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Marabá: Água tratada: está na hora de mudar?

Desde que o prefeito João Salame anunciou que não renovará automaticamente a concessão do serviço de água e esgoto de Marabá com a Companhia de Saneamento do Pará (Cosanpa), foi criado o maior bafafá em cima disso. Salame foi acusado até de tentar “privatizar a Cosanpa”, como se isso fosse possível.

Mas, por meio de números, é possível provar que essa questão não pode continuar da forma como está e é necessária uma licitação urgente para que outra concessionária administre o serviço, seja pública ou privada.

Até mesmo a Cosanpa, caso vença a licitação, poderá fazer o serviço, desde que seja de uma forma mais profissional, que não penalize tanto a população, estabelecendo metas a serem cumpridas e determinando prazos para isso. Foi o que defendeu Salame.

Indo para os números, constata-se que há 38 anos atuando em Marabá, a Cosanpa jamais investiu em infraestrutura de rede para água e esgoto. Até aqui apenas 40% das casas de Marabá têm água encanada. São pouco mais de 70 mil pessoas.

Somente em 2010, graças a recursos do governo federal, intermediados pelo governo do Estado do Pará, começou a construir a rede de água e esgoto. Quando a atual obra for concluída, apenas 6% das residências terão esgoto sanitário e apenas 60% das casas terão água encanada.

A Cosanpa acumulará este ano déficit de R$ 18 milhões. A Cosanpa arrecada cerca de R$ 4,5 milhões por ano em Marabá e gasta com funcionários R$ 2,9 milhões por ano. Em 2012, a Cosanpa gastou nada menos que 76% de tudo que arrecada apenas com a folha de pagamentos.

“Como prefeito de Marabá, estou dizendo o seguinte: basta, chega, não aceitamos mais a falta de competência da Cosanpa”, afirma o prefeito, acrescentando que, para ele, tanto faz se a nova concessionária será de empresa privada ou estatal, do Pará ou de fora do Estado.

 

Salame critica “má fé” do Sindicato dos Urbanitários

Em relação a um panfleto que foi distribuído pelo Sindicato dos Urbanitários de Marabá, com acusações ao prefeito, Salame também se pronunciou: “Essa versão é uma má fé da diretoria do Sindicato dos Urbanitários”, resumiu.

De fato, o panfleto tem o seguinte título: “O prefeito João Salame quer privatizar a água” e ao final conclama toda a sociedade a lutar contra a “privatização da Cosanpa”, dando a entender que seria a prefeitura a responsável por uma possível privatização da estatal, coisa que caberia ao governo do Estado e nunca ao município.

Inclusive, membros do sindicato impediram a realização de uma audiência pública que tentava debater o assunto, há duas semanas. Mas o prefeito afirma que vai ouvir a população sobre isso, porque o povo tem direito e não apenas meia dúzia de sindicalistas, todos servidores da Cosanpa e alguns com altos salários.

“Eu topo enfrentar esse debate, sim. Não vou ficar acuado por um sindicato de pouquíssima representatividade”, alfinetou Salame, acrescentando que a audiência é para ouvir a sociedade antes de tomar uma decisão. “Se o povo estiver satisfeito e disser que é para renovar o contrato nas mesmas condições, a gente renova, mas se o povo disser não estamos satisfeitos, queremos outro contrato com outras condições, com tarifa razoável, barata para que não pode pagar, esse é o caminho que a gente vai seguir. É simples. Queremos audiência pública para isso e não para privatizar a Cosanpa. É uma estupidez o que estão dizendo”, disparou o prefeito João Salame.

“Eu poderia muito bem, como prefeito, fazer isso a quatro paredes, fazendo negociatas, definir quem ia comandar o serviço de água e esgoto em Marabá, porque cabe à prefeitura decidir, mas estou optando por fazer audiências públicas”, afirma.

FONTE: http://www.marabanoticias.com/manchete/1531-maraba-agua-tratada-esta-na-hora-de-mudar

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