Desestatização da Sabesp possibilitou o maior investimento da história para ampliar o acesso da população à água e esgoto tratado
O Governo de São Paulo adota medidas para aumentar a resiliência hídrica no estado. Para isso, implementa um novo modelo de monitoramento dos mananciais e investe em obras de grande porte para ampliar a oferta de água tratada à população.
O monitoramento é um modelo inédito que permite a gestão dos mananciais em tempo real, proporcionando mais rapidez na tomada de decisões em períodos de escassez hídrica. Realizado pelo Sistema Integrado Metropolitano (SIM), reúne dados dos sete reservatórios interligados da Grande São Paulo, e oferece, além de índices pluviométricos, comparativos com períodos anteriores, possibilitando decisões baseadas no desempenho do conjunto dos mananciais, e não apenas de um sistema isolado.
A nova metodologia de monitoramento das represas estabeleceu sete faixas de atuação, de acordo com os níveis dos mananciais. As faixas correspondem a etapas graduais de criticidade e orientam os gestores sobre as medidas que devem ser adotadas em cada cenário.
Redução da pressão
Uma das medidas adotadas em função das faixas de restrição foi a redução da pressão da água noturna na Grande São Paulo para preservação dos mananciais por 8 horas, estendida depois para 10 horas em função do agravamento da estiagem no segundo semestre de 2025, como prevê as faixas 1, 2 e 3.
A partir da faixa 4, o governo pode ampliar a redução para 12, 14 ou 16 horas, de acordo com o nível de estiagem. No pior cenário, na faixa 7, o sistema determina o rodízio de água entre regiões.
Resiliência Hídrica
Um dos principais focos do Governo de São Paulo têm sido os investimentos em obras de resiliência hídrica. Nos últimos anos, a Sabesp concluiu importantes obras que reforçaram o sistema de abastecimento do Sistema Integrado Metropolitano.
Entre as principais obras está a transposição do Jaguari-Atibainha. Ela permite a transferência de água da bacia do Paraíba do Sul para o Sistema Cantareira. Também está a conclusão do Sistema São Lourenço. Ele permite a captação de 6,4 mil litros de água por segundo. Além disso, há a transferência do Itapanhaú para o Sistema do Alto do Tietê. Essa estrutura permite a captação de 2,5 mil litros por segundo. Todas já estão em operação.
Outras duas obras de extrema importância são a interligação Billings-Alto Tietê. Ela captará 4 mil litros de água bruta por segundo do braço do Rio Pequeno, na represa Billings, em São Bernardo. Além disso, há a travessia subaquática Santos-Guarujá. Essa estrutura terá capacidade de transportar 500 litros de água tratada por segundo. Ambas estão em construção.
Em 2025, o governo concluiu a ampliação da Estação de Tratamento de Água (ETA) do Rio Grande, aumentou a capacidade em 500 litros por segundo e investiu R$ 120 milhões, beneficiando mais de 120 mil pessoas. Além disso, modernizou a Estação de Tratamento de Água do Alto da Boa Vista, com investimento de R$ 25 milhões.
Em 2026, o governo realizou, entre outras obras, a ampliação da ETA Embu-Guaçu. Também construiu a nova Estação de Tratamento de Esgoto em Paulínia. Além disso, modernizou a ETA Guarapiranga. Por fim, ampliou a ETA Melvi e a ETA Mambu Branco, ambas na Baixada Santista.
Investimentos
Em 2025, o Estado de São Paulo recebeu o maior investimento da história para ampliar o acesso da população à água e esgoto tratado. Foram R$ 15,2 bilhões aplicados pela Sabesp, valor 120% superior aos R$ 6,9 bilhões do ano anterior. O crescimento foi possível após a desestatização da empresa, realizada em julho de 2024 pelo Governo de São Paulo, com objetivo de acelerar a universalização do saneamento básico no estado, prevista para ocorrer em 2029.
“Esses investimentos fortalecem a proteção dos recursos hídricos, reduzem a poluição, melhoram a qualidade de vida das pessoas e promovem desenvolvimento sustentável em todas as regiões do estado”, disse a secretária de Meio Ambiente, Infraestrutura e Logística de SP, Natália Resende.
Em pouco mais de um ano após a privatização, a Sabesp reduziu em cerca de 22% o volume de esgoto que era lançado sem tratamento adequado na região metropolitana de São Paulo. No fim de 2023, esse passivo equivalia a aproximadamente 63 bilhões de litros por mês, ou 25 mil piscinas olímpicas.
A queda representa 5.500 piscinas olímpicas a menos por mês chegando ao meio ambiente sem tratamento, resultado da aceleração de obras de coleta e tratamento, com impacto direto na proteção de mananciais estratégicos como Tietê, Guarapiranga e Billings.
Universalização
O Marco Legal do Saneamento determinou que o acesso à água tratada deve ser garantido para 99% da população, e o tratamento de esgoto, para 90% em todo o país até 2033. A privatização, porém, vai permitir que a Sabesp antecipe esses indicadores em quatro anos, para 2029, no estado de São Paulo. A empresa vai investir R$ 70 bilhões no período para que a meta seja alcançada.
Fonte: Agência SP
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