saneamento basico

Sul de Minas terá 1ª usina do país com geração de energia elétrica a partir do lixo

Segundo Furnas Centrais Elétricas, projeto é pioneiro no Brasil e irá utilizar resíduos sólidos como combustível para energia; planta será construída em Boa Esperança

O município de Boa Esperança (MG) deverá ganhar em breve a primeira usina do país que irá gerar energia elétrica a partir do lixo. O projeto, comandado por Furnas Centrais Elétricas, já teve sua 1ª fase concluída após testes realizados em uma planta experimental em Mauá, no interior de São Paulo. O próximo passo agora é a construção da usina no Sul de Minas, que terá capacidade de 1 MW e será interligada com a rede da Companhia Energética de Minas Gerais (Cemig).

A tecnologia

Segundo Furnas, a energia será gerada por meio de um processo que vai utilizar a gaseificação a leito fluidizado, uma tecnologia 100% nacional.

“Esse é um projeto que usa a tecnologia de gaseificação, que é bastante diferente da incineração. A taxa de poluentes é muito baixa, é uma tecnologia que a gente entende que consegue dar destino para todos os resíduos sólidos de uma maneira geral e através do gás produzido, gerar a energia elétrica. O lixo é um combustível para o nosso processo a partir de agora. Esse processo já foi validado em uma primeira fase em uma planta reduzida de um parceiro e agora vamos partir para uma fase de tentar uma escala maior, com volumeres maiores, se aproximando de um modelo real, com toda a dinâmica de coleta e catação de resíduos”, diz Nélson Araújo dos Santos, gerente de pesquisa e desenvolvimento de Furnas.

Com a instalação da usina, todo o lixo depositado no aterro sanitário da cidade e os novos resíduos que forem recolhidos no município servirão de combustível para a geração de energia elétrica.

Passivo ambiental

“Vamos usar todo o material depositado no aterro mais o que será descartado diariamente. Então você pega todo o passivo ambiental que já existe lá, mais o material novo, faz o mix e transforma isso em combustível derivado de resíduo e aí sim, ele vai para o equipamento. A ideia é dar uma destinação para o lixo novo e reduzir o passivo ambiental dos aterros que já existem”, explica Luiz Eduardo Marques Moreira, Superintentende de Desenvolvimento de Novos Negócios de Furnas.

A planta da usina ocupará uma área de 7,8 mil metros quadrados, que está sendo cedida pela Prefeitura de Boa Esperança. O custo total do projeto é de R$ 32 milhões e a previsão é que ela seja entregue ainda neste ano e comece a operar em até 18 meses. Quando ativa, a usina poderia gerar o correspondente a 25% de toda energia elétrica utilizada no município.

Mão de obra

Embora a quantidade de funcionários necessários para a operação da usina seja pequena, em torno de oito pessoas, uma das ideias é que catadores, que hoje trabalham no aterro sanitário fazendo a coleta do lixo, possam fazer o mesmo trabalho dentro da usina que será construída.

“Será feito um trabalho de treinamento junto com a prefeitura para a mão de obra que vai operar a usina. A ideia é utilizar pessoas da comunidade ou antigos catadores, pegar pessoas que venham sendo afetadas por esse processo e trazê-las para uma situação melhor. Mesmo com a usina, o processo dos catadores é importante, para a pré-seleção. Mas ao invés de trabalhar no lixão, elas agora vão trabalhar nas usinas fazendo um processo de reciclagem prévio”, diz o superintendente de Furnas.

Destino da energia produzida

A princípio, toda a energia gerada pela nova usina será utilizada pelo município para abastecimento de prédios públicos. Mas, o restante, conforme Furnas, poderá ser comercializado, já que a usina estará interligada à rede da Cemig. Boa Esperança foi escolhida para abrigar a primeira unidade após estudo técnico feito por uma universidade do Rio de Janeiro e também devido à proximidade com a hidrelétrica e o reservatório de Furnas. Mas a intenção é que o projeto se expanda e outras usinas do tipo possam ser construídas em outras cidades.

“Com essa tecnologia, essa será a primeira do país. A gente espera que essa usina venha atender todas as nossas expectativas e se concretizando isso, que ela vire um modelo de negócio para o futuro”, conclui Moreira.

Fonte: G1
Foto: Divulgação / Furnas Centrais Elétricas

Últimas Notícias:
Após crise, Aegea convoca capitalização de até R$ 2,1 bi

Após crise, Aegea convoca capitalização de até R$ 2,1 bi

A Aegea planeja fazer um aumento de capital entre R$ 1,5 bilhão e R$ 2,1 bilhões, como forma de reduzir sua alavancagem financeira, que está próxima dos limites de endividamento da companhia. Além disso, a convocação dos sócios para a capitalização, divulgada na terça-feira (7), ocorreu em meio à crise da empresa junto ao mercado financeiro.

Leia mais »
Comissão de Assuntos Econômicos, do Senado Federal, aprova PL que institui o Programa Nacional do Metano Zero

Comissão de Assuntos Econômicos, do Senado Federal, aprova PL que institui o Programa Nacional do Metano Zero

Brasília, 07 de julho de 2026 – A Comissão de Assuntos Econômicos (CAE), do Senado Federal, aprovou nesta terçafeira (07/07) o Projeto de Lei (PL) nº 3.311/2025, de autoria do senador Fernando Dueire (MDB/PE), que institui o Programa Nacional do Metano Zero (MetanoZero). Como próximo passo, o texto será analisado pela Comissão de Meio Ambiente (CMA), também do Senado, em data a ser definida.

Leia mais »
Luta contra desperdício de água inclui ‘robô de Marte’ e cães farejadores

Luta contra desperdício de água inclui ‘robô de Marte’ e cães farejadores

A cada três litros de água tratada que saem de uma estação de saneamento no Brasil, um desaparece antes de chegar à torneira de alguém. Além disso, o indice médio de perdas em 2024 (39,5% segundo estudo do Instituto Trata Brasil e da consultoria Ex Ante). É o dobro do considerado aceitável e bem acima da média de 15% dos países desenvolvidos e poderia ser suficiente para resolver boa parte do déficit que ainda deixa 33 milhões de brasileiros sem acesso à água potável.

Leia mais »
Chega de tanta água jogada fora

Chega de tanta água jogada fora

Você já imaginou uma indústria perder 40% do que produz? Ficar apenas com os 60% restantes? Se uma padaria jogasse fora quatro em cada dez pães que assa, antes mesmo de abrir, todo mundo acharia um absurdo. No saneamento brasileiro, é exatamente o que acontece com a água tratada. O país perdeu quase 40% da água produzida em 2024 antes de chegar à torneira da população.

Leia mais »