O presidente da associação, Yuri Schmitke. Participou do evento e destacou a importância da diferenciação da origem do biogás na contabilidade de descarbonização do mandato de adição de biometano ao gás natural.
Brasília, 29 de abril de 2026 – O presidente da Associação Brasileira de Energia de Resíduos (ABREN), Yuri Schmitke, defendeu nesta quarta-feira (29) a diferenciação da origem do biogás. Segundo ele, essa distinção deve ocorrer na contabilidade de descarbonização do mandato de adição de biometano ao gás natural.
O especialista participou da Gas Week, em Brasília (DF), e destacou que a eventual equiparação entre biometano de aterro e de biodigestão anaeróbia ignora o maior potencial de descarbonização da biodigestão.
“O biometano, embora reconhecido como vetor estratégico para a transição energética, apresenta potencial de mitigação diretamente dependente da origem da matéria-prima e da eficiência de captura de metano, sendo essencial distinguir entre biodigestão anaeróbia controlada e biogás de aterro sanitário”, explicou Schmitke.
Ainda de acordo com o presidente da ABREN, a Lei nº 14.993/2024 (Lei do Combustível do Futuro) estabelece metas de descarbonização expressas em CO₂ equivalente (CO₂eq), e não em métricas puramente volumétricas.
Nesse sentido, a ABREN defende que a metodologia regulatória preserve a integridade climática da política pública, assegurando que a mensuração das metas reflita reduções reais e efetivas de emissões.
Schmitke destacou, ainda, o potencial do biometano no contexto da transição energética brasileira.
“De acordo com dados do Panorama do Biogás 2025, do CIBiogás, houve uma expansão consistente do setor nos últimos anos, indicando que o Brasil reúne condições únicas para se tornar líder global na produção de gás renovável a partir de resíduos”.
O levantamento identificou que o Brasil já conta com mais de 1.700 plantas de biogás em operação. A produção anual é próxima de 4,96 bilhões de Nm³.
Além disso, apenas nos últimos cinco anos, o setor registrou crescimento médio anual de 15% no número de plantas. Também apresentou expansão de 13% no volume produzido. Esse ritmo, inclusive, é significativamente superior ao crescimento da economia nacional.
ABREN defende a distinção de origem no mandato do biometano durante participação na Gas Week
Já o biometano, versão purificada do biogás, com padrão equivalente ao gás natural, vem ganhando escala e relevância estratégica. Em 2025, ele já representa 34% do volume total de biogás utilizado no país, apesar de corresponder a apenas 3% das plantas, evidenciando que as unidades de produção operam em grande escala e com alto impacto energético.
Entidades defendem a distinção de origem de mandato em publicação conjunta. Em um posicionamento conjunto divulgado em 24 de março deste ano, a ABREN participou da iniciativa. A Associação Brasileira do Agronegócio (ABAG) também integrou o grupo. Além disso, contribuíram a Associação Brasileira de Proteína Animal (ABPA) e a Organização Avícola do Estado do Rio Grande do Sul (Asgav/Sipargs).
O Centro Nacional das Indústrias do Setor Sucroenergético e Biocombustíveis (CEISE Br) também participou. Bem como a Associação Brasileira das Indústrias de Tecnologia para Produção Vegetal (Abisolo). Juntas, as entidades reuniram contribuições técnicas.
Além disso, o documento consolida as principais diretrizes propostas pelas entidades, o documento consolida a posição das entidades sobre o tema.
Essas contribuições apoiam a definição das metas de redução de emissões de gases de efeito estufa (GEE) associadas ao biometano a partir de 2026. O tema está inserido no contexto da Consulta Pública nº 199.
No documento, as instituições alertaram que a equiparação regulatória entre diferentes rotas de produção, sem considerar sua intensidade de carbono, pode distorcer os objetivos da política de descarbonização.
Além disso, pode contrariar o parâmetro legal estabelecido em CO₂eq. Dessa forma, defenderam que instrumentos como o Certificado de Garantia de Origem do Biometano (CGOB) incorporem critérios de rastreabilidade e diferenciação por origem. Para isso, propõem o uso de dados reais de emissões.
De acordo com Schmitke:
“O biometano desponta como o combustível do futuro, com papel estratégico na descarbonização dos transportes e na substituição do diesel e do gás natural fóssil. O próximo ano é de grande importância para esse setor, pois entra em vigor o Certificado de Garantia Origem do Biometano. Diante desse contexto, seu potencial de mitigação depende diretamente da origem da matéria-prima e da eficiência do processo de captura de metano. Nesse sentido, o reconhecimento das diferenças entre as rotas de produção — biodigestão anaeróbia controlada e biogás de aterro sanitário — é essencial para garantir que a política pública de descarbonização seja justa, científica e efetiva”.
Sobre a ABREN:
A ABREN integra o Global Waste to Energy Research and Technology Council (Global WtERT), instituição de tecnologia e pesquisa proeminente que atua em diversos países, com sede na cidade de Nova York, Estados Unidos, tendo por objetivo promover as melhores práticas de gestão de resíduos por meio da recuperação energética e da reciclagem. O Presidente Executivo da ABREN, Yuri Schmitke, é o atual Vice-Presidente LATAM do Global WtERT e Presidente do WtERT – Brasil.
Fonte: ABREN