saneamento basico

Concreto de pós reativos com resíduos de tijolos cerâmicos

Resumo

A utilização de resíduos na produção de concreto está se difundindo, visto que, além de minimizar a utilização de recursos naturais, ainda diminui o custo final do compósito. Esses resíduos podem advir de diversos setores da indústria, incluindo o próprio setor da construção da civil, com os resíduos da construção e demolição (RCD). A segregação dos resíduos da construção civil em diferentes classes iniciou-se após a Resolução nº 307 da CONAMA onde o gerador seria responsável pela destinação final desses resíduos, desse modo, facilitou-se a reciclagem desses materiais, como os resíduos de blocos cerâmicos. No presente artigo foram utilizados resíduos de blocos cerâmicos para a produção de concreto de pós reativos, esses resíduos foram moídos e peneirados, sendo utilizado o que passou na peneira de nº 200. O uso do agregado miúdo de resíduos foi realizado substituindo porcentagens crescentes (10%, 20% e 30%) do agregado fino natural no traço do concreto. O objetivo do estudo foi avaliar a diferença da resistência à compressão do concreto de pós reativos com agregados miúdos naturais e com agregados miúdos residuais, para a análise foram moldados três corpos de provas cilíndricos para o traço de comparação e três corpos de prova cilíndricos para cada traço com agregados residuais nas diferentes proporções de 10%, 20% e 30%, esses corpos de prova sofreram cura úmida e após sete dias foram rompidos na prensa hidráulica. Os resultados da pesquisa demostram que a substituição de agregados miúdos naturais por agregados miúdos residuais é satisfatória, pois diminuem menos que 20% da resistência a compressão do concreto.

Introdução

Em paralelo ao aumento de obras da construção civil cresceu o volume de recursos extraídos da natureza, consequentemente, elevou-se também o volume de resíduos gerados nos canteiros de obras. Os resíduos de construção civil (RCC) podem representar 61 % dos resíduos sólidos urbanos em massa. A partir da Resolução Conama nº 307/2002, o gerador tornou-se responsável pela segregação, coleta e destino final ambientalmente adequado dos RCC. A resolução também determina a proibição do envio a aterros sanitários, entretanto, na atualidade, grande parte desses resíduos vão para os aterros sanitários ou são descartados de maneira irregular (BRASIL, 2012). Conforme dados recentes (ABRELPE, 2015), o total de resíduos de construção e demolição, coletados pelos municípios em 2015 foi de mais de 45 milhões de toneladas, o equivalente a 0,605 kg/habitante/dia.

Conforme dados levantados no Diagnóstico dos Resíduos Sólidos da Construção Civil (BRASIL, 2012), a composição média dos materiais de RCC de obras no Brasil é de 63 % de argamassa, 29 % de concreto e blocos, 1 % de orgânicos e 7 % de outros materiais diversos. Portanto, os blocos ou tijolos cerâmicos constituem uma importante fração desses resíduos, sendo possível então a sua utilização em larga escala na fabricação de agregados para a produção de concretos com resíduos.

O Concreto de Pós Reativos (CPR) é um material de construção relativamente novo e seu desenvolvimento
vem sendo aos poucos difundido na indústria da construção civil, porém, um grande agente que dificulta a sua
produção é o seu alto custo, só se tornando viável em grandes obras de altíssimas exigências. Para garantir a
sua viabilidade, vem sendo realizados vários estudos substituindo alguns de seus componentes por materiais
mais facilmente encontrados na natureza ou materiais residuais da própria indústria da construção civil, este
último sendo o foco deste trabalho.

A dosagem do concreto de pós reativos visa produzir um material com o mínimo de defeitos, utilizando
partículas sólidas de pequenos diâmetros, variando entre 2 mm e 0,5 μm, proporcionando mistura de elevada
densidade e com baixo índice de vazios (VANDERLEI e GIONGO, 2006). Os resíduos de blocos cerâmicos
podem ser facilmente triturados, com baixo consumo de energia, para se adequar à distribuição granulométrica
dos grãos que compõem o CPR.

Assim, aliando a disponibilidade de materiais recicláveis à necessidade da diminuição dos custos da produção
de CPR e a urgente necessidade de redução da utilização dos recursos naturais, neste trabalho se propõe a
produção de concreto de pós reativos com a adição de resíduos cerâmicos.

Autores: Nágela Rodrigues Lopes; Paulo Bruno Andrade da Silva; Jorge Lucas Amaro Nunes; Perboyre Barbosa Alcântara e José Ramalho Torres.

baixe-aqui

Últimas Notícias:
Investimentos em saneamento na Baixada Santista crescem cinco vezes e alcançam R$ 980 por pessoa ao ano (1)

Investimentos em saneamento na Baixada Santista crescem cinco vezes e alcançam R$ 980 por pessoa ao ano

Os investimentos em saneamento básico na Baixada Santista serão cinco vezes maior após a desestatização da Sabesp promovida pelo Governo de São Paulo. Serão R$ 8,1 bilhões em investimentos de 2026 até 2029 (média de R$ 2 bilhões por ano) para resolver desafios estruturais no abastecimento de água e esgoto. Além disso, R$ 2,43 bilhões já foram aplicados entre 2024 e 2025. Antes da desestatização, a média anual de investimentos foi de R$ 400 milhões por ano entre 2017 e 2024.

Leia mais »
Reciclagem de liners de figurinhas da Copa movimenta indústria

Reciclagem de liners de figurinhas da Copa movimenta indústria

A Polpel, única empresa no Brasil especializada na reciclagem de liners — o papel revestido de silicone que sobra após colar figurinhas. Projeta processar duas toneladas do material durante a Copa do Mundo de 2026, volume quase dez vezes superior às 230 quilos registrados na edição de 2022. O salto reflete a adesão de grandes companhias, como a Natura (NATU3), e uma campanha viral nas redes sociais que mobilizou pessoas físicas a enviarem os resíduos diretamente para a recicladora, localizada em Guarulhos (SP).

Leia mais »