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Sabesp aposta na Represa Billings como 'nova Cantareira' para SP

Sabesp aposta na Represa Billings como ‘nova Cantareira’ para SP

Região na zona sul da capital tem índices mais altos de chuva; governo do Estado diz que eventual priorização de um manancial não implica ‘descontinuidade de outro’

Após enfrentar duas crises hídricas em uma década, o Sistema Cantareira pode deixar de ser a principal fonte de água para a região metropolitana de São Paulo no futuro. A Sabesp planeja aumentar a captação de água na Represa Billings, manancial pouco usado para abastecimento público, embora seja o maior da região.

Uma das razões, segundo a companhia, é que chove mais na área da Billings do que na do Cantareira. O volume total da Billings é de 1,21 bilhão (hectômetros cúbicos), ante 981,5 milhões do Cantareira, segundo dados da Sabesp e da Agência Nacional de Águas (ANA).

As chuvas têm caído abaixo da média histórica em parte dos reservatórios que abastecem São Paulo. Para economizar água, a Sabesp reduziu a pressão nos encanamentos durante 12 horas, no período da noite. Com isso, moradores de vários bairros da capital e da região metropolitana reclamam de problemas de abastecimento, como dificuldades para tomar banho e lavar louça.

O governo do Estado afirma que “o Sistema Cantareira segue desempenhando papel relevante” e diz que “eventual priorização de um manancial não implica descontinuidade de outro”. Na manhã de anteontem, o Cantareira estava com 23,4% do volume útil; a Billings tinha 50,7%.

A retirada de água para abastecimento da região metropolitana é bem menor no Cantareira (27 m³ por segundo) do que na Billings (cerca de 7 m³/s).

Para Samanta Souza, diretora de Relações Institucionais e Sustentabilidade da Sabesp, a diferença no nível dos mananciais se deve, em parte, à geografia: a Billings tem mais incidência de chuva, por estar na Serra do Mar. As represas do Cantareira estão no Alto Tietê.

Por isso chove mais na Billings do que no Cantareira, diz ela. E, com a crise climática, as chuvas tendem a ser mais irregulares. Enquanto o Cantareira é formado pela conexão de cinco reservatórios – Jaguari, Jacareí, Cachoeira, Atibainha e Paiva Castro – conectados por túneis subterrâneos, a Billings está em um plano só, embora tenha uma extensão de mais de 100 km.

Outra vantagem da Billings em relação ao Cantareira, segundo a gestora, é a maior proximidade da capital – o braço mais próximo está nos limites de São Paulo. “A Sabesp não pretende mais ir longe para captar água para a região metropolitana. A Billings fica muito próxima geograficamente e, em termos de desnível, não precisamos gastar muito com energia para bombeamentos”, diz.

ÁGUA PARA O ALTO TIETÊ

O primeiro passo para aproveitar mais a represa da zona sul foi dado. Na semana passada, a Sabesp iniciou a interligação Billings–Alto Tietê, que permitirá captar até 4 mil litros por segundo de água bruta no braço Rio Pequeno, da Represa Billings, em São Bernardo do Campo. A água será bombeada até a Represa Taiaçupeba, em Suzano, que integra o Sistema Alto Tietê. O investimento é de R$ 1,4 bilhão.

Comitês ambientais e movimentos sociais, porém, questionam a intervenção e veem risco à flora e à fauna.

“Pouca gente sabe, mas a Billings sozinha reserva mais água do que todas as represas do Cantareira juntas”, diz Samanta. Ela ressalta que usar mais a Billings não significa abrir mão do Cantareira nem de outros mananciais do Sistema Integrado Metropolitano (SIM). “Sempre que entra água nova é para abastecer todo o sistema.”

Até a crise hídrica de 2014, a integração do sistema era restrita a 3,5 m³ por segundo. Hoje, podem ser transferidos entre os sistemas até 13,5 m³/s.

Outra vantagem da Billings em relação ao Cantareira, segundo a gestora, é a maior proximidade da capital – o braço mais próximo está nos limites de São Paulo.

“A Sabesp não pretende mais ir longe para captar água para a região metropolitana. A Billings fica numa posição geográfica perfeita e, numa altitude favorável, pois não precisamos gastar muito com energia para bombeamentos”, diz. “Isso tem impacto na tarifa. É água mais barata.”

De olho no aproveitamento da Billings, a Sabesp investe no tratamento de esgoto, capaz de fazer avançar a despoluição dos Rios Tietê e Pinheiros. O plano é fazer a reversão das águas dos dois rios para a represa, o que será possível após a compra da Empresa Metropolitana de Águas e Energia (Emae), e garantir água extra para o sistema integrado.

Fonte: Estadão


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