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BRK Ambiental fecha acordo com BID (Banco Interamericano de Desenvolvimento)

Uma das principais operadoras privadas de saneamento do país, a BRK Ambiental (ex-Odebrecht Ambiental), conseguiu diversificar o leque de financiamento de seus projetos ao fechar acordo com o BID Invest, braço do Banco Interamericano de Desenvolvimento (BID).

O banco emprestará R$ 350 milhões que serão utilizados na Parceria Público-Privada (PPP) da empresa na Região Metropolitana do Recife / PE. A PPP assinada em 2013 com a Compesa, estatal de saneamento de Pernambuco, teve seu escopo renegociado no fim do ano passado, com a parte de desembolso atribuído à BRK elevado de R$ 5 bilhões para R$ 6 bilhões.

O empréstimo do BID Invest leva em conta o crescimento dos investimentos. O contrato da PPP é de 35 anos. Teresa Vernaglia, presidente da BRK Ambiental, explica que o projeto do Recife é a maior PPP do país, atendendo 4 milhões de pessoas em 15 cidades. “É um projeto extremamente relevante para BRK e para a região. Esperamos que com essa parceria com o BID Invest possamos alavancar esses investimentos e a expectativa é que em 20 anos a gente atinja 90% do esgoto tratado e coletado“, afirmou a executiva ao jornal Valor.

                                                                                    Teresa Vernaglia  

Atualmente, 40% da população da região tem acesso a esgoto. Quando a Odebrecht Ambiental assumiu a PPP, em 2013, o nível de esgotamento estava na casa dos 5 %. “É um exemplo, na nossa perspectiva, do impacto do saneamento na economia. Os empregos que já estão sendo gerados na região do Recife são representativos, além da arrecadação dos impostos. O saneamento é um investimento que fica para a localidade, para a população“, afirma a presidente da BRK. A empresa calcula que já foram gerados 2.000 empregos com a PPP e arrecadados R$ 210 milhões em impostos.

Para o BID, a parceria com uma empresa como a BRK, controlada pela canadense Brookfield, foi a oportunidade para iniciar o financiamento a um novo segmento de infraestrutura no país. Javier Rodriguez de Colmenares, chefe da divisão de infraestrutura e energia do BID Invest, diz que o alinhamento de intenções tornou a companhia o “melhor parceiro”. “Acompanhamos a aquisição da antiga Odebrecht Ambiental pela Brookfield e, na época, não podíamos trabalhar com a Odebrecht Ambiental por questões óbvias. O trabalho de ‘due dilligence’ e ‘compliance’ feito pela Brookfield e como foi reorganizada a companhia foi o que nos animou para apoiá-los“, disse Colmenares.

                                                                     Javier Rodriguez de Colmenares

O representante do BID Invest explica que, para além do enquadramento nas diretrizes de conformidade do banco, a BRK teve de demonstrar o impacto dos investimentos nas populações vulneráveis, com destaque para mulheres e crianças. “Não é só uma questão de financiamento e de governança, temos muito interesse em aplicar programas de gênero, de apoio às mulheres, particularmente. Nesse ponto, a abertura da BRK para esse tipo de trabalho é total“, afirmou. O financiamento foi feito em reais, mudança iniciada pelo BID há três anos, com prazo de pagamento de 20 anos. O empréstimo foi feito a condições de mercado, sem subsídio. “Esperamos que seja o primeiro de muitos.”

Da parte da BRK, o montante ajuda a reforçar um projeto de investimento de R$ 7 bilhões nos próximos cinco anos nas operações atuais da companhia. Até o momento, R$ 1 bilhão já foi desembolsado. A empresa está presente em mais de 180 municípios atualmente, atendendo 15 milhões de pessoas. “Queremos outras concessões, outras PPPs, então é muito importante que haja uma diversificação dos fundos, por isso é tão relevante para nós essa transação“, diz Teresa. Além do apoio direto a projetos, o BID estrutura um fundo de crédito de infraestrutura com apoio de terceiros. A intenção é continuar apoiando projetos de energias limpas, saneamento e também em áreas como transporte, saúde e educação. “O fundo é para infraestrutura sustentável. A partir desse ponto de vista, ambicionamos promover mercados de capitais e fundos de liquidez para financiamento de infraestrutura. Com ele, no lugar de cinco ou seis projetos por ano, podemos fazer o dobro disso“, completa Colmenares.

Fonte: Valor

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