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Estiagem está pior neste ano

Mais duas cidades de Minas anunciam racionamento e prefeituras criticam Copasa e governo.

A estiagem que castiga Minas Gerais há quatro anos, segundo o meteorologista do Climatempo Ruibran dos Reis, e continua prejudicando pelo menos 108 municípios em Estado de Emergência em função da falta de chuvas, de acordo com dados desta quarta da Defesa Civil do Estado, pode perdurar. “Em 2015 vai chover menos do que em 2014. No primeiro semestre, o volume de chuva foi menor. Foi menor em setembro, vai ser menor em outubro e pelo menos novembro. Isso em função do fenômeno climático El Niño que, segundo o Instituto Meteorológico dos Estados Unidos, vai ser o pior dos últimos 75 anos”, afirma Ruibran.

Mesmo assim, falta investimento para enfrentar o desabastecimento por parte do governo do Estado. Os municípios de Ubá e Astolfo Dutra, na Zona da Mata mineira, que tiveram o rodízio divulgado pela Copasa nesta terça, vivem essa situação e engrossam a lista de cidades com dificuldades em abastecer a população. “O que nós precisamos agora é que a Copasa ative os poços artesianos que foram perfurados e aumente o número de caminhões-pipa”, afirma o secretário do Ambiente de Ubá, Aldeir Augusto Ferraz. Segundo ele “a Copasa não está agindo com a urgência que a situação exige. Faltam investimento e ação mesmo”, conta. Segundo Ferraz, dos 16 poços artesianos prometidos pela Copasa, apenas três estão funcionando. Os sete caminhões-pipa enviados pela empresa são insuficientes para o secretário. A Prefeitura de Ubá providenciou mais cinco veículos que estão buscando água em mananciais próximos e levando para a Estação de Tratamento de Água que abastece a cidade.

A situação se repete em Astolfo Dutra. “A Copasa tem contrato para cuidar do abastecimento da cidade há 30 anos. Ao longo desse tempo, não foi feito investimento, nem em preservar as nascentes, nem para construir uma barragem”, declara o secretário de Agricultura, Pecuária e Meio Ambiente de Astolfo Dutra, Luiz Fernando Lavorato. Segundo ele, a Copasa perfurou um poço artesiano no ano passado e depois disso não houve mais investimento.

A Copasa informou, via nota, que os rodízios em Ubá e Astolfo Dutra ocorrem por causa da “estiagem dos últimos anos” e da diminuição do nível dos mananciais. E disse que nos dois casos “iniciou manobras operacionais como medida emergencial, além da perfuração de poços profundos e do apoio de caminhões-pipa, quando necessário”.

A transparência da Copasa foi questionada por uma moradora de Astolfo Dutra que não quis se identificar. “A Copasa não informa a população sobre o rodízio. Eu ouço rádio e nunca vi divulgação nenhuma”, afirma. Em seu site, a empresa informou sobre os rodízios nas duas cidades nesta terça.

Porém, a assessoria de imprensa da empresa esclareceu que um programa de racionamento de água já estava em andamento desde 24 de setembro em Astolfo Dutra e que o rodízio em Ubá teve início em junho.

Moradores relatam a dificuldade

Os moradores das cidades de Ubá e Astolfo Dutra declararam que já ficaram sem receber água da Copasa por semanas seguidas. “Algumas regiões do município já ficaram 25 dias sem receber água direito”, declara o secretário do Ambiente e Mobilidade Urbana de Ubá, Aldeir Ferraz.

Segundo Maiara Delazari, moradora de Ubá, a população tenta se adaptar à falta de água. “No meu trabalho, ficamos mais de cinco dias sem água. Temos que dar descarga com balde, comprar água mineral para beber, porque da torneira não tem. Conhecidos estão com dificuldade até de tomar banho”, diz.

Fonte: O Tempo

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