saneamento basico
Maceió é a primeira capital do Nordeste a usar oxigênio no tratamento de chorume (1)

Mesmo com investimento 151% maior, tarifa da Sabesp não terá aumento real em 2026

Mesmo com investimento 151% maior, tarifa da Sabesp não terá aumento real em 2026.

A Agência Reguladora de Serviços Públicos do Estado de São Paulo publicou, nesta segunda-feira (1), as novas tabelas de valores de tarifas a serem aplicadas pela Sabesp em 2026 nas cidades atendidas pela companhia que integram a URAE-1.

O documento considera o período de julho de 2024 (entrada em vigor do novo contrato) a outubro de 2025, e prevê apenas correção da variação do IPCA acumulado nos 16 meses, de 6,11%. Não houve aumento real para o consumidor.

Esta é a primeira vez que a agência delibera sobre as tarifas desde a desestatização da companhia. De acordo com o diretor-presidente da Arsesp, Daniel Antonio Narzetti, a aplicação do novo modelo regulatório segue “rigorosamente o previsto no novo contrato de concessão, reforçando a importância de uma regulação forte e independente, e o compromisso com a transparência, equilíbrio do contrato e a defesa dos interesses da população”.

Desde julho de 2024, a Sabesp já investiu, conforme balanços da companhia, cerca de R$15 bilhões na ampliação e melhoria da infraestrutura de saneamento das regiões que atende, R$10,4 bi de janeiro a setembro de 2025, aumento de 151% em relação ao aplicado no mesmo período do ano passado. Mesmo com a alta significativa nos investimentos, a tarifa de referência calculada pela Arsesp para esta primeira revisão ficou 15% abaixo da estimada para a Sabesp estatal.

Para a secretária estadual de Meio Ambiente, Infraestrutura e Logística, Natália Resende, os números reforçam o sucesso do modelo de desestatização adotado pelo Governo de São Paulo, que tem a modicidade tarifária como pilar estruturante. “O contrato foi pensado com mecanismos de garantia da modicidade tarifária, que permitem que a população tenha bem mais investimentos, e os benefícios de melhorias representativas na infraestrutura, sem que isso pese na conta”, enfatiza.

Ela lembra que a tarifa residencial da Sabesp foi apontada pela Global Water Intelligence (GWI) como a única do Brasil a registrar queda em 2024. Enquanto a média nacional foi de aumento de 6,8% e a maioria das cidades monitoradas apresentou altas entre 4% e 10%, a Sabesp desestatizada reduziu as tarifas em 0,6% por metro cúbico. Além disso, as tarifas praticadas em São Paulo são mais baixas do que em muitas outras capitais avaliadas, como Rio de Janeiro e Brasília.

Tarifa de equilíbrio

A Arsesp também deliberou sobre a tarifa de equilíbrio, que foi criada para cobrir os investimentos feitos pela concessionária e que têm reajuste anual nos dois primeiros ciclos tarifários (2024 a 2029, e 2030 a 2034). Em regra, a tarifa considera os investimentos realizados pela concessionária feitos no período de 12 meses (período de referência), após auditados e certificados pelo regulador.

De acordo com a nota técnica publicada pela Agência, após todos os ajustes compensatórios relacionados à antecipação do encerramento do ciclo tarifário anterior, as reformas e cancelamentos de valores indevidos, entre outros, o índice de reposicionamento teve impacto praticamente nulo (0,026%) sobre o Fundo de Apoio à Universalização do Saneamento (Fausp).

O Fausp foi criado a partir da privatização da Sabesp, em 2024, e recebeu 30% do valor obtido na desestatização, além de seguir recebendo os dividendos pagos pela empresa ao Governo do Estado, que tem 18,3% das ações. Um dos principais objetivos do Fundo é garantir a modicidade da tarifa para os municípios atendidos pela Sabesp. Com o novo modelo regulatório, a tarifa calculada pela Arsesp ficará sempre abaixo do valor que seria praticado pela Sabesp caso fosse estatal, com o uso dos recursos do Fausp para viabilizar essa redução.

Backward looking

Uma inovação aplicada a partir desta primeira revisão é o modelo backward looking, que considera na tarifa apenas os investimentos já realizados, garantindo que a concessionária seja remunerada apenas pelo que de fato investiu em melhorias estruturais. “O novo modelo proporciona um incentivo claro para a realização dos investimentos necessários para cumprimento das metas, visto que a remuneração só ocorre após o reconhecimento do investimento realizado, e há sanções bem definidas no caso de descumprimento das metas”, ressalta Natália Resende.

A desestatização da Sabesp e o novo contrato de concessão garantiram investimentos que giram em torno de R$ 70 bilhões para viabilizar, até 2029, – quatro anos antes do que determina o Novo Marco Legal do Saneamento – a universalização do saneamento, incluindo áreas rurais e informais passíveis de regularização. Mais da metade do montante previsto já foi contratualizado. Até outubro, 616 mil novos domicílios passaram a receber água potável e 733,8 mil foram conectados à rede de esgoto. Além disso, 948,9 mil unidades foram contempladas com tratamento de esgoto. A antecipação da universalização evitará o descarte inadequado de 3,8 bilhões de litros de esgoto, o equivalente a 1,5 milhão de piscinas olímpicas.

Fonte: Semil


Últimas Notícias:
Estudo aponta impacto do saneamento em SP na renda e saúde

Estudo aponta impacto do saneamento em SP na renda e saúde

O acesso ao saneamento básico adequado pode impactar diretamente a renda, a saúde e a qualidade de vida da população. Segundo estudo do Instituto Trata Brasil. Moradores de regiões com acesso à água tratada e coleta de esgoto podem alcançar renda até duas vezes maior do que aqueles que vivem em áreas sem infraestrutura sanitária.

Leia mais »
Chamada pública da Gasmig amplia perspectivas para produção de biometano em Minas Gerais

Chamada pública da Gasmig amplia perspectivas para produção de biometano em Minas Gerais

02 de junho de 2026 – A Companhia de Gás de Minas Gerais (Gasmig) lançou uma chamada pública para identificar projetos interessados no fornecimento de biometano ao estado, movimento que pode impulsionar novos investimentos e ampliar a participação de Minas Gerais em um dos segmentos mais promissores da transição energética brasileira e no aproveitamento econômico de resíduos para produção de combustível renovável.

Leia mais »

O saneamento e a hipocrisia ambiental

Enquanto redijo este texto, Minas Gerais conduz a etapa decisiva da desestatização da Copasa, operação que pode movimentar de R$ 8 a R$ 10 bilhões. O modelo segue o trilho aberto pelo Rio Grande do Sul com a Corsan e por São Paulo com a Sabesp: oferta a um investidor de referência, modernização de contratos com municípios titulares e ancoragem nas metas do Novo Marco do Saneamento.

Leia mais »