saneamento basico

Licença de Belo Monte é suspensa até a conclusão do Esgotamento Sanitário em Altamira/PA

Os movimentos sociais comemoram a suspensão da licença de funcionamento da usina hidrelétrica de Belo Monte, em Altamira, no sudoeste do Pará.

A decisão aconteceu na última quinta-feira (6), quando a Corte do Tribunal Regional Federal (TRF) acolheu o recurso do Ministério Público Federal (MPF), que pediu a suspensão de funcionamento da usina até que a empresa responsável, a Norte Energia, concluísse a construção do sistema de saneamento do município.

O sistema de saneamento, uma das obras consideradas mais importantes das condicionantes de Belo Monte, deveria estar em pleno funcionamento há quase três anos. Mas o esgoto de Altamira continua sendo coletado por caminhões limpa fossa, e as ligações das casas à rede ainda não foram concluídas. Por causa disso, o TRF suspendeu a licença de operação da Usina de Belo Monte até que o sistema de saneamento funcione plenamente.

“A população precisa dessa rede de saneamento funcionando, e que isso não vem acontecendo. É uma vitória dos atingidos por barragens, e a gente espera que na verdade seja cumprindo essas condicionantes” afirmou Edzangela Barros, coordenadora do Movimento Atingidos por Barragens.

Risco de contaminação

Com a formação do reservatório da usina na área urbana de Altamira, o nível do rio Xingu aumentou no período de cheia. Por conta disso, houve também a elevação do lençol freático da cidade, que corre risco de contaminação. De acordo com o Instituto Socioambiental de Altamira, as fossas das casas, que geralmente ficam muito próximas aos poços, estão submersas, o que facilita a poluição da água consumida pelos moradores.

“A gente está verificando em vários pontos da cidade que a elevação do lençol freático tem causado a contaminação de poços de água. Como você tem um sistema de esgoto muito próximo do poço de água, com a fossa negra próxima ao poço, com a elevação do lençol freático você tem a contaminação da água, podendo causar diversas doenças. Isso é verificável, andando também pela cidade, a calamidade que se encontra o sistema de saneamento”, disse Marcelo Salazar, coordenador do Instituto Socioambiental.

Enquanto isso, famílias não sabem como viverão com os poços contaminados e o serviço de abastecimento de água não funcionando.

“Eu moro há 20 anos aqui nessa residência, nunca aconteceu de eu ter ficado sem água. Agora, depois dessa construção da usina de Belo Monte, estou prejudicado com a minha família e toda a minha vizinhança”, reclamou Arles Ferreira, cabeleireiro.

“Está tudo de pernas para o ar. Estou com bastante roupa acumulada, sujeira, tudo por limpar”, desabafou a dona de casa Rosane dos Santos.

Em nota, a Norte Energia disse que não tomou conhecimento da decisão do Tribunal Regional Federal e que assim que tiver ciência, ou for intimada, vai se manifestar a respeito.

Fonte: G1

Últimas Notícias:
Integração de sistemas no saneamento o risco operacional que começa na desorganização dos dados EOS Systems

Integração de sistemas no saneamento: o risco operacional que começa na desorganização dos dados | EOS Systems

No setor de saneamento, a falta de integração entre sistemas não é apenas um problema de TI; é um risco operacional sistêmico. Quando o sistema comercial (faturamento) não se comunica com o operacional (telemetria/GIS) e ambos ignoram o fiscal (ERP), a operação da concessionária entra em um ciclo de desorganização de dados, onde a informação se torna incompleta e a tomada de decisão perde efetividade.

Leia mais »
Novo marco legal do saneamento fracasso ou limites estruturais

Novo marco legal do saneamento: fracasso ou limites estruturais?

Nos últimos meses, uma sequência de notícias sobre concessões esvaziadas, revisões de modelagens e redução do interesse privado em projetos de saneamento reacendeu um debate incômodo. O novo marco legal do setor (Lei 14.026/2020) estaria falhando em sua principal promessa: a universalização dos serviços até 2033?

Leia mais »