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Represa do Sistema Cantareira tem lixo às margens do volume morto

Com a diminuição do volume de água nas represas que integram o Sistema Cantareira, ficaram visíveis objetos que antes estavam no fundo dos reservatórios. O Ministério Público do Estado de São Paulo está preocupado que a sujeira possa ser ainda maior. O uso do chamado volume morto do Cantareira fez com que o Gaema (Grupo de Atuação Especial de Defesa do Meio Ambiente) abrisse uma investigação para saber sobre a qualidade dessa água.

O volume morto é a água que estava abaixo das bombas de captação. Um parecer feito pelas pesquisadoras Dejanira de Franceschi de Angelis e Maria Aparecida Marin Morales, da Unesp (Universidade Estadual Paulista), e Silvia Regina Gobbo, da Unimep (Universidade Metodista de Piracicaba), embasa o inquérito do Ministério Público. Segundo o parecer, “quanto mais baixo o nível dos reservatórios, maior é a concentração de poluentes, recomendando maiores cuidados com seus múltiplos usos”.

O professor da UFSC (Universidade Federal de Santa Catarina) Luiz Carlos Pittol Martini, doutorado em recursos hídricos e saneamento ambiental, explica que é natural que sedimentos se depositem nos fundos de reservatórios.

“O fundo do reservatório, evidentemente, está em um ponto baixo e isso tende a acumular sedimento. O cuidado que sempre se tem que ter, principalmente em uma hora de crise, é de não achar que porque existe sedimento ele está contaminado.”

Martini ainda observa que todas as atividades econômicas das cidades vizinhas às represas podem impactar no que existe hoje no fundo delas.

“Um reservatório integra tudo o que de errado se faz em uma bacia hidrográfica. Então, toda a questão das descargas sanitárias, do uso agrícola do solo, do uso industrial acaba chegando ao reservatório porque é o destino natural das águas superficiais e do subsolo.”

Sobre os objetos flagrados pela reportagem no entorno das represas Jaguari-Jacareí, o professor acrescenta que não é o ideal, mas que não há risco de contaminação.

“Não é desejável, mas normalmente isso acontece, mas em quantidade pequena frente ao volume de água. Então a concentração dessas substâncias tende a não ser nociva.”

A partir das represas, a água captada segue até a Estação de Tratamento Guaraú, na zona norte da capital. A presidente da Sabesp, Dilma Pena, garantiu que o processo de tratamento não será alterado por se tratar do volume morto.

“Todos os padrões exigidos pelo Ministério da Saúde são seguidos e atingidos. A qualidade é fiscalizada diariamente por laboratórios certificados. São feitos vários testes de amostras todos os dias. Isso é um padrão internacional de água potável.”

O pesquisador da UFSC acrescenta que, mesmo que houvesse necessidade, mudar a forma como a água é tratada é algo complexo.

“O sistema para grandes volumes, como é o caso de São Paulo, tem uma rotina difícil de ser alterada. Eu não acredito que isso possa ter muita condição técnica de alterar todo o fluxo de tratamento para alguma substância não usual. É muito difícil. Não dá para ter muita expectativa de que isso possa ser feito. Essas estações de tratamento de água têm toda uma estrutura física que não pode ser alterada assim. Pelo menos não no curto prazo.”

Em nota, a Sabesp garante que a água que chega às torneiras dos consumidores é de boa qualidade. Ainda segundo a companhia, a população da região de Campinas já é abastecida há anos com água do volume morto.

Questionada sobre a presença de objetos descartados às margens das represas, a Sabesp não se posicionou.

Fonte: R7
Veja mais: http://noticias.r7.com/sao-paulo/fotos/represa-do-sistema-cantareira-tem-lixo-as-margens-do-volume-morto-20052014#!/foto/1

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