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Presidente da Cedae admite possível racionamento de água no RJ

O presidente da Cedae, Jorge Briard, admitiu pela primeira vez a possibilidade de racionamento de água no estado do Rio para o final deste ano. Em entrevista, Briard afirmou que, se não chover o suficiente e o reservatório Paraibuna, na bacia do Rio Paraíba do Sul, não se recuperar, a população terá problemas no abastecimento. A represa, que entrou no volume morto na quarta-feira, é a principal das quatro do sistema que abastece os fluminenses.

“Pode existir a possibilidade, não acontecendo nenhuma melhora, de partirmos para medidas de controle maior por não ter disponibilidade de água, no final deste ano. A água é um bem finito. Por isso, a população deve tomar medidas no seu dia-a-dia para criar o hábito de economia. É um esforço conjunto que envolve todos nós”, disse

Para isso, a Cedae já partiu para medidas de prevenção, como por exemplo, o aumento da reutilização da água da estação de esgoto tratada para atividades “menos nobres”, como lavagens de ruas ou para obras. “As indústrias têm que rapidamente se adequar a esse método. A Comlurb já usa água não apropriada para o consumo humano para lavar calçadas e estátuas”, explica Briard.

O programa Porto Maravilha também é feito com reúso. “É só mandar uma carta para a Cedae pedindo o volume de água necessário, que a gente estuda e vende a um preço diferenciado”, explica.

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Outra ação, segundo Briard, será ter mais rigor no combate ao desperdício. Segundo o Sistema Nacional de Informações sobre Saneamento, do Ministério das Cidades, o Rio perde 31,8% do volume que produz. Isso se deve, por exemplo, a falhas na detecção de vazamentos, problemas de operação do sistema, dificuldades no controle das ligações clandestinas e na aferição de hidrômetros. De acordo com o presidente, a meta da Cedae é chegar a 20% de perda.

“Estamos fazendo obras, recadastramentos e os equilíbrios da medição da quantidade de água que entra e sai para eliminar gastos. Caso nada disso adiante, podemos ter para o ano que vem medidas mais severas”, afirma.

O secretário de Estado do Ambiente, André Corrêa, não descartou a possibilidade de racionamento, caso o cenário não melhore. “A estimativa é que a gente tem, no mínimo, no volume morto, seis meses para não mudar nada. Estamos vivendo a maior crise hídrica do sudeste”, diz ele. O secretário alertaque esse ano será duro.

“Não é a hora de ficar lavando calçada e carro com mangueira, de ficar regando jardim. Não é para causar terrorismo, mas também não é para a população ficar tranquila, continuar com o seu consumo.”

Corrêa defendeu cobrança extra para consumidores que usam água acima da média. A medida tem criado polêmica já que, segundo a Cedae, já há uma tarifa maior para estes clientes e apenas 25% consome mais que o razoável. “Esta é uma sugestão minha, que deve ser analisada pelo governo. Deve ser tomada uma medida que estimule consumo racional de água e, infelizmente, a parte mais sensível do ser humano é o bolso”, explica. Para ele, os consumidores que ficassem abaixo do limite poderiam ter um bônus.

Com informação de Constanza Rezende, O Dia

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