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A “vingança” da poluição da China

A poluição do ar se tornou o assunto mais quente na China nesta semana. Enquanto imagens da imensa nuvem de poeira sobre grandes centros urbanos rodam o mundo, políticos de Pequim, Xangai e de outras províncias chinesas debatem novas medidas para tentar limpar o ar. Controlar os altos níveis de poluição é uma obrigação das autoridades chinesas. Mas um novo estudo, divulgado nesta segunda-feira (20) na revista científica Proceedings of the National Academy of Sciences, mostra que consumidores americanos também são responsáveis pelo ar poluído – e, ao menos na costa oeste dos EUA, também estão sofrendo com isso.

A China viveu um processo de industrialização extremamente rápido e é, ainda hoje, um dos países que mais crescem no mundo. Parte desse crescimento econômico aconteceu graças à terceirização das fábricas americanas, europeias e japonesas para o território chinês. Como as legislações trabalhista e ambiental chinesas são mais flexíveis, é mais barato produzir celulares e televisores na China e depois importar para Europa e EUA.
O estudo publicado nesta semana mostra que, por conta dessa terceirização, uma parte da “nuvem” – 36% do dióxido de enxofre, 27% dos óxidos de nitrogênio, 22% do monóxido de carbono e 17% do carbono negro – é formada por poluentes usados para criar produtos vendidos a americanos, europeus e japoneses. Em contrapartida, a terceirização das fábricas diminuiu a poluição nos Estados Unidos, especialmente na costa leste, onde havia muitas fábricas e maior densidade populacional.

Bom para os EUA e ruim para a China, certo? Não exatamente. Poluição não respeita fronteiras. Graças a correntes de ar conhecidas como ventos do oeste, uma parte da poluição chinesa atravessa o Oceano Pacífico – e vai parar na outra costa dos Estados Unidos, piorando a qualidade do ar em cidades como Los Angeles. “Nós terceirizamos a nossa produção e grande parte da nossa poluição, mas uma parte dela está voltando do outro lado do Pacífico para nos assombrar“, diz Steve Davis, um dos autores do estudo, ao divulgar o trabalho no site da Universidade da Califórnia.

Como mostra a imagem acima, a nuvem de fumaça da China não segue apenas para os Estados Unidos, mas parte dela se espalha pelo hemisfério Norte, como no Japão, Canadá e até Groenlândia. Segundo os autores do estudo, os resultados mostram que é preciso confrontar uma questão complicada quando se fala em tratados de poluição que atravessa fronteiras: quem é responsável pela poluição que um país emite para produzir bens que serão exportados e consumidos por cidadãos de outros países?

Fonte: Blog do Planeta
Veja mais: http://epoca.globo.com/colunas-e-blogs/blog-do-planeta/noticia/2014/01/bvingancab-da-poluicao-da-china.html

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