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Risco de rodízio em SP caiu quase a zero. E é menor ainda na Avenida Paulista

Repletas de hospitais de grande porte, como o Santa Catarina, o Sírio Libanês e o São Paulo, as regiões da avenida Paulista e da Vila Mariana escaparão da falta d’água caso o rodízio venha a ser decretado, hipótese considerada pouco provável, mas não descartada pelo governo Alckmin (PSDB).

A blindagem decorre da redução da dependência da avenida do Sistema Cantareira, que nesta sexta-feira (6) estava com 11,7% de sua capacidade (já contabilizado o volume morto), e da ampliação da oferta de água oriunda do sistema Guarapiranga, que opera com 62,9%.

Atualmente, a Paulista já é abastecida pelos dois sistemas. O governo, entretanto, vai colocar mais água do Guarapiranga à disposição da região, por meio de reativação de estruturas antigas e da ampliação da capacidade da Estação de Tratamento de Água do Alto da Boa Vista (ETA-ABV), que atende 4,9 milhões de pessoas nas regiões Sul e Sudoeste da capital.

A partir de maio, a ETA, que já trata 15 mil litros de água por segundo (15 m³/s), passará a fornecer mais 500 litros por segundo (0,5 m³/s). Até junho, serão adicionados outros  500 litros. Para tanto, foram contratados em caráter emergencial oito módulos de ultra filtração por membranas. A intervenção é uma das oito medidas de emergência para combater a crise hídrica.  Nessa categoria estão todas as medidas que devem ser concluídas ainda em 2015.

Com isso, hospitais como o Santa Catarina, o Sírio Libanês e o Hospital Universitário da Universidade Federal do Estado de São Paulo (Unifesp) – já na Vila Clementino –  poderiam recorrer à água do Guarapiranga, caso o governo decrete um rodízio na área do Cantareira. As áreas atendidas pelo Guarapiranga não entrariam na restrição.

A garantia de abastecimento aos hospitais, entretanto, também beneficiará quem vive na região. Segundo uma fonte da Sabesp, que pediu anonimato por não estar autorizada a falar sobre o assunto, todo o bairro dos Jardins, uma dos mais nobres da capital paulista, ganhará com o reforço do abastecimento que diminui a chance de rodízio.

Bairros mais populares, como Cambuci e Jabaquara, além da Aclimação, da Vila Mariana e de áreas próximas à Avenida Doutor Arnaldo, também ficarão menos suscetíveis ao rodízio.

“O risco de um rodízio caiu quase a zero”, diz a fonte. “[E] é menor ainda a possibilidade de qualquer rodízio na Avenida Paulista”, completa.

A medida significará um gasto maior para a Sabesp. Isso porque a ETA Guaraú, que trata a água da Cantareira, fica acima da Paulista. Já a água oriunda do Guarapiranga vem de uma altura inferior, o que exigirá mais energia elétrica para empurrar a água até a região da avenida.

‘Não é simpático’

Presidente do Conselho Deliberativo da Associação Paulista Viva  e síndica do Conjunto Nacional – um dos prédios mais emblemáticos da região -, Vilma Peramezza acredita que a avenida deve ser submetida às mesmas restrições que forem impostas ao restante da cidade.

“Eu não acho que é simpático nem para a Paulista nem para ninguém todo mundo passar por rodízio menos a Paulista”, diz Vilma. “A não ser hospitais e cadeias e locais desse tipo, toda a população vai ter de se adaptar a uma nova forma de viver sem água.”

A síndica diz que, atualmente, a avenida só tem fornecimento de água normalizado das 7h às 13h. No restante do dia, conta, a pressão da água é insuficiente para encher os reservatórios. Até hoje, entretanto, não chegaram relatos de corte por completo à associação.

 

Fonte: IG

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