Agência mantém limite de captação de água do Cantareira para março em SP

A Agência Nacional de Águas (ANA) e pelo Departamento de Águas e Energia Elétrica de São Paulo (DAEE) manteve a vazão de retirada máxima de 23 m³/s do Sistema Cantareira para abastecimento da Região Metropolitana de São Paulo para março. O limite de captação é o mesmo autorizado pelos órgãos reguladores em fevereiro. Um metro cúbico (m³) de água corresponde a 1 mil litros.

Até esta quinta-feira (3), a média de retirada de água na Estação elevatória Santa Inês no mês de março é de 20,27 m³/s para o abastecimento de 5,7 milhões de pessoas na Grande São Paulo, segundo dados da Sabesp. Para a bacia dos rios Piracicaba, Capivari e Jundiaí (PCJ), os órgãos regulares liberaram a retirada máxima de 3,5 m³/s em março.

Um boletim da companhia apontou que a vazão transferida pela Estação Elevatória de Santa Inês em fevereiro ficou em 19,69, m³/s ou seja, uma “economia” de mais de 3,0 m³/s em relação à última deliberação dos órgãos federal e estadual. Mesmo assim, não houve restrição no fornecimento de água da população, de acordo com a Sabesp.

A ANA, no entanto, tem definido limites conservadores para que o sistema se recupere e tenha água suficiente armazenada para enfrentar o período de estiagem, a partir de abril.

O Sistema Cantareira tem capacidade para armazenar 1.269 bilhões de litros (com duas cotas do volume morto) e opera com 54,6% nesta quinta-feira.

Após meses de dependência da reserva técnica, o manancial saiu do volume morto no fim de 2015 e usa, desde então, o volume útil para abastecimento. Especialistas ouvidos pelo G1, no entanto, alertam que o Cantareira ainda não se recuperou da crise.

Pedidos anteriores
A vazão máxima do reservatório (23 m³/s) havia sido solicitada pela Sabesp em janeiro, mas os órgãos reguladores decidiram manter a captação em 19,5 m³/s. Na época, a ANA afirmou que, apesar do aumento do índice de chuva no Sistema Cantareira em dezembro e janeiro, o manancial ainda não tinha retornado ao nível normal e defendeu que a operação de reservatório no período de chuva deve priorizar a recuperação das represas.

Um documento enviado pela ANA ao DAEE destacava uma simulação do armazenamento do Cantareira até dezembro de 2016, mostrando que, para garantir 20% do volume útil até dezembro, a vazão máxima que pode ser retirada do sistema era de 19,5 m³/s em janeiro. Segundo a companhia, a água do Sistema Cantareira era essencial “para o encurtamento dos períodos de redução de pressão na rede de distribuição”.

Redução de pressão
Desde o fim de dezembro, a companhia diminuiu, em média, sete horas diárias o período de redução de pressão na rede na capital paulista e em cidades da Grande São Paulo. A empresa disse que a prática é usual desde a década de 1990 para reduzir perdas por vazamentos, mas com a crise hídrica no estado a ação de racionamento oficial foi intensificada.

O Cantareira chegou a atender 9 milhões de pessoas só na Região Metropolitana de São Paulo, mas hoje abastece 5,7 milhões por causa da crise hídrica que atingiu o estado em 2014.

Os sistemas Guarapiranga e o Alto Tietê absorveram parte dos clientes, para aliviar a sobrecarga do Cantareira durante o período de estiagem. Em janeiro deste ano, o Cantareira voltou a ser o principal sistema produtor de água da Grande São Paulo.

Fonte: G1
Foto: Eduardo Carmim/Brazil Photo/Estadão Conteúdo

Últimas Notícias:
Marco Legal do Saneamento transforma cidades paranaenses

Marco Legal do Saneamento transforma cidades paranaenses

Seis anos atrás, uma mudança na legislação brasileira redefiniu os rumos do saneamento básico no país. Em julho de 2020, a atualização do Marco Legal do Saneamento estabeleceu metas inéditas e desafiadoras: garantir que, até 2033, 99% da população tenha acesso à água potável e 90% à coleta e ao tratamento de esgoto.

Leia mais »