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Captação de água acima do permitido será discutida pelo Plano de Recursos Hídricos do Rio Camboriú

A captação de água acima do permitido pela lei em Balneário Camboriú e Camboriú é um dos assuntos que estará em debate no Plano de Recursos Hídricos do Rio Camboriú. O projeto será lançado oficialmente na quarta-feira e tem prazo de conclusão até junho de 2017. A problemática preocupa, pois na última temporada houve dias em que 1.100 litros por segundo de água chegaram a ser retirados do rio – 400 l/s a mais do que o liberado para abastecer as duas cidades. Mesmo fora do verão, o volume de água captada também excedeu o limite.

O documento, que já começou a sair do papel, é uma espécie de plano diretor do rio e vai apontar dados sobre a quantidade de água disponível, além da qualidade desse recurso e o consumo existente. A Fundação Certi, vinculada à Universidade Federal de Santa Catarina (UFSC), será a responsável pela elaboração do material.

O diagnóstico, o prognóstico e as soluções levantadas no plano vão ajudar o Comitê do Rio Camboriú a fazer uma melhor gestão da bacia hidrográfica. Nesse contexto, a captação de água é um dos fatores preocupantes, já que os números mostram que o rio está em seu limite, conforme o arquiteto e urbanista e membro do comitê, Ênio Faqueti.

– Com esses dados vamos saber quanto pode ser outorgado para cada cidade captar e quanto vai sobrar de água no rio. Também poderemos antecipar problemas futuros e evitar o desabastecimento. A criação de um parque inundável, por exemplo, resolveria o problema da reservação de água bruta e das enchentes – afirma.

O plano deve sugerir ainda a atualização dos critérios para conceder a outorga de captação água, já que hoje a demanda é muito maior do que se pode tirar do rio. Segundo a engenheira ambiental do comitê, Liara Padilha, essa revisão é necessária para adequar a operação à realidade.

– Essa captação tem que existir porque não se pode diminuir a demanda de consumo da região. Temos que discutir esses critérios para haver um equilíbrio que atenda a população e não prejudique o rio – observa – Em 2013 vivemos uma situação de escassez, então é um cenário que pode ocorrer novamente.

A Secretaria de Estado do Desenvolvimento Econômico Sustentável (SDS), responsável por fiscalizar as outorgas de captação, informou que propôs o plano justamente para obter dados atualizados sobre a bacia. A intenção é entender o que está ocorrendo na região e definir o que se pode ou não fazer, sem prejudicar a população ou punir de forma equivocada as empresas.

A reportagem não conseguiu contato com um representante da Empresa de Água e Saneamento de Balneário Camboriú (Emasa), que abastece as duas cidades. Porém, o Comitê do Rio Camboriú relatou que a autarquia investe na recuperação de áreas degradadas e em ações para melhorar os recursos hídricos como forma de compensação ambiental.

Perdas de água tratada chegam a 60% em Camboriú

Outro problema que afeta o sistema de abastecimento da região são as perdas de água tratada por vazamentos ou fissuras na tubulação. Em Camboriú essas perdas chegam a 60%, enquanto em Balneário o índice fica em torno de 40% – números considerados altos pelo comitê.

Para a engenheira Liara Padilha, uma melhor infraestrutura na rede de distribuição e a ampliação da capacidade de reservação das cidades poderia amenizar o problema da captação de água. Na prática, porém, os investimentos demoram a sair do papel.

Ainda está na pauta do plano de Recursos Hídricos o lançamento de esgoto no Rio Camboriú e o avanço das construções nas margens. O projeto contará com participação popular durante sua elaboração e deve determinar diretrizes para novos empreendimentos.

Fonte: DC
Foto: Lucas Correia / Agencia RBS

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