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Esgotos ligados à rede de drenagem poluem praias de Fortaleza/CE

Com as chuvas, os dejetos das ligações clandestinas na rede de drenagem desaguam no mar. Cinco de 11 trechos da orla da Capital estão impróprios para banho.

O tempo nublado não impediu que fortalezenses e turistas aproveitassem o mar de Fortaleza na manhã de ontem, 9. Na faixa entre as ruas José Vilar e Rui Barbosa, estavam a vendedora Kadna Oliveira e a estudante de direito Sandy Ferreira. Entre mergulhos, risadas e goles de refrigerante, as duas não sabiam que a água do mar, naquele local, estava imprópria para o banho.

De acordo com o mais recente boletim de balneabilidade divulgado pela Superintendência Estadual do Meio Ambiente (Semace), cinco dos 11 trechos analisados não atenderam aos critérios estabelecidos para águas próprias. Embora os valores de coliformes termotolerantes estejam dentro dos padrões de balneabilidade (1000 por 100 mL da amostra), “os pontos de amostragem foram considerados impróprios em função da presença de entradas pontuais de esgoto sanitário sem tratamento a partir de galerias pluviais, bem como a presença de resíduos sólidos e animais em seu entorno”.

Alertada pelo O POVO sobre a balneabilidade do lugar, Sandy, acostumada a frequentar outras praias da Capital, lamentou. “É a primeira vez que venho nessa parte, e o pior é que a gente já tomou banho”. Kadna, que costuma ir a praias ao oeste, como a da Barra do Ceará, disse que, pelo menos visualmente, o local onde estavam parecia ser mais limpo, haja vista a ausência de lixo na faixa de areia.

Rede de drenagem

Segundo Edilene Oliveira, coordenadora de ações pedagógicas da Secretaria Municipal de Urbanização e Meio Ambiente (Seuma), a presença de resíduos de esgoto sanitário encontrada nas análises realizadas pela Semace é resultado de ligações clandestinas. Ela explica que há uma rede de drenagem subterrânea responsável por armazenar a água da chuva que escorre pelas bocas de lobo.

Irregularmente, alguns esgotos domésticos, que deveriam estar conectados à rede da Companhia de Água e Esgoto do Ceará (Cagece), acabam sendo desviados para a rede de drenagem que foi construída para desaguar no mar, sem causar prejuízos ao meio ambiente, já que, na teoria, deveria conter apenas água da chuva.

“Por causa das ligações clandestinas, o esgoto fica depositado na rede de drenagem, descansando durante o período seco. Quando a água da chuva vem, ela leva esse material pela rede de drenagem, que desemboca no mar”, descreve.

As ações de combate à poluição hídrica são realizadas pela Agência de Fiscalização de Fortaleza (Agefis), cujos fiscais, em parceria com técnicos da Cagece, fazem a verificação dos imóveis que não estão interligados à rede pública de esgoto e que lançam efluentes de forma irregular nas galerias pluviais.

Águas da cidade

A fim de contornar o problema, a Seuma realiza ações educativas por meio do projeto Águas da Cidade, lançado em 2013. O órgão aguarda operação de crédito externo com o Banco Internacional para Reconstrução e Desenvolvimento (BIRD – Banco Mundial), no valor de US$ 73,3 milhões, para financiamento de parte do Programa Fortaleza Cidade Sustentável (FCS), que atenderá, entre outras demandas, a instalação do Parque Rachel de Queiroz.

A contratação já foi aprovada no plenário do Senado Federal e vai servir para a instalação de maquinário capaz de diminuir a poluição marítima decorrente do esgoto sanitário. “Nós vamos instalar bombas em determinados pontos onde o esgoto iria para o mar. Esses dejetos serão bombeados para o sistema da Cagece, o destino correto. Quando a chuva vier, ele não vai chegar no mar. É uma solução simples que não é novidade, mas que o aporte do Banco Mundial vai proporcionar”, projeta Edilene.

Ela detalha ainda que serão colocados robôs na tubulação subterrânea que vão fotografar ligações clandestinas. “Atualmente, temos pontos próprios para banho em 20% do ano. Nosso objetivo é chegar a 80% dos dias do ano com balneabilidade. Esse processo deve durar cerca de seis anos”, estima.

Fonte: O povo

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