saneamento basico

Representantes de municípios falam sobre as dificuldades para a universalização do saneamento

Representantes de municípios brasileiros detalharam nesta quarta-feira (24), em audiência pública da Comissão de Desenvolvimento Urbano da Câmara dos Deputados, as dificuldades que enfrentam para assegurar a universalização do saneamento básico.

A audiência foi realizada pela Subcomissão Especial para a Universalização do Saneamento Básico e Uso Racional da Água, com a finalidade de colher subsídios para a elaboração de uma proposta de política efetiva para o saneamento, a ser consolidada no segundo semestre.

O presidente da subcomissão, deputado João Paulo Papa (PSDB-SP), disse que o ritmo atual de implementação de infraestrutura está muito baixo e que, se assim mantido, vai impedir que o País atinja a meta de estender o saneamento básico a todos os brasileiros até 2033, prevista no Plano Nacional de Saneamento Básico.

“Considerando os dados atuais, os investimentos realizados neste momento, esse índice só será alcançado em 60 anos. É muito tempo, é muito tarde. Especialmente se considerarmos que cada dólar investido em saneamento representa 4,3 dólares em saúde pública”, disse o deputado.

Falta de recursos

A assessora técnica da Confederação Nacional dos Municípios (CNM), Claudia Lins, concordou com esse prognóstico e lembrou que são necessários R$ 500 bilhões para alcançar a universalização.

De acordo com ela, 48% dos municípios brasileiros fazem a coleta de esgoto, mas somente 38% deles fazem o tratamento desse esgoto. “A maioria joga esse esgoto coletado nos rios. Há municípios que mal conseguem fazer a coleta, o que dirá o tratamento de esgoto”, declarou a assessora.

Claudia Lins afirmou ainda que muitas prefeituras não têm sequer condições para elaborar o projeto técnico necessário à obtenção de recursos federais para a realização de obras.

O deputado João Paulo Papa disse que a proposta de política para o setor deverá prever a destinação de recursos federais para o financiamento desses projetos no âmbito municipal.

“Há necessidade premente de o governo disponibilizar recursos para projetos. Sem projeto, não há o passo seguinte, que é o credenciamento para o recurso de investimento. As pequenas cidades não têm o básico, não têm estrutura técnica para elaboração dos projetos. Essa é uma questão política que precisa ser vencida”, disse o parlamentar.

João Papa defendeu ainda a redução da carga tributária, uma reforma na estrutura de órgãos federais ligados ao setor (para facilitar o credenciamento por parte dos municípios) e a busca de alternativas de financiamento, como as parcerias público-privadas (PPPs).

Acesso à água

Em relação ao abastecimento de água, Claudia Lins disse que muitos municípios estão recorrendo à Justiça contra a União, para assegurar o abastecimento da população local em locais onde há barragens controladas por órgãos federais, como a Agência Nacional de Águas (ANA) e o Instituto Brasileiro do Meio Ambiente e dos Recursos Naturais Renováveis (Ibama).

De acordo com ela, em situações de escassez, a União tem optado pela geração de energia elétrica em vez do abastecimento da população local.

“A política do governo federal infelizmente está sendo contrária ao que preconiza a política nacional de resíduos sólidos, que, entre os princípios fundamentais, determina a prioridade em tempos de escassez para abastecimento humano e dessedentação de animais.”

 

 

Fonte: Jornal do Brasil

Últimas Notícias:
Como estruturas de drenagem evitam enchentes nos centros urbanos

Como estruturas de drenagem evitam enchentes nos centros urbanos?

Os projetos de Engenharia desempenham um papel essencial na preparação das grandes cidades para períodos de chuvas intensas. Na Grande São Paulo, obras de drenagem e intervenções em infraestrutura urbana contribuem para reduzir os impactos causados pelos temporais e ampliar a proteção de comércios, moradias e vias públicas.

Leia mais »