saneamento basico

Licitação da Embasa deve mexer com a comunidade de Porto Seguro

Duas importantes licitações, a serem realizadas pela prefeitura ainda neste ano, devem mexer profundamente com a comunidade de Porto Seguro e região. Uma delas diz respeito ao uso das balsas, uma antiga reivindicação de turistas e moradores, e que, segundo promessa da prefeita Cláudia Oliveira, e conforme audiências públicas já realizadas, deverá finalmente se tornar uma realidade.

Aliás, já passou da hora da dona balsa, como diz o vereador Nilsão, deixar de ser um bicho de sete cabeças, embora eu particularmente seja bem mais favorável à construção de uma ponte ligando Porto Seguro à estrada do Arraial, sonho que parece cada vez mais distante diante da dura e triste realidade financeira enfrentada pelo município, pelo Estado e pela União. Qualquer pessoa medianamente informada sabe que o total arrecadado pela prefeitura não atende sequer às necessidades básicas da sede, bairros e distritos, e que uma ponte virou símbolo da utopia. Infelizmente.

Pelo menos a prefeita está tendo coragem

Para quem não sabe e ainda tem alguma dúvida com relação à disposição da gestora em dar uma resposta à sociedade, com relação às balsas, necessário lembrar que por anos, muitos anos – eu pelo menos presencio o fato há 30 anos – a licitação das balsas nunca foi feita porque sempre foi, digamos assim, bem mais rentável para ex-prefeitos corruptos e focados em fazer fortuna pessoal manter os precários serviços oferecidos, dizem que à custa de muita extorsão contra os donos do transporte hidroviário, do que realizar uma devida e legal licitação. Licitar, para eles, seria um enorme prejuízo.

Tanto isso é verdade que nem contrato com as balsas havia, fora na gestão de Abade, exceto redondo engano da minha parte. O negócio sempre foi tão lucrativo, mas tão lucrativo e misterioso que nunca ninguém soube informar com exatidão sobre tais contratos. Ou seja, as “concessões” eram realizadas de boca ou de gaveta, numa transação direta entre gestores e empresários.

Rios de dinheiro

Não havia, obviamente, nenhum interesse em licitar a travessia e, com isso, ex-prefeitos teriam, dizem, extorquido pequenas fortunas dos balseiros. Quando um gestor precisava dinheiro, era muito simples e fácil, sendo que duas fontes sempre lhe eram gratas e milagrosas: balsas e empresas de ônibus. Qualquer problema maior, bastava ameaçar fazer uma licitação e as burras lhe eram imediatamente saciadas por empresários tão ou mais inescrupulosos que os prefeitos. Era um toma lá dá cá sem fim. E o usuário que se lascasse.

Obviamente nunca presenciei tais transações, mas, pelo andar da carruagem e pelo que conheço de alguns ex-prefeitos não tenho dúvidas de que isso acontecia de fato, sim, geralmente sob o olhar beneplácito do Ministério Público, o que, verdade seja dita e justiça seja feita, vem mudando nos últimos anos com a leva de novos e corajosos promotores, cada vez mais atuantes, exigentes e em sintonia com o interesse público.

Neste ponto, palmas ao MP e à sociedade civil organizada. E palmas, claro, para a prefeita Cláudia Oliveira, em que pese a demora da sempre complicada e polêmica licitação.

O serviço da Embasa é pior ainda

Já licitação do serviço de fornecimento de água e esgoto, cuja concessão para exploração vence neste ano, sendo um serviço essencial à população e que atinge indistintamente a todos, sejam ricos ou pobres, maior ainda deverá ser o acompanhamento e fiscalização de toda a comunidade, em especial da prefeitura, da Câmara de Vereadores, do MP, da OAB e de todas as entidades de classe.

Antes um serviço essencialmente público, se transformando posteriormente numa sociedade de economia mista, com o Estado detendo uma parte e a iniciativa privada outra, verdade é que a Embasa tem se transformado numa verdadeira dor de cabeça para milhões de baianos, sobretudo para as prefeituras.

