saneamento basico

Como a falta de saneamento básico agrava a situação de enchentes no país

O verão brasileiro traz uma enorme ameaça de alagamentos e inundações, apresentando um período chuvoso em grande parte do nosso território. Nesse período, o problema com a água toma o noticiário, pois causa transtornos, acidentes e até tragédias. Na maioria das cidades, o espaço não está preparado para o volume de agua que recebe, e as medidas das autoridades acabam sendo mais focadas em conter os danos, do que em prevenir tamanho transtorno.

As causas das enchentes estão ligadas diretamente a urbanização acelerada e sem planejamento e a falta de saneamento básico para a maioria dos lares brasileiros. Nas últimas décadas houve uma explosão demográfica, e esse processo veio acompanhado de extrema desigualdade social, grande degradação ambiental e muita pobreza. Essa ocupação sem planejamento e sem atendimento de serviços básicos tem causado impactos sociais e ambientais em grande parte do Brasil. A falta de coleta de esgoto e acesso à agua potável vem acompanhado de problemas de saúde.

Toda essa ocupação urbana causa impermeabilização do solo e um escoamento superficial que fazem que o local seja propicio a enchentes. As administrações municipais têm muitas ações imediatistas e poucas políticas públicas voltadas para as causas do problema. O resultado são problemas recorrentes de enchentes com grandes prejuízos econômicos, perdas de vidas humanas, agravamento da saúde pública através de doenças de veiculação hídrica, gerando situações de calamidade pública.

Mas a população também tem grande parcela de culpa com relação as enchentes. Como todo problema ambiental, tanto as causas como as soluções envolvem atitudes de todos os atores de uma sociedade. As pessoas devem estar conscientes do processo de gerenciamento dos resíduos sólidos e seu papel dentro desse ciclo, acondicionando e se certificando que os carros coletores recolham seu lixo. Se o lixo for entulho, o cidadão deve fazer sua parte e contatar empresas particulares para enviar os resíduos para locais apropriados e licenciados, afinal você deve ser responsável pelo resíduo que gera.

Como ocorrem as enchentes? Bem, a pavimentação impede que a água da chuva infiltre no solo, um processo que ajuda a reter o excesso de água, e causa o escoamento superficial, que faz com que a água chegue mais rápido nos rios do que se fosse de modo subterrâneo. Como o rio recebe muito volume de agua de uma vez, ocorre as inundações. Os sedimentos encontrados pelo caminho também ajudam a diminuir a profundidade dos rios, dificultando a situação.

Como o lixo agrava a situação? Para que a água escoe, são feitas galerias pluviais e bueiros, cujo objetivo é captar a água e enviá-la para córregos. Como existe muito lixo na rua e nos córregos e rios, esses resíduos vão se acumulando e entopem essas galerias de drenagem, impedindo que a água encontre sum destino apropriado.

A solução pode não ser simples, mas existe. Várias medidas podem ser tomadas para controle das enchentes de acordo com o adensamento populacional, o grau de urbanização e os bens materiais nas áreas de risco de inundações.  A gestão sustentável das bacias hidrográficas pode ter obras de engenharia que proteja a população, mas também outras medidas que recupere gradualmente os rios do escoamento natural das águas e regenere a biota local. Essas medidas incluem a recuperação de áreas de retenção natural, recuperação da mata ciliar que protege os rios, reflorestamento da área da bacia, fiscalização da ocupação das margens e do descarte de lixo, política públicas que foque da despoluição das águas, além de educação e monitoramento ambiental, e outras.

*Hiram Sartori é Engenheiro Sanitarista, possui doutorado em Engenharia Civil e atua como consultor e professor do Ensino Superior.

Site: hiramsartori.com.br
Twitter: @hiram_sartori
LinkedIn: https://br.linkedin.com/in/hiramsartori

A opinião apresentada é de responsabilidade do autor.

Últimas Notícias:
Risco Ambiental Fármacos Esgoto

Avaliação de risco ambiental de fármacos e desreguladores endócrinos presentes no esgoto sanitário brasileiro

Este estudo investigou a ocorrência, remoção e impacto na biota aquática de 19 contaminantes de preocupação emergente (CEC) comumente reportados no esgoto brasileiro bruto e/ou tratado. Para 14 CEC (E1, E2, EE2, GEN, DCF, PCT, BPA, IBU, NPX, CAF, TMP, SMX, CIP, LEV), sua presença em esgoto tratado apresentou um alto risco ambiental em pelo menos 2 dos 6 cenários de diluição considerados.

Leia mais »
greenTalks Sustentabilidade de Embalagens

greenTalks entrevista Bruno Pereira, CEO da Ecopopuli, sobre sustentabilidade de embalagens

O segundo episódio da temporada 2024 do videocast greenTalks – uma iniciativa pioneira entre a green4T e NEO MONDO para discutir o papel fundamental da tecnologia na promoção de um futuro mais sustentável – tem como entrevistado especial Bruno Pereira, Especialista em Sustentabilidade Positiva, Líder do Comitê de Sustentabilidade da Associação Brasileira de Embalagem (ABRE) e CEO da Ecopopuli.

Leia mais »
Gestão Resíduos Sólidos Urbanos

Estudo aponta caminhos para a gestão de resíduos sólidos urbanos

Apenas a cidade de São Paulo produz cerca de 20 mil toneladas de resíduos sólidos urbanos (RSU) todos os dias, sendo 12 mil domiciliares e 8 mil da limpeza urbana, decorrentes de atividades de varrição, recolhimento de restos de feiras, podas e capinas. Considerando somente as 12 mil toneladas produzidas nas residências, isso dá uma média de aproximadamente 1 quilo de lixo por habitante ao dia.

Leia mais »