saneamento basico

Freixo defende política de moradia com tratamento de esgoto associado à educação ambiental

Num sobrevoo de mais de duas horas, na manhã deste sábado, pela Lagoa de Jacarepaguá e as Baías de Guanabara e de Sepetiba, o candidato do PSOL Marcelo Freixo pôde ter a noção dos problemas que o futuro prefeito do Rio terá de enfrentar. O uso do solo desordenado, em decorrência do crescimento desenfreado de habitações, e a falta de saneamento básico fazem parte do cenário visto de cima, principalmente na favela Rio das Pedras, área de domínio das milícias. Segundo Freixo, é fundamental uma política de moradia com tratamento de esgoto associado à educação ambiental.

— A cidade que se chama Rio, na verdade, é um rio de esgoto. A Baía de Guanabara está totalmente comprometida. Você olha para o lado de Grumari, onde não há ocupação desordenada, mas há uma degradação ambiental severa. É democrático. No Canal Das Tachas, por exemplo, tanto a comunidade do Terreirão como os condomínios de luxo estão poluindo igualmente — disse Freixo.

O convite para sobrevoar a região partiu do biólogo Mário Moscatelli da ONG Olho Verde, que há mais de 20 anos monitora a degradação do meio ambiente na região. Moscatelli chamou os dois candidatos à prefeitura do Rio para o passeio, mas Marcelo Crivella (PRB) disse que estava com a agenda apertada, segundo o biólogo.

— A falta de investimentos faz a situação piorar sistematicamente. É preciso uma unidade de tratamento de rios, que dê tempo para o sistema lagunar se recuperar, acompanhado da melhoria do saneamento básico. Fica clara a necessidade de planejamento, o que não existe hoje. Tem que casar essa ação política do saneamento básico com a construção de moradias. Sem isso, você não vai saber para onde a cidade cresce. Além disso, a cada R$ 1 investido em saneamento básico, economiza-se R $ 4 em saúde pública — explicou o candidato, ressaltando que são medidas previstas em seu plano de governo.

Embora a questão ambiental seja de âmbito estadual, a ordenação do uso do solo é atribuição do município.

— Não dá para deixar a questão ambiental de fora da discussão política dessas eleições. O desordenamento do solo é gritante. As favelas de Rio das Pedras, da Muzema, do Morro do Banco, na região de Jacarepaguá; e Babilônia, no Leme, crescem a cada dia. Mas a degradação não está restrita às áreas pobres. A gente vê esgoto sendo lançado nas praias da Barra, cuja origem é de galerias de águas pluviais que ficam atrás de grandes shoppings do bairro — explicou Moscatelli.

Para o biólogo, caso medidas urgentes de ordenamento urbano não sejam tomadas, as próximas chuvas poderão proporcionar “um caos de proporções bíblicas”.

— Todos se dizem preocupados com essas questões, mas nada é feito. Não tem como drenar a água das chuvas. Para piorar, a população não ajuda e continua a jogar sofá nos rios. O sistema de drenagem está entupido. Jacarepaguá vai virar uma Praça da Bandeira em proporções maiores — disse Moscatelli.

Fonte: Extra

Últimas Notícias:
Integração de sistemas no saneamento o risco operacional que começa na desorganização dos dados EOS Systems

Integração de sistemas no saneamento: o risco operacional que começa na desorganização dos dados | EOS Systems

No setor de saneamento, a falta de integração entre sistemas não é apenas um problema de TI; é um risco operacional sistêmico. Quando o sistema comercial (faturamento) não se comunica com o operacional (telemetria/GIS) e ambos ignoram o fiscal (ERP), a operação da concessionária entra em um ciclo de desorganização de dados, onde a informação se torna incompleta e a tomada de decisão perde efetividade.

Leia mais »
Novo marco legal do saneamento fracasso ou limites estruturais

Novo marco legal do saneamento: fracasso ou limites estruturais?

Nos últimos meses, uma sequência de notícias sobre concessões esvaziadas, revisões de modelagens e redução do interesse privado em projetos de saneamento reacendeu um debate incômodo. O novo marco legal do setor (Lei 14.026/2020) estaria falhando em sua principal promessa: a universalização dos serviços até 2033?

Leia mais »
O processo de privatização da Copasa é robusto

O processo de privatização da Copasa é robusto?

Ao final da desestatização da Copasa, surgiram críticas à “robustez” do modelo. Cito algumas: falta de previsão contratual suficiente de metas de universalização e qualidade; ausência de disciplina para áreas socialmente sensíveis; falta de transparência e açodamento na renegociação com os municípios e na regionalização; e erro no modelo de precificação das ações.

Leia mais »