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Estudo da USCS aponta que esgoto deve ser usado para rastrear covid-19

Estudo levanta a preocupação do esgoto que é lançado sem tratamento nos rios.

O estudo “Saneamento e possibilidade da presença do novo coronavírus em esgoto não tratado”, publicado pelo Conjuscs (Observatório de Políticas Públicas, Empreendedorismo e Conjuntura da USCS – Universidade Municipal de São Caetano do Sul), aponta a necessidade do rastreamento do novo coronarívus nos esgotos da região. Assinado por nove pesquisadores, o trabalho destaca que o fato de partes do vírus já terem sido encontradas em tubulações de esgoto é um dado que pode auxiliar os municípios a localizarem bairros mais afetados e tomarem medidas sanitárias para conter o avanço do vírus.

De acordo com a nota técnica, um conjunto de estudos realizados por diversos países e pesquisadores brasileiros comprova a presença do novo SARS-CoV-2 (novo coronavírus) em águas residuárias. A nota faz uma relação com a situação atual da qualidade de água do rio Tamanduateí e do ribeirão dos Meninos no ABC. Um trabalho como esse já é realizado pela UFABC (Universidade Federal do ABC), que coleta amostra periodicamente em 10 pontos da região. A nota do Conjuscs prega a análise de todo o sistema de esgotos para resultados precisos sobre a população contaminada. “Para detectar os locais com maior concentração de infectados pelo vírus é necessário conhecer a rede de esgoto e fazer as coletas nos pontos específicos das suas saídas”, explica a professora da USCS, a bióloga Marta Marcondes, uma das pesquisadoras.

“Cada bairro, cada rua, tem um coletor que se liga a um coletor tronco que vai para os tubos maiores até chegar na estação de tratamento. É necessário pegar esses coletores e coletar naquele ponto e se a carga viral é muito grande dá para detectar áreas de maior concentração de pessoas infectadas”, detalha a bióloga. As partículas encontradas até o momento são partes do RNA do vírus, ainda não se pode afirmar que o vírus é ativo. “Não dá para saber ainda se ele tem capacidade para contaminar outras pessoas. A importância desse estudo é levantar as áreas contaminadas para um planejamento melhor”, diz.

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Tratamento de Esgoto

Há ainda a preocupação com os esgotos lançados diretamente em cursos d´água, que chegam aos rios e represas. Para Marta, não há estudos que provem a sobrevivência do vírus nas águas residuárias e nem que estas possam contaminar peixes. “Não temos notícias do vírus em animais, exceto em cães, mas não tem notícia de que eles trouxeram para o ser humano. Não há estudos que comprovem que o vírus possa contaminar quem tiver contato com essa água. É tudo muito novo ainda”, comenta.

O esgoto é composto por vários resíduos, como sabão, detergente e resíduos químicos que podem matar o vírus, como também gorduras que podem mantê-lo. Durante a pesquisa também foi discutido o tratamento do esgoto. “Talvez deveriam incluir uma quantidade de cloro maior, para efetivamente matar esse vírus antes dele chegar no corpo d’água. O grande problema é que temos só parte do esgoto tratado, temos muito que vai para o rio sem tratamento nenhum. É inconcebível numa região rica como a nossa, que tem indústrias, comércio e um poder aquisitivo interessante termos municípios que não tratam o esgoto. Acho que isso é um alerta para que nós possamos ter seriedade com o saneamento na nossa região”, completa.

Fonte: Repórter Diário. 

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