Baseform | Configure setores de balanço hídrico em tempo real
As redes de distribuição de água raramente permanecem com a mesma configuração ao longo do tempo.
As redes de distribuição de água raramente permanecem com a mesma configuração ao longo do tempo.
Historicamente, o modelo operacional predominante nas concessionárias de água e esgoto no Brasil foi moldado pela gestão reativa. Nesse paradigma clássico — frequentemente apelidado de modo "apagar incêndios" —, as ações operacionais e de manutenção são desencadeadas quase exclusivamente após a ocorrência do evento adverso:
No setor de saneamento e utilidades públicas, a receita faturada é a única fonte primária para o custeio da operação e a expansão da infraestrutura.
Ao longo das últimas décadas, a transformação digital nas concessionárias de saneamento ocorreu, em muitos casos, de forma descentralizada. A diretoria de operações adotou um software de SCADA para controle de bombas; a equipe comercial implementou um sistema de faturamento; o setor financeiro adquiriu um ERP corporativo mercado; e o atendimento ao cliente optou por um CRM independente.
A gestão de uma concessionária ou autarquia de saneamento é um exercício constante de equilíbrio entre conformidade regulatória, sustentabilidade econômico-financeira e nível de serviço ao cliente. Com o avanço das metas exigidas pelas agências reguladoras e a necessidade de otimização de recursos (OPEX), mensurar apenas o faturamento bruto e o volume faturado é uma prática obsoleta e perigosa.
No cenário atual do saneamento básico brasileiro, marcado pelas exigências de eficiência do Marco Legal, a redução de perdas de água deixou de ser uma meta puramente operacional. Ela se tornou uma prioridade estratégica e financeira para o C-Level de concessionárias e autarquias.
No setor de saneamento e utilities, fraudes de medição, consumos anormais e vazamentos invisíveis são responsáveis por perdas financeiras significativas. Na maioria das operações tradicionais, as equipes só detectam esses desvios depois de semanas ou meses. Quando isso acontece, o impacto já compromete o fluxo de caixa e a sustentabilidade operacional.
A cada três litros de água tratada que saem de uma estação de saneamento no Brasil, um desaparece antes de chegar à torneira de alguém. Além disso, o indice médio de perdas em 2024 (39,5% segundo estudo do Instituto Trata Brasil e da consultoria Ex Ante). É o dobro do considerado aceitável e bem acima da média de 15% dos países desenvolvidos e poderia ser suficiente para resolver boa parte do déficit que ainda deixa 33 milhões de brasileiros sem acesso à água potável.
As principais apresentações, assim como as conversas de corredor, confirmam uma tendência clara no bom sentido: o foco está a deslocar-se da digitalização como finalidade em si mesma, para os resultados operacionais concretos que ela pode permitir.
Sair do modo "apagar incêndios" para uma operação previsível é o divisor de águas entre empresas que sobrevivem e aquelas que se tornam referências de eficiência. No setor de saneamento, a gestão de ativos é a chave para transformar a infraestrutura invisível (tubulações enterradas) em dados estratégicos, fornecendo informações que guiarão decisões de alto impacto.