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Portugal só investe um terço do que devia na renovação das redes de água

As perdas de água nas redes de distribuição aos consumidores finais têm melhorado pouco nos últimos anos e, só em 2016, foram cerca de 155 milhões de metros cúbicos de água que se perderam por roturas e outras anomalias nas redes de água. Esta quantidade de água seria suficiente para abastecer a região de Viseu durante 31 anos, segundo revelou, esta quarta-feira, Diogo Faria de Oliveira, o presidente do grupo de acompanhamento do PENSAAR 2020 – Plano Estratégico de Abastecimento de Água e Saneamento de Águas Residuais.

O responsável que falava na sessão comemorativa dos 10 anos da empresa intermunicipal Águas do Ribatejo, que decorreu no Centro Cultural de Samora Correia, em Benavente, Santarém, sublinhou que a maior preocupação é a falta de investimento na renovação de redes, área onde Portugal tem gasto nos últimos anos menos de um terço do que seria necessário. Na apresentação pública do relatório de progresso do PENSAAR 2020, Diogo Faria de Oliveira explicou que Portugal tem cerca de 110 milhões de quilómetros de redes de água e saneamento e que cerca de 65 milhões são redes de colectores de águas residuais.

“Nos anos da troika até se investiu bastante neste sector”

“Nos anos da troika até se investiu bastante neste sector, investiu-se cerca de 492 milhões de euros por ano, mas só 66 milhões foram para a renovação das redes. Se fossem 30 por cento já conseguíamos o objectivo de renovar o parque de redes em 100 anos”, vincou Diogo Faria de Oliveira, considerando que esta deverá ser uma prioridade política nos próximos anos.

Tanto mais que o nível de perdas de água para consumo não tem melhorado muito. Segundo números do relatório agora apresentado, em 2016 cerca de 240 milhões de metros cúbicos vendidos às entidades gestoras da distribuição em baixa não foram facturados.

Destes, cerca de 155 milhões são “perdas reais” por deficiências nos sistemas e outros 85 milhões são considerados “perdas comerciais”, por falhas nos sistemas de contagem e facturação ou consumos que estas entidades não cobram por variadas razões. Certo é que tudo isto representa uma perda de 91,8 milhões euros que, sublinhou, poderiam ser muito importantes para a renovação e melhoria das redes.

Na sessão realizada no Centro Cultural de Samora Correia participou também o secretário de Estado do Ambiente, Carlos Martins, que elogiou o exemplo da Águas do Ribatejo e reafirmou o desejo do Governo de que haja mais processos de agregação de entidades gestoras para criar maior dimensão e maiores economias de escala. “Temos cerca de 320 entidades gestoras e gostaríamos que, nos próximos anos, fosse possível reduzir para um número não superior às 100 entidades gestoras de água e saneamento”, salientou o governante.

De acordo com Diogo Faria de Oliveira, nesta altura decorrem negociações em vários pontos do País para 19 eventuais processos de agregação de sistemas.

Fonte: Público

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