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Subprodutos do tratamento de água e esgoto podem virar insumos agrícolas

Na última quarta-feira (26), foi assinado um convênio entre a Embrapa Clima Temperado e a Companhia Riograndense de Saneamento (Corsan) para o reaproveitamento dos lodos resultantes dos processos de tratamento de água e esgoto.

Os subprodutos serão foco de pesquisas na Embrapa e, posteriormente, poderão ser utilizados como insumos na agricultura.O convênio entre as duas instituições tem início imediato e vigora pelos próximos quatro anos, podendo ser estendido de acordo com o andamento das pesquisas.

Dentre as ações destacam-se a avaliação da eficiência agronômica, segurança ambiental e segurança dos alimentos produzidos com estes insumos e a recuperação de vegetação no entorno das nascentes, matas ciliares e reservatórios de água da Corsan.

Uma das primeiras atividades será a caracterização física, química e biológica dos resíduos das Estações de Tratamento de Água e Esgoto do Estado. O projeto será financiado pela Corsan e mais de dois milhões de reais serão investidos no custeio das ações experimentais e na qualificação da infraestrutura de suporte à pesquisa, desenvolvimento e inovação da Unidade.

“Esta é mais uma iniciativa pioneira e que fortalece a atuação da Embrapa Clima Temperado como um centro ecorregional. A parceria entre duas instituições públicas de alto reconhecimento e compromisso com a sociedade reforça a nossa capacidade de articulação institucional”, afirma o Chefe-geral da Unidade, Clenio Pillon.

De acordo com o coordenador do projeto, Adilson Bamberg, a expectativa é que a Embrapa consiga gerar subsídios para que os resíduos sólidos tenham um tratamento adequado por parte da Corsan. “O projeto é importante por duas razões: a primeira é que poderá direcionar adequadamente os resíduos com potencial poluidor na natureza; a segunda é que viabilizará o uso de lodo como fonte de nutrientes para as plantas”, explica.

Técnicas e estratégias

O objetivo geral do projeto é desenvolver e validar técnicas e estratégias para a sustentabilidade ambiental de Estações de Tratamento de Água e Esgoto no Rio Grande do Sul.

O Estado possui um número considerável de Estações, tanto para o abastecimento familiar, quanto para o industrial. Boa parte destas utiliza coagulantes e floculantes à base de alumínio e/ou cloreto férrico, substâncias que quando descartadas diretamente na natureza causam impactos ambientais.

As etapas de floculação e decantação geram o lodo, que é rico em partículas coloidais, como argilominerais e matéria orgânica, possuindo ainda macro e micronutrientes que conferem a ele potencial para uso agrícola.

Capacitação

Algumas das atividades previstas para o projeto são de educação ambiental. A ideia é estimular nas crianças uma mudança de hábitos através da inserção da sustentabilidade nos valores e crenças da comunidade. A meta é realizar 12 cursos de capacitação em três anos, com o objetivo de sensibilizar estudantes das zonas rurais sobre o uso sustentável da água.

Cursos para capacitação de técnicos e extensionistas da Emater/Ascar-RS sobre a recuperação de áreas de preservação, nascentes e reserva legal, bem como sobre práticas de manejo conservacionistas também serão realizados.

Fonte:
Embrapa 

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