Passivo ambiental da indústria é estimado em R$ 16,6 bilhões

O estoque de passivos ambientais a partir de resíduos industriais no Brasil é da ordem de 58 milhões de toneladas. O estudo, encomendado pela Associação Brasileira de Empresas de Tratamento de Resíduos e Efluentes (Abetre) à consultoria Tendências, revela que seriam necessários investimentos de R$ 16,6 bilhões nos próximos 10 anos para a remediação e recuperação de áreas impactadas.

Para chegar no volume de passivos ambientais da indústria brasileira, a Consultoria Tendências contabilizou os passivos gerados nos 20 anos anteriores a 2012. Durante este horizonte de tempo, assumiu-se que a taxa de crescimento média da indústria foi da ordem de 3% ao ano, e que 50% dos resíduos foram descartados de forma irregular, com algum grau de risco. Sob estas premissas, obteve-se o estoque atual de passivos ambientais decorrentes da geração de resíduos industriais.

De acordo com a pesquisa, a recuperação dos passivos ambientais representa um mercado potencial de tratamento de R$ 1,67 bilhão por ano ao longo dos próximos 10 anos. A partir dessa estimativa, acredita-se que o setor de tratamento de resíduos industriais no Brasil deve crescer 26% nos próximos cinco anos para solucionar a questão.

Segundo o presidente da Abetre, Carlos Fernandes, o País precisa, entretanto, de mecanismos de controle mais eficientes para evitar o aumento do passivo ambiental. “Embora a Política Nacional de Resíduos Sólidos (PNRS) tenha sido um avanço na área de regulação, as autoridades ainda carecem de sistemas de controle e fiscalização junto ao setor produtivo brasileiro”, comenta.

“O sistema declaratório, obrigação da PNRS e implantado em meio digital em Santa Catarina com a colaboração da Abetre, é uma importante ferramenta para a rastreabilidade de resíduos, trazendo segurança para todos os geradores”, acrescenta.

Fernandes lembra ainda que o Brasil possui tecnologia de ponta e empresas altamente capacitadas para o tratamento de resíduos e recuperação de áreas contaminadas. “O setor privado de tratamento de resíduos no País é hoje a solução ambiental mais viável e segura economicamente para as empresas geradoras e para os gestores públicos”, conclui.

Fonte: Diário do Comércio

Últimas Notícias:

Demanda chinesa por sucata pressiona transição energética

Produto intensivo no uso de energia, o alumínio tem na reciclagem um dos principais caminhos para a descarbonização dessa indústria. A economia energética na fabricação chega a 95% com o reaproveitamento do material. A produção de um alumínio mais limpo, no entanto, tem esbarrado em dificuldade de acesso ao seu principal insumo, a sucata, devido, sobretudo, ao interesse chinês pela matéria-prima.

Leia mais »
Saneamento básico reduz doenças e melhora a qualidade de vida

Saneamento básico reduz doenças e melhora a qualidade de vida

O Dia Nacional da Saúde, celebrado em 5 de agosto, reforça a importância de ações capazes de promover qualidade de vida e bem-estar para a população. Entre elas, o saneamento ocupa papel fundamental. A ampliação dos serviços de coleta e tratamento de esgoto contribui diretamente para a prevenção de doenças. Além disso, melhora as condições de saúde pública.

Leia mais »

O mito da vez é a ideia de que a criação de uma Sociedade de Propósito Específico (SPE) seria, por si só, um método para “burlar uma licitação”.

Na verdade, ocorre exatamente o contrário: o próprio ordenamento jurídico prevê a constituição da SPE. A Lei de PPPs, por exemplo, determina que o parceiro privado constitua uma SPE para implantar e gerir o empreendimento. Ou seja, a suposta “fraude à licitação” é um requisito legal da operação. Na Lei de Concessões, a figura é facultativa e sujeita a uma escolha racional de projeto a projeto.

Leia mais »