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SE: Deficiência no tratamento de esgoto pode matar manguezal

A deficiência no sistema de tratamento de esgotos de estabelecimentos e residências no bairro 13 de Julho pode ser o causador da poluição do Rio Sergipe e o responsável pela possível morte do manguezal. Asobras de contenção da balaustrada do bairro, bem como a poluição decorrente dos dejetos, são as prováveis causas. A Companhia de Saneamento de Sergipe (Deso) admite que  as estações de tratamento estão no limite. A reportagem do Portal Infonet ouviu o professor e geólogo Luiz Carlos Fontes representando o Laboratório Georioemar e bióloga e pesquisadora dos Grupos de Pesquisa em Geoecologia e Planejamento Territorial e da Fundação Mamíferos Aquáticos Fundação Mamíferos Aquáticos (FMA) em Sergipe, Sindiany Suelen dos Santos.

Ambos concordam que deve haver estudos mais aprofundados tanto nas águas do Rio Sergipe quanto no manguezal. Para Luiz Carlos Fontes, a poluição da água pode aumentar a contaminação naquela região e torná-la mais imprópria ainda para o uso humano. Ele faz um alerta:

“Pode existir a poluição decorrente dos dejetos, pois o canal vai lançando aquele fluxo na região. Seria necessário um estudo ambiental antes de ter feito aquela a obra (contenção da balaustrada), pois pode ter consequências grandes e levar a morte do manguezal. Além de aumentar a contaminação da água naquela região e torná-la mais imprópria para o uso humano. Vejo grande falha, pois, ao que parece, as coisas foram feitas às pressas e as consequências, para serem vistas depois. Então, essa etapa importante, que foram os estudos ambientais, foi passada por cima”, acredita.

Sindiany Suelen Santos ” é necessário que se faça um novo estudo no local para que se encontre um diagnóstico ambiental “

Interferência do homem

A pesquisadora e bióloga, Sindiany Suelen, explica que os manguezais do bairro 13 de Julho se formaram a partir da dinâmica fluviomarinha e indiretamente os enrocamentos que foram colocados na região. “Esses fatores permitiram que houvesse a formação da vegetação, mas por outro lado a ação do homem também interfere nessa dinâmica. Então, algumas consequências são geradas a partir disso, pois aqueles manguezais recebem detritos e resíduos dos canais pluviais e que são jogados diretamente no local”, diz.

Ainda segundo a bióloga, uma pesquisa feita por um órgão ambiental  mostrou que será difícil a recuperação do mangue a curto prazo. “Há dois anos foi feito um diagnóstico prévio, que, inclusive, mostra que seria difícil um trabalho de recuperação a curto prazo. Alegaram que há uma sedimentação pela formação de banco de areia na região e essa sedimentação acaba sufocando as raízes que impendem a respiração e absorção de nutrientes. Com isso, os manguezais acabam morrendo. Contudo, é necessário que se faça um novo estudo no local para que se encontre um diagnóstico ambiental para verificar de  fato o que tem acontecido com os manguezais, se é a dinâmica marinha ou se está associada a ação do homem”, alerta.

DESO

 

 

Sílvio Múcio “Nossas estações de tratamento estão acima do limite”

O diretor de Operações da Companhia de Saneamento de Sergipe (Deso), Sílvio Múcio Farias, nega que os esgotos são levados ao Rio Sergipe sem o devido tratamento. Entretanto, admite que  as estações de tratamento não estão mais dentro da capacidade para atender a demanda. Múcio admite também, que as estações deviam estar ampliadas e estão há 5 anos em obras. “Nossas estações de tratamento estão acima do limite. A estação de tratamento João Ednaldo trata quase 70% da água de Aracaju. Mas as nossas estações não estão mais dentro da capacidade para atender a demanda. Contudo, já deviam estar ampliadas e há 5 anos que estão em obras, por conta das empresas que desistem das obras e a sociedade que é penalizada”.

Sílvio Múcio explica ainda, que o projeto de esgoto que existe em Aracaju trata mais que 50% do esgoto da cidade de Aracaju. “Ele todo é coletado e enviado para a estação de tratamento e depois que vão para os rios. Acontece que como não tinha rede de esgoto, anos atrás, a Adema exige que os condomínios faça a coleta ou tratamento compacto do esgoto, que trata e lança na rede de águas pluviais (que não é da Deso). O tratamento deve ser rigoroso, mas tem prédios ali na 13 de Julho, que faz o próprio tratamento”, diz.

