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Madeira, rádio e até macaco hidráulico são achados em tubulações de SP

Camisetas, rádio, madeiras, papéis e até um macaco hidráulico. Acredite, tudo isso já foi encontrado dentro dos canos de esgoto da região metropolitana de São Paulo.

Só no último ano, foram retiradas dessas tubulações 8,5 mil toneladas de lixo pela Sabesp, a empresa paulista de água e saneamento.

Esses objetos, que não deveriam estar nas tubulações, conseguiriam encher quase 5.000 caçambas de entulho. O transtorno é tanto que o lixo acumulado pode bloquear inteiramente um cano.

Nesse caso, as consequências são, no mínimo, desagradáveis. É possível, por exemplo, que uma descarga não funcione mais. Outro efeito é que, sem saída, o esgoto comece a retornar pelos encanamentos até extravasar em um bueiro de rua ou nos ralos das residências.

Editoria de Arte/Folhapress

Para a Sabesp, ainda é um mistério como tanto lixo consegue entrar nas tubulações de esgoto, já que supostamente o sistema deve ser fechado. Além disso, os canos que conectam o esgoto de uma casa à rede pública têm apenas 10 centímetros de largura.

Para Emerson dos Santos, gerente de manutenção da Sabesp, violações às caixas de inspeção [estruturas que conectam o esgoto das residências à rede coletora] e a bueiros podem fazer com que esses materiais entrem na tubulação. E é assim que peças maiores infiltram o sistema.

“Há relatos de pessoas que abrem bueiros para despejar entulho”, diz o gerente da Sabesp. Para retirar o lixo, às vezes é preciso “limpar” as tubulações usando água pressurizada ou “pinçando” os materiais com ferramentas.

Na estação de tratamento, os objetos são retirados por meio de um conjunto de grades, como uma grande peneira do esgoto. “Um rastelo mecânico vai retirando todo o lixo”, diz Alessandra Minelli, engenheira de estações de tratamento da Sabesp.

VILÃO

Mesmo que chinelos e fraldas ainda ocupem o esgoto da Grande São Paulo, o maior vilão das tubulações ainda é o óleo de cozinha.

Despejado nas pias de milhões de casas todos os dias, o produto se acumula nas paredes das tubulações, formando grossas placas de gordura que se misturam com outros dejetos. “Provoca um verdadeiro enfarto nas estruturas”, diz Santos, da Sabesp.

Há ruas da capital nas quais, devido à alta concentração de restaurantes, os esgotos têm que ser desobstruídos a cada três meses.

O problema é mundial. Nos centenários esgotos de Londres, por exemplo, foi encontrado em 2013 um “coágulo” de dez toneladas de gordura.

A aberração, do tamanho de um ônibus de dois andares, foi chamada de “fatberg” (um iceberg de gordura, em inglês). Desde então, a empresa local de saneamento incentiva com mais intensidade que as pessoas joguem seus óleos usados no lixo.

No Brasil, diversos supermercados e redes de venda de gás recebem o produto, que pode ser armazenado em garrafas PET. A Sabesp também recolhe óleo de cozinha em suas agências distribuídas pelo Estado de São Paulo.

Fonte: Folha
Foto: Divulgação

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