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Em crise, dona da CAB pode paralisar investimentos no país

O Grupo Águas do Brasil, pertencente ao Grupo Queiroz Galvão e do qual a CAB Cuiabá é subsidiária, deve postergar ou simplesmente cancelar os investimentos na área do saneamento no Brasil nos próximos anos. É o que revela reportagem do jornal Valor Econômico.

A publicação, especializada em assuntos de Economia, afirma que os grupos privados que atuam no saneamento estão “perdendo o fôlego” para manter os investimentos no setor, especialmente pelo fato de serem alvos de investigações na Operação Lava Jato, que apura desvio de dinheiro na Petrobras.

Além do Grupo Águas do Brasil, que responde por 25% do mercado de saneamento no país, a reportagem cita a Odebrecht Ambiental, que conta com 32% do mercado.

O Valor Econômico revela, ainda, que, além de paralisar investimentos, a CAB Ambiental nem estudaria mais a possibilidade de entrar em novas licitações.

“O grupo Galvão queria vender 33% da participação na empresa e estava em negociação avançada com o GP Investments. A Operação Lava Jato dificultou o processo e as conversas passaram a ser no sentido de vender a participação total do grupo na companhia. Contudo, as negociações estão paralisadas”, diz a reportagem.

O próprio prefeito de Cuiabá, Mauro Mendes (PSB), já afirmou que afirmou que vê com “preocupação” o fato de o grupo Galvão ter apresentado pedido de recuperação judicial.
Para ele, o pedido gera incerteza quanto ao cumprimento do contrato de concessão dos serviços de água e esgoto da Capital e que, há três anos, estão sob a responsabilidade da CAB Cuiabá.

“É um assunto muito grave e delicado. A Galvão Engenharia está dentro de uma operação vultosa a nível nacional e entrou em recuperação judicial. Tudo isso cria um cenário de muita incerteza para essa concessão”, disse Mendes, em entrevista recente.

Explicações

A situação do Grupo Galvão e, que traz reflexos negativos à CAB Cuiabá, também gerou “movimentação” por parte da Câmara Municipal de Cuiabá.

Os vereadores aprovaram, no último dia 31 de março, um requerimento para que diretor-geral da CAB Cuiabá, Antonio Dallalana, compareça ao Legislativo para prestar esclarecimentos sobre a situação financeira da concessionária, responsável pelos serviços de água e esgoto na Capital.

“As notícias dão conta que a saúde financeira da CAB não vai bem e que pode ser vendida a outra empresa a qualquer momento. As constantes notícias que estão sendo veiculadas pelos órgãos de imprensa local e nacional, envolvendo o Grupo Galvão, ao qual a CAB pertence, estão preocupando o povo cuiabano”, afirmou o vereador Dilemário Alencar (PDT), autor do requerimento.

Segundo o parlamentar, com aprovação do requerimento, o diretor da concessionária será obrigado a comparecer na Câmara e, então, deverá ser questionado pelos vereadores sobre a capacidade financeira da empresa.

A data da convocação, contudo, ainda não foi definida.

Leia abaixo a íntegra da reportagem do Valor Econômico:

Grupos privados nacionais perdem fôlego para manter investimentos

VICTORIA MANTOAN
DO VALOR ECONÔMICO, EM SÃO PAULO

Se depender dos grupos privados que atuam hoje em saneamento, a tendência que os investimentos sejam postergados ou simplesmente cancelados nos próximos anos.

A Odebrecht Ambiental conta com 32% do mercado, considerando números de economias. A Águas do Brasil, controlado pelo grupo Queiroz Galvão, responde por outros 25%. A fatia da CAB Ambiental, do grupo Galvão, é de 7%, segundo levantamento feito pela BF Capital, consultoria especializada no setor. Todas essas operadoras têm como controladoras empresas investigadas pela Operação Lava-Jato, que apura casos de suborno na Petrobras.

A Odebrecht Ambiental é alvo de processo administrativo da CGU (Controladoria-Geral da União) de responsabilização como subsidiária da Odebrecht.

Fontes do mercado dizem que a CAB Ambiental está paralisando investimentos e nem estuda mais a possibilidade de entrada em novas licitações. O grupo Galvão queria vender 33% da participação na empresa e estava em negociação avançada com o GP Investments. A Operação Lava-Jato dificultou o processo e as conversas passaram a ser no sentido de vender a participação total do grupo na companhia, mas, segundo o Valor apurou, as negociações estão paralisadas.

A OAS Soluções Ambientais também está à venda, como parte da estratégia do grupo de voltar a ser essencialmente uma construtora. Na semana passada, a Justiça aceitou o pedido de recuperação judicial do grupo OAS, que inclui entre os ativos a venda o braço de saneamento, o que pode ajudar no processo de venda da Soluções Ambientais.

Tanto a Águas do Brasil quanto Aegea e Nova Opersan chegaram a manifestar interesse na aquisição. A operação, no entanto, pode sofrer outro revés já que o governo do Estado de São Paulo entrou com uma ação contra a prefeitura de Guarulhos que pode resultar na suspensão da PPP de esgoto vencida pela OAS Soluções Ambientais. O projeto é um dos dois principais ativos da empresa, junto com a concessão na cidade de Araçatuba (SP).

Segundo pessoas envolvidas na negociação, uma decisão a favor do governo deve resultar no recuo no número de interessados e vai reduzir o valor da companhia.

Para este ano, a BF Capital, trabalha com a expectativa de que haja 20 concessões de água e esgoto em diversos municípios, o que deve resultar no atendimento de 6,17 milhões de habitantes. Algumas concessões ainda estão em discussão nas câmaras dos municípios, outras já têm até edital publicado.

Na avaliação dos consultores, o setor ainda precisa de muitos investimentos e as empresas públicas não conseguem financiar todos os projetos necessários à universalização de fornecimento de água e tratamento de esgoto.

A entrada de operadoras privadas, porém, ainda é permeada por dificuldades. Na avaliação de Márcio Pereira, advogado especialista em Meio Ambiente e sócio do escritório L.O. Baptista-SVMFA, falta segurança para o empresariado de que haverá retorno do investimento feito.

Pereira explica que teve início um processo de privatização em algumas cidades mas que, como a contratação é municipal, se a regulação local não é clara, o investidor perde o interesse. “Em outros segmentos existe uma regulamentação mais clara para o país todo”.

Existem ainda, explica, cidades em que a exploração do saneamento não é atrativa para a iniciativa privada. Nesses casos, o município pode lançar mão de outros instrumentos para viabilizar a contratação, como se juntar a outros por meio de consórcios, ou a prefeitura assumir os investimentos necessários.

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