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“Não vamos deixar o povo sem água”, garante presidente da Agespisa

O advogado José Augusto Nunes assumiu no início deste mês a presidência da Agespisa, a empresa responsável pelos serviços de abastecimento d’água e saneamento básico em boa parte do Estado. Acumulando uma dívida bilionária, a estatal apresenta inúmeros problemas, que submetem a população piauiense a um serviço precário. Em entrevista ao jornal O DIA, José Augusto afirma que a companhia de água e esgoto nunca foi omissa com o problema ambiental. Ele reconhece que a empresa ainda precisa melhorar sua atuação nessa área, mas adverte que a poluição dos rios Parnaíba e Poti também é provocada pela própria sociedade, que continua despejando esgotos nas galerias pluviais. À frente de uma das mais importantes empresas do Estado, José Augusto garante: “Não vamos deixar o povo sem água. Vamos correr para melhorar a oferta de água em Teresina e evitar o colapso, que a população teme”.

O DIA – Presidente, quais são suas prioridades à frente da Agespisa e em que elas se diferenciam das apresentadas pelos seus antecessores?
Presidente José Augusto Nunes – Elas não podem ser diferentes das propostas dos antecessores. Nós estamos priorizando, como meta e objetivo, a melhoria da oferta de água em todo o Estado do Piauí. Aí vem aquele questionamento: “E os recursos?”. Os recursos estão garantidos pelo aporte que o governador Wilson está fazendo junto à Agespisa, bem como pelos repasses firmados com o Ministério das Cidades, via Caixa Econômica, recursos da Codevasf, pelo Ministério da Integração, e recursos da Funasa, pelo Ministério da Saúde. A nossa diferença em relação aos outros [antecessores] é que a gente sonha muito mais, pelo fato de eu ter passado uma infância dura. Eu bebia água em anca puxada por jumento, e sempre lembro isso, o que me dá uma razão mais forte para melhorar a oferta de água. Eu me incomodo quando tenho conhecimento de uma residência que não tem água mesmo com uma adutora da Agespisa passando bem em frente – ou por falta de água, ou por falta de um suporte de reservatório ou por uma captação precária. Precisa de investimento? Precisa. São necessários muitos recursos, mas nós vamos buscar paliativos provisoriamente para atender essa demanda. Já estamos elaborando um plano operativo de ataque, para atender essa demanda exigida pela sociedade piauiense. É verdade que a situação agrava-se pela seca, que é latente e que todos os piauienses e nordestinos têm conhecimento. Na medida em que faltam chuvas, há uma redução nos lençóis, pela falta de recarga. Se não choveu, não há recarga nos lençóis. Os poços baixam. Precisamos afundar as bombas, descer canos, e tudo isso são complicadores. Além do mais, os rios, as lagoas ou os açudes sofrem muito pela falta de água natural das chuvas, pela evaporação constante, sobretudo por conta da umidade, que é muito baixa nesse período, e dificulta a captação, a exemplo do que ocorre na cidade de Parnaguá. Então, nós estamos fazendo esse levantamento e buscando as soluções. Estamos certos de que nós vamos atender e resolver vários problemas por que passa a Agespisa, sobretudo na questão da oferta de água.

O ex-presidente Antonio Filho reafirmou diversas vezes que o endividamento bilionário da empresa impede que ela consiga financiamentos para realizar grandes empreitadas, indispensáveis para a melhoria dos serviços de água e esgoto. De que forma o senhor pretende solucionar essa equação?
Isso é verdadeiro. Por falta de uma certidão negativa previdenciária, ela está impedida de buscar alguns recursos, mas não está impedida de acessar recursos do PAC, quando há uma intervenção do governo, que faz o pleito. O recurso sai no nome do Estado, para execução da Agespisa. Com a flexibilização criada pelo PAC, a Agespisa tem hoje R$ 520 milhões para serem trabalhados em água e esgoto. Há uma dificuldade em conseguir novos recursos, mas há também essa flexibilização, por meio da qual estamos conseguindo ultrapassar as barreiras e buscar mais recursos. Recentemente, fizemos um compromisso do senador Ciro Nogueira (PP-PI), que tem nos dado um apoio nessa questão de captação de recursos para saneamento básico e estamos recebendo um projeto que foi contratado pela Agespisa, que pretende ampliar a rede de esgoto na cidade de Teresina e cumprir um contrato firmado com o município de Teresina e também os compromissos exigidos pelo Ministério Público por conta do marco regulatório que a Lei Federal 11.445.

O governador Wilson Martins o nomeou agora para presidente da Agespisa, mas em abril próximo há possibilidade de deixar o governo. Há perspectiva que o senhor permaneça na gestão do Moraes Sousa? E o que vai dar pro senhor fazer de prático nesse período?
O mandato do governador Wilson Martins termina em 30 de dezembro de 2014, nós trabalhamos com essa data que ele foi eleito e esperamos que conclua o seu mandato. Se por uma outra questão o governador tomar outro caminho evidentemente eu só posso ficar aqui se houver vontade também do novo governador, no caso, o Zé Filho. Mas eu prefiro não trabalhar em hipótese, e esperar para ver o que vai acontecer, acredito na conclusão do mandato do governador Wilson Martins.

Já que a subdelegação foi descartada e o governo não aceita que parte do sistema seja municipalizado, que alternativa a Agespisa tem pra evitar o colapso do serviço de água e esgoto, que piora a cada dia?
O governador decretou e foi publicado no Diário Oficial do Estado o decreto reconhecendo a emergência na oferta de água na cidade de Teresina. A população de tem toda razão de reclamar da Agespisa, nós prestamos um serviço ao usuário, ao cidadão, nós temos essa convicção e responsabilidade de que, apoiado nesse decreto, podemos melhorar a oferta de água com a estação de tratamento de água da Santa Maria da Codipi que iniciará a partir dessa semana com a instalação do canteiro de obras, que atenderá aproximadamente 190 mil pessoas na zona Norte de Teresina. Da mesma forma que apoiado nesse decreto vamos construir uma adutora, saindo da estação de tratamento de água (ETA) no Distrito Industrial até o reservatório no Parque Piauí, para que possamos garantir e dar segurança à oferta de água em Teresina. Essas são obras de impacto emergenciais que não são longas e sim de médio prazo. Nós vamos concluir ainda no mandato do governador Wilson Martins, nós temos esse compromisso e a população está ouvindo e esperando essa ação da Agespisa. Isso já repercutiu no meio político e não vamos deixar o povo sem água, vamos agilizar esse empreendimento, a equipe da Agespisa e a equipe do Instituto de Desenvolvimento do Piauí (Idepi), que é parceira na execução desse empreendimento, estão afinadas no sentido de priorizar, de correr para melhorar a oferta de água em Teresina e evitar o colapso, que a população teme.

Fonte: Portal O Dia
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