No Semiárido cearense, garantir água ao longo do ano é um desafio permanente.
Por isso, o Cinturão das Águas do Ceará vem sendo implantado como uma grande estrutura de redistribuição hídrica dentro do estado, conectando bacias, reforçando reservatórios existentes e reduzindo a insegurança no abastecimento para milhões de pessoas, com expectativa de oferecer segurança hídrica para cerca de 5 milhões de pessoas em municípios estratégicos, segundo o Ministério da Integração e do Desenvolvimento Regional (MIDR).
O que é o Cinturão das Águas do Ceará e qual seu objetivo principal?
Coordenado pelo Governo do Ceará com apoio financeiro da União, o Cinturão das Águas do Ceará integra planejamento hídrico, engenharia e gestão territorial. A água que entra no estado pela integração com o Rio São Francisco passa a ser conduzida por um sistema próprio que reforça, sem substituir, os reservatórios já existentes.
Esse arranjo cria rotas alternativas de fornecimento e amplia a capacidade de resposta em estiagens severas. Com isso, o projeto busca reduzir o risco de colapso do abastecimento em cidades estratégicas e servir de base estrutural para o planejamento hídrico de longo prazo no estado.
Por que o Cinturão das Águas do Ceará é peça-chave para a segurança hídrica?
A relevância do Cinturão está na mudança de lógica do uso da água, que deixa de tratar cada açude como sistema isolado para trabalhar a interligação entre bacias. Quando um reservatório entra em situação crítica, outra região pode auxiliar, diminuindo a chance de interrupções prolongadas no fornecimento.
Esse corredor hídrico prioriza o consumo humano e serviços públicos essenciais, atendendo áreas urbanas e rurais com foco no volume mínimo necessário. Entre os efeitos esperados com sua operação plena, destacam-se resultados que impactam diretamente a rotina das famílias e a gestão pública:
- Maior estabilidade no abastecimento humano, sobretudo em municípios sujeitos a longos períodos de seca;
- Redução da dependência de ações emergenciais, como racionamentos extensos e envio contínuo de carros-pipa;
- Planejamento mais previsível para companhias de saneamento e órgãos gestores de recursos hídricos;
- Melhor distribuição da água disponível, equilibrando regiões com maior e menor oferta hídrica.
Como funciona a infraestrutura do Cinturão das Águas do Ceará?
A infraestrutura é formada por trechos de canais escavados, segmentos em concreto, túneis e sifões, compondo um caminho contínuo com 145,3 quilômetros de extensão. Esse traçado liga a entrada das águas do Rio São Francisco a diferentes bacias internas, com estruturas de controle que regulam vazões e permitem a operação segmentada.
A gestão é apoiada por automação e monitoramento remoto quase em tempo real, garantindo maior eficiência no uso da água. A prioridade de distribuição obedece a normas e contratos, colocando primeiro o consumo humano e urbano essencial, seguido de atividades produtivas estratégicas, uso rural e dessedentação animal, e, por fim, projetos de irrigação conforme a disponibilidade.
Quais são os investimentos e impactos econômicos do Cinturão das Águas?
O Cinturão envolve contratos de grande porte em obras civis, montagem eletromecânica e sistemas de automação, incluindo escavação de canais, túneis, estruturas de concreto e programas de controle ambiental. Essa movimentação financeira aciona cadeias produtivas de engenharia, transporte, materiais de construção, combustíveis e serviços de apoio.
Ao longo do traçado, são gerados empregos diretos e indiretos em setores como alimentação, hospedagem, comércio e serviços locais. Entre os efeitos esperados estão o aumento da oferta de trabalho, o estímulo à instalação de novos empreendimentos, o fortalecimento da produção agrícola irrigada e a redução de gastos emergenciais do poder público durante secas extremas.
Como o Cinturão influencia o planejamento hídrico no Semiárido?
O modelo adotado no Ceará tem chamado atenção de outros estados do Semiárido por reunir transferência hídrica em larga escala, integração de bacias e priorização do consumo humano em uma mesma estrutura. Em vez de atuar apenas com medidas emergenciais, o estado aposta em uma obra permanente como base de seu planejamento hídrico.
Com conclusão prevista para junho de 2026, o sistema tende a orientar decisões sobre uso da água em áreas urbanas, expansão industrial, projetos agrícolas e proteção de mananciais. Dessa forma, o Cinturão das Águas do Ceará se consolida como instrumento central de convivência com o clima semiárido e de organização do desenvolvimento econômico regional.
Fonte: Brasil Notícias
