saneamento basico
despoluicao-rio-pinheiros

Doria anuncia plano de despoluição do Pinheiros com investimento de R$ 1,5 bi

Meta é reduzir pela metade o índice que mede poluição do rio até 2022

Novo plano do governo João Doria (PSDB) prevê o loteamento de grande parte da região oeste e sul de São Paulo entre empresas que farão obras para despoluir o rio Pinheiros.

A expectativa do governo é de ser investido R$ 1,5 bilhão no projeto que quer diminuir pela metade os atuais índices de poluição do rio Pinheiros até 2022. A Sabesp, empresa paulista de saneamento, quer ter todos os 14 contratos assinados até o final deste ano (em dois deles, já há vencedores).

A estatal deve ainda licitar a compra de pequenas estações de tratamento de esgoto para locais de ocupação irregular com difícil acesso. Essa é mais uma tentativa de limpar o Rio Pinheiros anunciado pelo governo estadual. As anteriores falharam, mas Doria quer fazer do projeto sua plataforma política.

Qualidade da água

O governador, que deixou a Prefeitura de São Paulo em abril de 2018 para concorrer ao comando do estado, almeja ser candidato à Presidência da República em 2022.

A promessa é fazer do entorno do Pinheiros um polo gastronômico, a exemplo do Porto Madero, em Buenos Aires. A usina de Traição, por exemplo, deverá perder o nome atual para ser rebatizada de Usina São Paulo. Hoje, a usina tem esse nome por causa do córrego da Traição, que por sua vez é uma referência histórica à emboscada que o bandeirante Borba Gato teria sofrido de seu filho.

Segundo a Sabesp, para melhorar a qualidade da água do Pinheiros será preciso primeiro acelerar a conexão ao esgoto de bairros que ainda não tem esse serviço ao longo da bacia do rio Pinheiros (área abriga cerca de 3,3 milhões de paulistanos).

Desde junho a Sabesp iniciou licitações de 14 contratos de empresas que deverão conectar o esgoto de imóveis que ainda não estão ligados a estações de tratamento. As áreas ainda não atendidas são desde favelas a condomínios de luxo.

Leia Também: O Novo Rio Pinheiros

Dejetos no rio

A Sabesp estima que ao longo da bacia do Pinheiros, 500 mil imóveis ainda despejem seus dejetos em córregos que alimentam o Pinheiros. Em 85% desses imóveis, a Sabesp já consegue coletar o esgoto, mas não tem estrutura para levá-lo a uma estação de tratamento. Os outros 15% a empresa sequer consegue alcançar para coletar o esgoto. São Paulo hoje ainda não trata 30% de seu esgoto gerado e deixa de coletar 13%.

Para cumprir essa lacuna no saneamento da região do Pinheiros, a Sabesp fará o loteamento da bacia do rio. As empresas deverão ser remuneradas pela performance. Ou seja, a tática é não mais pagar apenas pela realização de obras mas sim conforme metas de despoluição sejam atingidas.

Esse é um dispositivo de contrato que a Sabesp já vinha testando, mas ainda não o havia aplicado para melhorar o tratamento de esgoto na cidade.

“O empreendedor vai ser o maior interessado em atender a meta. Ele vai querer fazer mais rápido do que nós estimamos, pois receberá até um bônus”, diz Benedito Braga, presidente da Sabesp.

despoluir-pinheiros

Despoluição Rio Pinheiros 

Só a bacia do córrego do Pirajussara, que é o maior afluente do Pinheiros, deverá ser dividida em quatro contratos.

A segunda arma da Sabesp para limpar o Pinheiros é futuramente licitar pequenas estações de tratamento de esgoto destinada para áreas de ocupação irregular, onde é difícil fazer alguma obra de saneamento.

A ideia é fazer com que todo o esgoto de uma região de difícil acesso seja encaminhado para essas estações de tratamento modulares, em vez de cair no córrego local. A medida já foi testada pela empresa, por exemplo, na favela Palanque, na zona leste. Nesse caso, segundo a empresa, o módulo teve eficiência de 85%.