Prejuízos e crimes ambientais

É comum ver a empresa, por exemplo, abrindo enormes buracos e deixando a reparação dos mesmos a cargo do poder público municipal, assim como também virou comum os graves crimes ambientais praticados pela mesma, seja com o rompimento das tubulações, seja com o despejo de poluentes em nossos rios e nascentes.

O pior de tudo, afora a cobrança abusiva de 80% do valor da conta sobre o esgoto, foi o fato da empresa sempre ter se colocado acima do bem e do mal, pouco se importando para as notificações do MP, ou para as autuações e multas recebidas por parte da prefeitura – dizem que nunca pagou nenhuma delas – ou com relação à opinião pública ou à imprensa, tratando o usuário e destinatário final do seu produto – aliás, de má qualidade – com desdém e arrogância jamais vistas numa relação de consumo, quando o consumidor tem sido a parte mais vulnerável desta relação desigual, abusiva, adesiva e imposta verticalmente, visto a necessidade e dependência que a população sempre sofreu. Quem pode ficar ou viver sem água?

O poder do monopólio

Afinal, como ser contra a Embasa? Como o consumidor poderia fazer valer seus direitos frente à uma empresa que detém o monopólio exclusivo de um serviço essencial à população, o mesmo, aliás, que ocorre com a Coelba? Claro que com o advento da implantação do novo Código de Defesa do Consumidor e do Juizado Especial Cível, muito mudou e muito se evoluiu nos últimos anos. Mas, mesmo assim, poucos são os usuários que se atrevem a demandar contra uma empresa que possui bons advogados, associado à morosidade que tem emperrado em geral o Judiciário.

Pois bem, ao que tudo indica, segundo a avaliação do novo presidente da Câmara de Vereadores de Porto Seguro, Elio Brasil, parece que os dias de bonança somente pró Embasa estão contados, com o município, assim como outros vários municípios baianos, passando a decidir a sorte da empresa através de um rigoroso e competente processo licitatório ainda a ser realizado neste ano de 2015.

Confesso que não sei como e de que forma será este procedimento, que não deve ser tão fácil como possa parecer à primeira vista. Há que se lembrar que existe todo um sistema de captação, dutos e distribuição de água e esgotos, embora a concessão feita pelo Estado da Bahia deva conter cláusulas que garantam a permanência dos equipamentos nos municípios, até porque seria impossível substituí-los por outros, a não ser à custa de um longo tempo e de um elevado custo. A matemática deve ser, ao menos em números e cifras, de difícil solução.

É preciso que estejamos todos atentos, cobrando do poder público e das nossas autoridades a lisura, o respeito e a austeridade que ambas as licitações exigem

Fonte e Agradecimento: http://www.topatudonews.com.br/ver.php?id=5481

Últimas Notícias:
Chamada pública da Gasmig amplia perspectivas para produção de biometano em Minas Gerais

Chamada pública da Gasmig amplia perspectivas para produção de biometano em Minas Gerais

02 de junho de 2026 – A Companhia de Gás de Minas Gerais (Gasmig) lançou uma chamada pública para identificar projetos interessados no fornecimento de biometano ao estado, movimento que pode impulsionar novos investimentos e ampliar a participação de Minas Gerais em um dos segmentos mais promissores da transição energética brasileira e no aproveitamento econômico de resíduos para produção de combustível renovável.

Leia mais »

O saneamento e a hipocrisia ambiental

Enquanto redijo este texto, Minas Gerais conduz a etapa decisiva da desestatização da Copasa, operação que pode movimentar de R$ 8 a R$ 10 bilhões. O modelo segue o trilho aberto pelo Rio Grande do Sul com a Corsan e por São Paulo com a Sabesp: oferta a um investidor de referência, modernização de contratos com municípios titulares e ancoragem nas metas do Novo Marco do Saneamento.

Leia mais »