Sobre os cuidados com o tratamento de esgoto, o diretor explica que o trabalho é complexo, mais do que o tratamento de água. “O custo que se tem para coletar tratar o esgoto e devolvê-lo para o local de onde ele veio, que é o mesmo lugar de onde se tira a água para beber. Mas para que ele volte, tem que ter condições que permita que essa água possa ser consumida. No entanto, é preciso que haja alguns ajustes que estão sendo feitos no sistema de tratamento do esgoto”, garante.

Múcio expõe também que empresas que são contratadas para realizar as obras desistem no meio do processo, o que atrasa o trabalho. “Foram investidos cerca de 1 bilhão em água e esgoto, contrata-se uma empresa privada para fazer um serviço, mas aí, no final do processo, ela desiste e não há uma punição para isso. Por conta dessa desistência, um novo processo licitatório tem que ser aberto. O trâmite é demorado e, enquanto isso, o serviço que foi iniciado está parado. Uma estação de tratamento de esgoto requer uma quantidade de tratamento e equipamento mais caro do que de água, porque é um tratamento biológico que vai oxidar a matéria orgânica”, informa.

ADEMA

Prédios do Bairro 13 de Julho possuem sistema de tratamento dos esgotos individuais, que devem ser fiscalizadas pela Administração Estadual de Meio Ambiente (Adema). Essa fiscalização garantiria que os dejetos gerados nos edifícios do bairro não poluiriam o Rio ou Manguezal.  A diretora técnica da Adema, Ana Tereza Flores, explica que para a construção de um edifício, é preciso que no seu projeto conste a instalação do sistema de tratamento dos esgotos.

Ainda segundo Ana Tereza, o prédio é obrigado a instalar o sistema de tratamento individual, através da licença de operação. “O síndico leva para a Empresa Municipal de Obras e Urbanização (Emurb) que dá o alvará de autorização. Na renovação da licença, eles (Emurb) oferecem um comprovante de manutenção, correção do funcionamento de limpeza, fossa séptica e filtro anaeróbio. Para essa licença ser renovada é preciso apresentar um documento de uma empresa habilitada, que fez a limpeza do sistema e garante o tratamento ideal do esgoto”, explica a diretora ao ressaltar que o sistema só é liberado para funcionamento se estiver regularizado no ponto de vista ambiental.

Canal

Ana Tereza Flores alerta ainda para a o canal que corta a cidade e deságua no Rio Sergipe. “Aquele canal corta a cidade de Aracaju, vem do Castelo Branco e passa pelo São José. A carga de esgoto é enorme, pois várias residências que a Deso liga a água, nem sempre tem rede de esgoto”, destaca.

A moradora Auxiliadora Andrade, reside no bairro 13 de julho há mais de 40 anos. Para ela, deve haver mudanças no sistema de esgoto, sobretudo por conta do mau cheiro. “Eu vivo aqui há 40 anos e com o tempo a situação ficou pior. Acredito que se cobrisse esse canal a situação melhoraria e muito”, diz.

Consequências ecológicas

Pesquisadora e doutoranda em Desenvolvimento do Meio Ambiente, Sindiany Suelen ressalta a importância dos manguezais para o meio ambiente. “Os manguezais têm funções importantíssimas tanto para a fauna marinha quanto para o próprio homem. Eles funcionam como área de estabilização da costa, como berçário da biodiversidade e constituem local de desova de diversos animais. Pesquisas têm avançado na questão de que os manguezais são capazes de sequestros de carbonos e reduzir o efeito estufa. Portanto, os manguezais têm também essa função muito importante em termos de mudanças climáticas. A destruição dos manguezais retira a proteção de costa, dentre outros impactos ambientais. As comunidades que vivem da pesca ficam também prejudicadas se houver a morte dos manguezais.

Prefeitura

Em entrevista ao Portal Infonet no último dia 10 de agosto, o secretário municipal do Meio Ambiente, Enduardo Matos, explica que o Plano de Saneamento de Aracaju, através do convênio com a Universidade Federal de Sergipe (UFS), irá garantir a criação do Plano Integrado de Saneamento em Aracaju. “O plano abrange também a questão de tratamento com a Deso e com a Emurb. Vamos estudar a questão dos tratamentos a Companhia. O plano também abrange todos os aspectos. Vai acompanhar a questão das obras realizada pela Deso e o bairro 13 de Julho”, garante.

Por Eliene Andrade

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