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Resíduos e microplásticos: o desafio invisível da crise climática

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A gestão de resíduos sólidos permanece um dos pontos mais frágeis da política climática brasileira. Em 2020, o setor respondeu por 4,2% das emissões de gases de efeito estufa, sobretudo metano – 28 vezes mais potente que o CO2.

O problema é agravado pela persistência de lixões e pela pífia taxa de reciclagem, que em São Paulo não atinge 3% do total de resíduos urbanos.

Trata-se de um campo fértil de mitigação desperdiçado. Tecnologias já conhecidas, como a captura de metano em aterros, a biodigestão de orgânicos para geração de biogás, além de compostagem e reciclagem, poderiam reduzir emissões e gerar empregos verdes. Mas a realidade mostra um abismo entre discurso e prática.

A crise, no entanto, vai além dos gases de efeito estufa: os microplásticos tornaram-se a nova ameaça silenciosa. Fragmentos de embalagens descartáveis e fibras sintéticas já contaminam rios, represas, solos e até a água potável.

O Brasil figura entre os maiores emissores globais de plásticos mal geridos, reflexo direto de falhas na coleta, reciclagem e drenagem urbana. Os impactos são devastadores: comprometem a biodiversidade aquática, transportam contaminantes químicos e podem afetar a saúde humana.

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Medidas efetivas existem: banimento de descartáveis de uso único, estímulo à inovação em materiais biodegradáveis, fortalecimento das cooperativas de catadores e investimento em sistemas de triagem que impeçam a chegada de microplásticos aos corpos d’água.

O arcabouço legal também está posto, como a Política Nacional de Resíduos Sólidos e a Lei 14.904/2024, que orienta planos locais de adaptação climática. O desafio é tirar as normas do papel e definir metas claras, com monitoramento efetivo.

Resíduos não são questão de limpeza urbana, mas eixo central da emergência climática e da saúde pública. Ignorar a crise dos plásticos – sobretudo dos microplásticos – é condenar cidades e cidadãos a um futuro sem segurança ambiental nem climática.

Fonte: Gazeta.

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