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Universalização do saneamento avança, mas esgoto atrasa

Universalização do saneamento avança, mas esgoto atrasa

O saneamento básico no Brasil registra avanços graduais, mas ainda enfrenta obstáculos estruturais para cumprir as metas de universalização previstas no marco legal até 2033.

Dados mais recentes do Sistema Nacional de Informações em Saneamento Básico (Sinisa), com base em 2024, mostram que o abastecimento de água se aproxima da universalização, enquanto o esgotamento sanitário segue como principal gargalo.

O abastecimento de água já atende 206,8 milhões de habitantes, o equivalente a 97,3% da população brasileira, com cobertura urbana de 98,1% e presença em 5.144 municípios, ou 92,4% do total nacional.

O resultado reflete décadas de expansão da infraestrutura e consolidação de operadores regionais e estaduais.

Apesar do elevado nível de cobertura, persistem desafios em áreas rurais e regiões menos densas, onde soluções alternativas ainda desempenham papel relevante para garantir o acesso.

O avanço nessas áreas dependerá de modelos operacionais mais flexíveis e maior coordenação regional.

O esgotamento sanitário apresenta maior defasagem. O serviço alcança 173,6 milhões de habitantes, ou 81,7% da população, e está presente em apenas 2.749 municípios, menos da metade do total nacional.

A expansão das redes coletoras e das estações de tratamento permanece como principal frente de investimento do setor.

Universalização do saneamento nas regiões do Brasil

As diferenças regionais continuam marcantes. Enquanto o Sudeste apresenta níveis próximos da universalização, com atendimento a cerca de 97% da população, o índice cai para aproximadamente 52% no Norte e 67% no Nordeste, evidenciando a desigualdade histórica no acesso à infraestrutura de esgotamento sanitário e a necessidade de investimentos mais concentrados nessas regiões

O país conta atualmente com ampla diversidade de modelos operacionais. O abastecimento de água é prestado por mais de 1.300 operadores, incluindo administrações municipais, autarquias, companhias estaduais e operadores privados, refletindo o processo de regionalização e a crescente participação da iniciativa privada, especialmente após o novo marco legal.

Ao mesmo tempo, o marco regulatório passou a estabelecer metas mais rigorosas de eficiência, como a redução progressiva das perdas de água para 30% até 2032 e 25% a partir de 2033, condição que influencia diretamente o acesso a financiamentos federais e pressiona operadores a modernizar suas redes e processos.

Fonte: Química


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