As duas estratégias visam diminuir drasticamente a carga de esgoto nos córregos que deságuam no Pinheiros.

Ainda que surta efeito, a poluição do Pinheiros é também influenciada pela presença de lixo levado pelos córregos. Nesse ponto, a Emae (empresa paulista de águas e energia) está testando barreiras para o lixo ao longo do Pinheiros e a coleta desse material com balsas.

Eutrofização

Mas ainda que o governo paulista consiga evitar a entrada de esgoto e lixo no Pinheiros, resta uma preocupação: a eutrofização (ou seja, a proliferação de algas que forram a superfície do rio, o que derruba a taxa de oxigênio na água). Acontece que grande parte do volume do Pinheiros hoje é de esgoto. Sem essa carga, o rio perde força em seu fluxo, tendendo a ficar parado (o Pinheiros já tem uma vazão muito baixa). A água parada é um bom ambiente para a proliferação dessas algas que poderão aparecer com alguma poluição residual.

A Sabesp estuda como minimizar esse risco bombeando a água ao longo do próprio canal do Pinheiros ou gerando microbolhas que oxigenam o rio.

A despoluição do Pinheiros está dentro do Projeto Tietê, que desde 1992 investiu cerca de US$ 3 bilhões. Doria, porém, focou esforços para resultados mais imediatos no Pinheiros.

Segundo especialistas ouvidos pela Folha, é preciso desconstruir o termo despoluição, utilizado pelo governo. Deve-se, porém, esperar que os grandes rios da cidade estejam com índices mais toleráveis de poluentes.

Índice de DBO

Para o engenheiro e consultor Carlos Tucci, o objetivo estabelecido por Doria até 2022 é extremamente complexo. Mas ele vê com bons olhos que São Paulo tenha metas de despoluição de rios e que elas sejam parte do programa de governo. “Ninguém fala nisso em outras grandes cidades do país”, comenta.

A Sabesp já disse que espera que o Pinheiros tenha 30 mg/l de O , índice de DBO (demanda biológica de oxigênio, que é um termômetro de poluição de águas). Atualmente, o Pinheiros tem taxa de 60 mg/l a 75 mg/l, em dias mais secos.

Tucci pondera ainda sobre a qualidade da água. “A meta de 30 mg/l de oxigênio não traz uma água necessariamente boa. Mas dificilmente teríamos algo melhor do que isso em uma região metropolitana.”

Fonte: Folha de São Paulo.

Últimas Notícias:
Estudo aponta impacto do saneamento em SP na renda e saúde

Estudo aponta impacto do saneamento em SP na renda e saúde

O acesso ao saneamento básico adequado pode impactar diretamente a renda, a saúde e a qualidade de vida da população. Segundo estudo do Instituto Trata Brasil. Moradores de regiões com acesso à água tratada e coleta de esgoto podem alcançar renda até duas vezes maior do que aqueles que vivem em áreas sem infraestrutura sanitária.

Leia mais »
Chamada pública da Gasmig amplia perspectivas para produção de biometano em Minas Gerais

Chamada pública da Gasmig amplia perspectivas para produção de biometano em Minas Gerais

02 de junho de 2026 – A Companhia de Gás de Minas Gerais (Gasmig) lançou uma chamada pública para identificar projetos interessados no fornecimento de biometano ao estado, movimento que pode impulsionar novos investimentos e ampliar a participação de Minas Gerais em um dos segmentos mais promissores da transição energética brasileira e no aproveitamento econômico de resíduos para produção de combustível renovável.

Leia mais »

O saneamento e a hipocrisia ambiental

Enquanto redijo este texto, Minas Gerais conduz a etapa decisiva da desestatização da Copasa, operação que pode movimentar de R$ 8 a R$ 10 bilhões. O modelo segue o trilho aberto pelo Rio Grande do Sul com a Corsan e por São Paulo com a Sabesp: oferta a um investidor de referência, modernização de contratos com municípios titulares e ancoragem nas metas do Novo Marco do Saneamento.

Leia mais »