a liquidez — acrescenta o executivo, lembrando que, entre março e maio, a previsão é de atingir uma economia de R$ 500 milhões com as medidas estruturais e temporárias que estão , ou já foram implementadas.

Como este ano a OAS pretende se concentrar na “arrumação da casa”, Barreto disse que não há previsão de prospectar novos contratos, ou de participar de licitações. Em 2016, a expectativa é de contratar entre R$ 2 bilhões, em um cenário de mercado pessimista, e R$ 3,5 bilhões (otimista) em novos negócios. Até 2019, o plano de negócios aponta uma expectativa de R$ 12 bilhões a R$ 14 bilhões em novos projetos adicionados a carteira de contratos. A receita bruta, segundo a previsão, deve bater em R$ 5,5 bilhões em 2019. Nos bons tempos, a empresa cresciam 20% por ano e faturava entre R$ 7 bilhões e R$ 9 bilhões.

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