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Sem esgoto, moradores convivem com ratos e problemas de saúde

A naturalidade ao falar do tamanho e da quantidade de ratos dentro das casas impressiona. Neuza Souza, 57, conta que ratazanas do tamanho de gatos sobem pelas paredes e é praticamente impossível colocá-las para fora.

Ela é moradora do Jardim Damasceno, na Brasilândia, zona norte de São Paulo. Sua casa fica colada ao córrego do Canivete –que recebe o esgoto de praticamente todas as residências da rua.

“Esses dias estava olhando pela janela e as ratazanas atacaram um pombo que estava no chão; carne fresca, né?”, conta Evangelista Costa, 62, dono de uma vendinha à beira do Canivete, abrindo os braços para mostrar o tamanho dos animais.

Os moradores não sabem dizer qual é o pior período, se o das chuvas, quando o córrego sobe e causa alagamentos, ou o da seca, quando o odor de fezes invade as casas, mesmo com janelas fechadas.

Quem mais sofre são as crianças. De acordo com os moradores da região, doenças e problemas respiratórios são comuns entre elas. “Todas as crianças passam muito mal. Não sei se é o esgoto, mas tempos atrás tivemos muitos problemas com virose também”, diz Cleia Silva, 58, no bairro há 30 anos.

LIGAÇÃO PREPARADA

As casas ao redor do córrego recebem água encanada e, segundo a Sabesp, também poderiam ligar ser ligadas ao sistema de coleta de esgoto. O serviço é, inclusive, cobrado nas contas mensais de água. Mesmo assim, atrás das centenas de casas, canos continuam a levar todo o esgoto diretamente para o córrego.

Isso ocorre porque a responsabilidade de realizar a ligação ficou por conta dos moradores, segundo a Sabesp. E, como a rede de esgoto chegou depois das casas, eles afirmam não ter condições financeiras para as reformas.

Por isso, o saneamento do bairro continua incompleto. “Aqui é assim. Se tem água, falta o esgoto. O dia que tratarem esse esgoto, vai faltar água”, afirma Renata Silva, 37.

Fonte: Folha de São Paulo
Imagem: Lalo de Almeida / Folhapress

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