Especialistas pedem ao governo para ouvir sociedade sobre a Baía de Guanabara

Segundo dados do Instituto Baía de Guanabara, a região tem mais de oito milhões de habitantes em seu entorno

Um grupo de moradores e especialistas ambientais pediu hoje (10), durante debate sobre a Baía de Guanabara, que a sociedade seja ouvida sobre propostas para melhoria da qualidade da água e do tratamento de esgoto da área.

Segundo dados do Instituto Baía de Guanabara, a região tem mais de oito milhões de habitantes em seu entorno. Um terço mora em favelas e a maioria vive em condições precárias de urbanização.

Mediador da conversa promovida pelo Viva Favela, o ambientalista Sérgio Ricardo afirmou que é preciso que os “povos” da Baía de Guanabara se unam para buscar uma identidade e reconhecer que há um problema comum.

“Há o abandono das políticas públicas, seja na área de saneamento, abastecimento de água ou coleta de lixo. Se as propostas que o governo apresentou nas duas últimas décadas fracassaram, isso se deve ao fato que a sociedade não foi ouvida”.

Segundo ele, as políticas públicas não incentivam a participação da cidadania. “Esse é um grande problema. Para despoluir, precisamos ouvir as universidades que estudam a Baía de Guanabara há décadas e também ouvir as populações que sofrem com os problemas e aí vamos caminhar para uma baía viva.”

O ambientalista disse ainda que há duas concepções em debate para a Baía de Guanabara: a da baía “viva” e a baía “industrial”. “A concepção do governo e do capital é que a baía é um corpo a diluir lixo, esgoto e poluição industrial. Existe uma outra concepção de uma baía viva, defendida pelos pesquisadores, ecologistas e pescadores. Ou a baía vira um estacionamento de rebocadores, local destinado a atividade industrial e petroleira, ou a sociedade quer uma outra baía que a gente possa ter o lazer, a pesca, o transporte hidroviário e a pesquisa científica.”

A atividade da pesca é uma das que mais perderam força nos últimos anos com o aumento da poluição da área. De acordo com o presidente da Associação dos Pescadores da Baía de Guanabara da colônia de pesca do Caju, Bruno Amaral, há 20 anos os pescadores chegavam a faturar mais de oito salários mínimos mensais. Hoje, o pescador “mal consegue arrumar um salário mínimo no mês”.

Amaral reclamou da pequena área disponível para a pesca em decorrência da presença de embarcações que impedem a atividade. “Tem uma regra na Capitania dos Portos que proíbe a pesca em torno de 200 metros de canais e boias. Na área destinada à pesca ficam muitos rebocadores, plataformas e barcos petrolíferos. Eles nos expulsaram da área.”

Amaral afirmou ainda que a qualidade da água da baía é “péssima”. “Há uma alta mortandade de peixe, além de manchas de óleo e de espuma na água. A água lá está muito ruim mesmo.” Segundo ele, nas conversas com associações de pescadores de outros locais do entorno da baía as reclamações e os problemas são os mesmos.

Por Da Agência Brasil Edição:Armando Cardoso Fonte:Agência Brasil

Foto: Arquivo/Tânia Rêgo/ Agência Brasil

Últimas Notícias:
Especialistas debatem relevância crescente de contabilidade para o saneamento no ENCONSAB (3)

Especialistas debatem relevância crescente de contabilidade para o saneamento no ENCONSAB

O 3º Encontro Nacional de Contadores do Setor de Saneamento (ENCONSAB), realizado na quarta (19/8) e quinta-feira (20/8), em São Paulo. Reuniu 313 representantes de órgãos reguladores, empresas, entidades de classe e especialistas para discutir os desafios da contabilidade diante das transformações do setor. Ao longo da programação, temas como Reforma Tributária, contabilidade regulatória, novas normas internacionais, Inteligência Artificial e auditoria independente mobilizaram os debates.

Leia mais »
Recompensa para denúncia de descarte irregular de lixo já pode ir a Plenário

Recompensa para denúncia de descarte irregular de lixo já pode ir a Plenário

Em reunião nesta quarta-feira (19/08), a Comissão de Administração Pública e Segurança Pública emitiu parecer favorável ao Projeto de Lei (PL) 791/2026, de autoria de Professora Marli (PP), que institui o Programa de Fiscalização Colaborativa, com a finalidade de prevenir e combater o descarte irregular de resíduos sólidos em espaços públicos de BH. O texto prevê canais oficiais para o recebimento de denúncias e garante a preservação da identidade do denunciante. Nos casos comprovados, o denunciante poderá receber uma bonificação de até 30% do valor da multa paga pelo infrator.

Leia mais »