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Rio de Janeiro fortalece agenda climática por meio da gestão de resíduos

Rio de Janeiro fortalece agenda climática por meio da gestão de resíduos

Com infraestrutura de saneamento, logística e valorização energética, Regenera Rio contribui para descarbonização das cidades.

Muito além da limpeza urbana, a gestão de resíduos vem ganhando espaço como uma das estratégias mais eficientes para enfrentar as mudanças climáticas.

Em grandes centros urbanos, onde o volume de resíduos gerados diariamente representa um desafio ambiental e operacional, investir em infraestrutura capaz de reduzir emissões e aproveitar recursos antes desperdiçados passa a integrar a agenda climática.

No Rio de Janeiro, esse movimento ganha escala por meio da operação da Regenera Rio.

Ao integrar destinação ambientalmente adequada dos resíduos, logística eficiente e aproveitamento energético do biogás, o modelo demonstra como um serviço essencial pode contribuir para a redução de emissões de Gases de Efeito Estufa (GEEs). Além disso, fortalece o posicionamento da cidade como referência em soluções ambientais de longo prazo.

O contraste é significativo. De um Rio de Janeiro conhecido pelo antigo lixão de Jardim Gramacho, a cidade passou a contar com o Centro de Tratamento de Resíduos (CTR-Rio), em Seropédica. De acordo com a Agência Nacional do Petróleo, Gás Natural e Biocombustíveis (ANP), o local abriga o maior projeto do país de captura de biogás e produção de biometano.

Diariamente, cerca de 10 mil toneladas de resíduos provenientes da capital e de outros seis municípios fluminenses — Seropédica, Itaguaí, Mangaratiba, Piraí, Miguel Pereira e Paty do Alferes — são destinados ao CTR-Rio. Com vida útil projetada para além de 2070, a operação atende mais de 8 milhões de pessoas. Além disso, reúne, em uma única cadeia, soluções integradas de engenharia ambiental, saneamento, logística e valorização energética.

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Entre os principais diferenciais da operação está o aproveitamento do biogás gerado pela decomposição da matéria orgânica presente nos resíduos.

O CTR-Rio concentra 8% da capacidade instalada do Brasil para captação de biogás em aterros sanitários. A unidade captura cerca de 25 mil Nm³ de biogás por hora, por meio de uma rede com mais de 31 quilômetros de tubulações. Parte desse gás é composta por metano. Seu potencial de aquecimento global é cerca de 28 vezes superior ao do dióxido de carbono (CO₂).

Rio de Janeiro fortalece agenda climática por meio da gestão de resíduos

Rio de Janeiro fortalece agenda climática por meio da gestão de resíduos (1)

Ao impedir que esse metano seja liberado diretamente na atmosfera e convertê-lo em energia elétrica, biometano e créditos de carbono certificados, a operação transforma um passivo ambiental em ativo para a agenda climática.

Nesse sentido, a produção de biometano contribui para substituir os combustíveis fósseis, especialmente nos setores de transporte e indústria. Dessa forma, a gestão de resíduos se alinha às estratégias de transição energética e descarbonização.

O potencial energético da operação é de cerca de 50 MW. Esse volume é suficiente para abastecer aproximadamente 350 mil residências, ou uma população superior a 1 milhão de habitantes. Até 2028, estão previstos R$ 105 milhões em investimentos para ampliar o aproveitamento energético do biogás.

“O debate climático também passa pela forma como as cidades administram seus resíduos. O Rio de Janeiro demonstra que é possível integrar saneamento, infraestrutura e inovação para transformar um passivo ambiental em benefícios que se revertem direta e indiretamente para a população. Quando os resíduos passam a gerar energia renovável, combustíveis de baixo carbono e redução de emissões, eles deixam de representar apenas um desafio urbano e passam a contribuir para a estratégia climática da cidade”, afirma Maurício Batista, Diretor Presidente da Regenera Rio. Logística integrada reduz impactos na cidade

A contribuição para a agenda climática também se reflete na mobilidade urbana. Antes de seguirem para o CTR-Rio, as equipes encaminham os resíduos coletados na capital para cinco Estações de Transferência de Resíduos (ETRs), localizadas nos bairros Bangu, Caju, Jacarepaguá, Marechal Hermes e Santa Cruz.

As unidades funcionam como pontos intermediários que concentram o carregamento em veículos de maior capacidade para o transporte até Seropédica.

Com menos viagens para transportar o mesmo volume de resíduos, o modelo também reduz as emissões associadas ao transporte e diminui a circulação de veículos pesados nas vias da cidade, contribuindo para melhorar o tráfego urbano.

“Gestão de resíduos não termina na destinação final. Começa na coleta, passa pela triagem de materiais recicláveis, pela eficiência logística e se completa com o aproveitamento ambiental e energético. Essa visão integrada permite ao Rio reunir, em uma única operação, soluções de saneamento, mobilidade e descarbonização, fortalecendo sua posição como referência na gestão sustentável de resíduos”, completa Batista.

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