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Região perde R$ 200 milhões/ano com desperdício de água

O valor deixa de ser arrecadado pelas companhias de saneamento e, consequentemente, não retorna como investimentos às cidades; perda de água se dá por problemas como vazamentos e ligações irregulares

A Região Metropolitana do Vale do Paraíba perde cerca de R$ 200 milhões por ano por causa do desperdício de água tratada e pronta para o abastecimento.

O valor deixa de ser arrecadado pelas companhias de saneamento e, consequentemente, não retorna como investimentos às cidades.

A perda de água tratada se dá por problemas na rede de distribuição, como vazamentos e deterioração, registros com defeito e ligações irregulares, os chamados ‘gatos’.

O levantamento foi feito com base em dados sobre produção, consumo e perda de água e tarifa da Secretaria de Estado de Saneamento e Recursos Hídricos e do Ministério das Cidades. As informações são de 2012 e 2014, respectivamente.

PERDA/ De acordo com o governo federal, a média de perda de água na região é de 30%. Levando-se em conta uma produção aproximada de 756 milhões de litros de água por dia, a RMVale desperdiça cerca de 227 milhões de litros, consumindo outros 529 milhões.

O total de água perdida por dia daria para abastecer 25 dos menores municípios da região por quatro dias.

O valor da perda em dinheiro leva em conta a tarifa mais barata praticada pela Sabesp, responsável pelo abastecimento em 27 das 39 cidades da região. O valor é de R$ 2,064 por m³ (1.000 litros). Nas demais cidades, usou-se o valor divulgado em relatório do Ministério das Cidades.

“É histórica a ineficiência das companhias de água, e o serviço é quase todo monopólio”, disse Carlos Tucci, doutor em Recursos Hídricos, professor aposentado da Universidade Federal do Rio Grande do Sul e diretor de Rhama Consultoria Ambiental.

“Nos países que têm menos água, a perda tende a ser menor. Aqui é o contrário”, completou o professor.

INVESTIMENTO/ Para se ter ideia do dinheiro perdido com o desperdício de água, a Arsesp (Agência Reguladora de Saneamento e Energia do Estado) apontou que a Sabesp deixou de investir R$ 146,7 milhões em obras para melhorar as redes de água e esgoto em 14 cidades da região, no período entre 2007 e 2011.

Tucci cobra investimentos em pesquisa e inovação e em soluções tecnológicas para problemas nas redes de distribuição, que normalmente são velhas e gastas. “Tem que inovar. Há tecnologias, sistemas e materiais capazes de reduzir essa perda a níveis toleráveis”.

OUTRO LADO/ Em nota, a Sabesp contestou o cálculo. “O índice de perdas reais (ou seja, em vazamentos) da Sabesp é de 18%, próximo aos indicadores de países como França e Itália. Outros 10% de perdas são decorrentes de ligações clandestinas, fraudes e submedições por hidrômetros, casos em que a água foi consumida, apesar de não faturada. O valor da tarifa utilizado também está incorreto. Existem as tarifas mínimas que não guardam relação com consumo, existem as tarifas comerciais etc. Dessa forma, o cálculo apresentado é equivocado”, alegou.

Fonte: Gazeta de Taubaté
Foto: Arquivo/Rogério Marques/05-08-2014

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