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Projetos de geração de energia eólica estão atrasados no Rio Grande do Sul

Enquanto o país teme um novo racionamento devido ao baixo nível dos reservatórios de hidrelétricas, o Rio Grande do Sul tem parques eólicos atrasados, que já deveriam estar gerando 566,8 megawatts (MW). Se estivessem prontos e operando a pleno, teriam potencial para abastecer até 3,5 milhões de pessoas.

O cronograma original dos projetos indica que, deste total, 104,8 MW deveriam ter entrado no sistema ainda em janeiro do ano passado. Os demais parques, que têm a Eletrosul como principal proprietária, tinham como prazo inicial dia 1º de março. Dos 480 MW que deveriam dar a largada neste mês, porém, apenas 18 MW estão disponíveis.

A lista de motivos para os atrasos inclui demora no licenciamento ambiental, problemas com fornecedores e, principalmente, falhas no planejamento. Apesar de terem sido aprovados em leilão em 2011, apenas no ano seguinte foram licitadas as linhas de transmissão para fazer a conexão de parques de 402 MW em Santa Vitória do Palmar e Chuí.

A previsão da Eletrosul é que a linha fique pronta em outubro, mas o atraso no licenciamento ambiental impediu o início das obras de alguns parques. Com isso, devem gerar apenas em 2015. Diretor de engenharia e operações da Eletrosul, Ronaldo Custódio, prefere usar um eufemismo para atraso:

Houve um concatenamento do cronograma. Atrasamos um pouco os parques e aceleramos as obras de transmissão“, diz o diretor.

Custódio admite que a intenção foi evitar que os parques ficassem prontos à espera das linhas, como vem ocorrendo no Nordeste. Paulo Menzel, coordenador do fórum de infraestrutura da Agenda 2020, avalia que a situação reflete a falta de diálogo entre os diversos órgãos do setor:

A raiz é a falta de planejamento.

Projetos até 2018 somam R$ 6 bilhões
Presidente do Sindicato das Empresas Eólicas do Estado, Ricardo Rosito lembra que, se parques e linhas estivessem prontos, ajudariam a equilibrar o sistema elétrico. O Sudeste não precisaria enviar tanta energia para o Estado, que correria menos riscos.

Precisamos nos tornar um Estado gerador, o que só conseguiremos com ação rápida, unificada e objetiva de todos“, avalia Rosito.

Especialistas ressalvam que, mesmo prontos, os parques eólicos não afastariam o risco de apagão. O Estado tem capacidade instalada de 558 MW, mas o boletim diário do Operador Nacional do Sistema Elétrico (ONS) da última quinta-feira aponta que, em todo o Sul, a geração dos ventos era de apenas 154 MW.

No verão e no outono, venta menos. Mas seria uma ajuda significativa“, avalia Custódio, lembrando ainda que a energia eólica é mais barata do que a das térmicas, acionadas devido ao risco de desabastecimento.

Levantamento do governo gaúcho mostra que, até 2018, a potência eólica instalada no Estado será de 2 mil MW. Serão cerca de R$ 6 bilhões investidos em 70 novos parques.

Fonte: Zero Hora
Veja mais: http://zerohora.clicrbs.com.br/rs/economia/noticia/2014/03/projetos-de-geracao-de-energia-eolica-estao-atrasados-no-rio-grande-do-sul-4449169.html

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