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Vazamentos consomem 25% da água da Compesa

De cada 100 litros de água produzidos pela Compesa, cerca de 25 são desperdiçados em vazamentos. A situação, inimaginável numa das regiões com pior balanço hídrico do país, se repete a cada dia, em rompimentos das velhas tubulações que atrapalham a rotina de moradores da Região Metropolitana do Recife. Ontem, rompimentos nos bairros de Boa Viagem, Estância e Afogados lembraram o quão frágil é a nossa estrutura de abastecimento, da qual 40% das tubulações precisam ser completamente substituídas.

O problema é antigo. Aliás, esse é justamente um dos principais motivos para tanta perda: velha, ultrapassada e, em geral, enferrujada, as tubulações não resistem à pressão dos sistemas de abastecimento. O problema foi ainda mais agravado com a chegada do Sistema Pirapama, que elevou em 50% a produção diária de água da Compesa na RMR. Para se ter uma ideia, de cada 10 metros de tubulações no subterrâneo da RMR, quatro têm que ser substituídos. Em geral, são encanamentos de amianto ou ferro fundido, com menos de 150mm de diâmetro, quando deveriam ser usados canos de PVC. Apenas no Recife, 600km, dos dois mil km da rede, precisam de substituição.

De acordo com o diretor metropolitano da Compesa, Rômulo Aurélio, a atual taxa de perdas do sistema é de 45,42%. Destes, 55%, ou seja, mais da metade, são ocasionados por vazamentos e menos da metade por submedição de hidrômetros, ligações clandestinas e outras variáveis. “Agimos de forma preventiva e corretiva, mas a substituição em si é complicada, porque envolve grandes interdições de vias e temos um problema grande de mobilidade. Estamos investindo R$ 400 milhões para substituição das tubulações, setorização e instalação de válvulas de controle até o fim de 2015”, afirma.

Os dados da Compesa não dimensionam a conta do desperdício. As perdas consideram o que é produzido em confronto com o que é, de fato, consumido nas residências, o que não inclui o desperdício doméstico como em torneiras e descargas quebradas ou uso de mangueiras para lavar carros ou irrigar pomares. Realidade ainda mais preocupante, considerando que apenas 0,3% da água do planeta é doce, e 780 milhões de pessoas já sofrem com a falta de água potável.

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