saneamento basico

‘Não falta dinheiro’, diz ex-presidente da Sabesp sobre saneamento básico

Gesner Oliveira, ex-presidente da Sabesp, durante evento em Piracicaba

Ex-presidente da Companhia de Saneamento Básico do Estado de São Paulo (Sabesp), Gesner Oliveira afirmou nesta segunda-feira (4) que “não falta dinheiro” para que serviços de saneamento básico, como abastecimento de água e tratamento de esgoto, sejam universalizados no país. “Falta gestão, planejamento e boa regulação”, disse ele durante debate sobre investimentos em recursos hídricos realizado no fórum sobre arquitetura e urbanismo Arq.Futuro, em Piracicaba (SP).

Questionado sobre a gestão da Sabesp nos últimos anos e a crise hídrica que afeta São Paulo, o ex-presidente defendeu a atuação da companhia no Sistema Cantareira e disse que os problemas atuais foram causados pela falta de chuva. “A situação específica do Cantareira está associada a uma estiagem muito severa e histórica, como as estatísticas mostram. Seria impossível prever a gravidade disso”, afirmou.

Para Oliveira, que também é professor da Fundação Getulio Vargas, a Sabesp “enfrenta bem a situação porque tem possibilidade de integrar sistemas, foi capaz se adaptar para usar mais os recursos do Alto Tietê e tem condições de dar incentivos econômicos a quem economiza água, o que é mais eficiente que um racionamento”.

Segundo o ex-presidente, porém, apesar já ter investido em reuso dos recursos hídricos, ainda é preciso ampliar essa alternativa. “Proponho que a gente trabalhe para que, na próxima década, um quarto da água seja de reuso.”

Avaliação menos positiva
O Ministério Público Estadual (MPE), no entanto, tem uma avaliação menos positiva da atuação da Sabesp. Para a Promotoria, a companhia descumpriu uma série de exigências estabelecidas em 2004 para a outorga de captação de água nas bacias dos rios Piracicaba, Capivari e Jundiaí (PCJ), segundo um parecer técnico emitido pelo Grupo de Atuação Especial de Defesa do Meio Ambiente (Gaema).

Entre as condições desrespeitadas pela concessionária, estão prazos para revisão de estudos hidrológicos e entrega do plano de contingência para situações emergenciais, além da não implantação, manutenção e operação de estações de monitoramento e da inexistência de ações para reduzir a dependência do Cantareira no abastecimento da Grande São Paulo.

A Promotoria acompanha o processo de renovação da outorga e o parecer técnico do Gaema avalia as ações da Sabesp desde 2004, inclusive do período em que Oliveira foi presidente. “Acompanho o atual processo de renovação como estudioso do assunto, nada mais. Mas acho que estão colocados temas importantes. No acordo anterior estava prevista a busca de fontes alternativas de água e isso a Sabesp fez. Foi realizado o plano de redução de perdas que é o maior do Brasil e fez uma série de medidas que atendem ao acordo”, defendeu o ex-presidente.

Rio Piracicaba abastece o Sistema Cantareira e também ‘secou’ na estiagem

Últimas Notícias:
ESTUDO DE CASO BATIMETRIA E RECUPERAÇÃO DA CAPACIDADE OPERACIONAL EM ESTAÇÕES DE TRATAMENTO DE ESGOTO SBV Engenharia Ambiental (3)

Estudo de Caso: Batimetria e recuperação da capacidade operacional em estações de tratamento de esgoto | SBV Engenharia Ambiental

A operação de Estações de Tratamento de Esgoto (ETEs) está diretamente condicionada à manutenção de sua capacidade hidráulica efetiva que, ao longo do tempo, progressivamente é comprometida pelo acúmulo de lodo nas unidades de tratamento. Tal fenômeno representa uma das principais causas de perda de eficiência, especialmente em sistemas baseados em lagoas de estabilização e reatores biológicos de grande volume.

Leia mais »
Mercado se surpreende e lamenta com o pedido de recuperação extrajudicial do tradicional grupo de engenharia Andrade Gutierrez

Mercado se surpreende e lamenta com o pedido de recuperação extrajudicial do tradicional grupo de engenharia Andrade Gutierrez

O novo pedido de recuperação judicial feito pelas empresas do grupo Andrade Gutierrez surpreendeu e chocou o mercado da engenharia brasileira. O pedido, protocolado na 1ª Vara Empresarial de Belo Horizonte, confirmou que esse foi um dos poucos conglomerados atingidos pelas descobertas da Operação Lava Jato que não conseguiu colocar o nariz fora da água depois de tantos desgastes e contratempos revelados.

Leia mais »