Sabesp quer ampliar tempo de outorga do Cantareira para 30 anos

A Companhia de Saneamento Básico do Estado São Paulo (Sabesp) pretende ampliar o prazo de outorga do Sistema Cantareira dos atuais dez anos para 30 anos. A proposta foi apresentada em reunião na capital paulista, a entidades da sociedade civil, à Agência Nacional de Águas (ANA) e ao Departamento de Águas e Energia Elétrica do Estado de São Paulo (Daee), órgãos que compartilham a gestão do sistema, composto por reservatórios com águas reguladas pela União e pelo estado de São Paulo.

A outorga do Sistema Cantareira que está vigente foi concedida à Sabesp em 2004, com validade de dez anos. No entanto, devido à crise de abastecimento nos últimos anos, a validade da atual outorga foi estendida até 31 de maio de 2017, quando deverá ser renovada. A empresa defende os 30 anos afirmando que o prazo daria mais segurança para que investimentos de grande monta sejam feitos.

“No entender da Sabesp, a outorga deveria ser de pelo menos 30 anos, de maneira análoga ao que ocorre em outros setores nos quais os investimentos são de grande porte e a infraestrutura tem longa vida útil. Esse prazo leva em conta o tempo de amortização dos investimentos a serem realizados, permite estabilidade e planejamento de longo prazo para os sistemas de saneamento das regiões envolvidas”, diz o texto da proposta apresentada pela Sabesp.

No entanto, na opinião do Comitê das Bacias Hidrográficas dos Rios Piracicaba, Capivari e Jundiaí (CBH-PCJ) e do Comitê da Bacia Hidrográfica do Alto Tietê – colegiados que contam com participação da sociedade civil e de poderes públicos – o prazo da outorga deve continuar sendo de dez anos, com revisão obrigatória aos cinco anos para que sejam verificadas as obrigações assumidas pela Sabesp.

“[O] prazo de validade da outorga [deve ser] de dez anos, com revisão obrigatória [reti-ratificação] em cinco anos para avaliação do cumprimento das condicionantes desta outorga, de execução de obras e demais ações realizadas que impactam na dinâmica hídrica das bacias”, diz o texto de sugestões enviadas pelo CBH-PCJ à ANA e ao DAEE.

Os comitês ainda pedem que, após cinco anos de outorga, seja feita a verificação do cumprimento pela Sabesp das metas e prazos do Plano das Bacias PCJ e do Plano de Bacias do Alto Tietê no tocante à redução de perdas no sistema de distribuição de água, coleta, tratamento e eficiência do sistema de efluentes nos municípios operados pela empresa.

Para o presidente da ANA,Vicente Andreu, a recente crise de abastecimento no estado de São Paulo chamou a atenção da população e fez com que o tema passasse a ter mais atenção da sociedade civil. “A crise inspirou uma série de medidas e de alternativas que estão refletidas nas propostas que estão sendo apresentadas. Eu penso que a outorga que nós estamos construindo agora vai nos dar muito mais instrumentos para que a gente possa enfrentar situações como essa”, disse o presidente da ANA.

Amanhã, as sugestões voltarão a serem debatidas em uma reunião pública em Campinas, no Auditório da Coordenadoria de Assistência Técnica Integral. A ANA e o Daee terão até 30 de setembro para apresentar uma proposta-guia preliminar de outorga, que será ser submetida posteriormente a audiências públicas.

Fonte: EBC Agência Brasil

Últimas Notícias:
Marco Legal do Saneamento transforma cidades paranaenses

Marco Legal do Saneamento transforma cidades paranaenses

Seis anos atrás, uma mudança na legislação brasileira redefiniu os rumos do saneamento básico no país. Em julho de 2020, a atualização do Marco Legal do Saneamento estabeleceu metas inéditas e desafiadoras: garantir que, até 2033, 99% da população tenha acesso à água potável e 90% à coleta e ao tratamento de esgoto.

Leia mais »