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SC: Vereadores denunciam Conasa ao MP

Águas de Itapema foi citada na revista Veja por denúncia de participação em esquema bilionário de lavagem de dinheiro

A companhia Águas de Itapema, que mudou o nome para Conasa, e é responsável pelos serviços de abastecimento de água e saneamento da city, vai ser denunciada ao ministério Público pelos vereadores. A denúncia do vereador Magnus Guimarães (PDT) foi aprovada por unanimidade. Tudo por conta de uma matéria da revista Veja, onde a empresa é citada por participar de um rolo bilionário de lavagem de dinheiro, encabeçado pelo doleiro Alberto Youssef. O chefão do esquema foi preso pela polícia Federal na operação Lava Jato, desencadeada em março deste ano. O vereador Magnus acredita que o MP da city deve investigar as acusações. O DIARINHO procurou a Conasa, mas a companhia não quis se pronunciar.
Durante a sessão da câmara, Magnus ocupou a tribuna e justificou seu requerimento ao MP com base na matéria da revista Veja, publicada no dia 20 de agosto, intitulada “Planilha da corrupção”. Na matéria, a Águas de Itapema, junto com outras empresas, forneceria notas fiscais fajutas emitidas por uma empresa de contabilidade para lavar dinheiro do doleiro Youssef. São três pagamentos que a Conasa teria feito: R$ 300 mil, R$ 250 mil e R$ 187,5 mil. Segundo a revista, os pagamentos rolaram em 2012, por falsos serviços prestados pela empresa de contabilidade. Quando a grana entrava na conta da contadora ligada ao doleiro, a mulher repassava a grana para políticos ligados ao esquema criminoso. “Não interessa o destino desse dinheiro nem quais são os beneficiários, porque isso já está sendo apurado pelo ministério da Justiça e pela polícia Federal. Mas vamos juntar esse material e endereçar ao MP, para que sejam juntados aos vários processos contra a empresa”, carcou Magnus, que também falou da existência de laudos que reprovam a qualidade da água fornecida pela Conasa.
O requerimento foi aprovado por unanimidade e, segundo o secretário da casa do povo, Juliano de Oliveira, deve chegar às mãos do MP ainda esta semana.
A reportagem tentou contato com o advogado da Conasa, Fabiano Elias Soares, mas o telefone do escritório dele passou a tarde de ontem ocupado. No celular do dotô, a mensagem que se ouvia era que aquele número estava impossibilitado de receber ligações no momento. A assessoria de imprensa da Conasa foi contatada por e-mail, mas não respondeu as questões até o e fechamento desta edição.

Entenda o esquema
A operação Lava Jato foi deflagrada em março deste ano, pela PF. O foco das investigações é um esquema de lavagem de dinheiro suspeito de movimentar R$ 10 bilhões. No centro da pilantragem está o doleiro Alberto Youssef, que fazia de conta que contratava empresas, mas o que queria na verdade era lavar dindim do tráfico internacional de drogas. Ele ainda é acusado de corrupção de barnabés, sonegação fiscal, evasão de divisas, extração ilegal, contrabando de pedras preciosas e desvios de recursos públicos. A grana era repartida com políticos através de propinas. Entre os beneficiários suspeitos está o ex-diretor da Petrobras, Paulo Roberto Costa, acusado de facilitar negócios da empresa estatal com o doleiro. Outro suspeito é o deputado petista André Vargas (PR), que deixou o partido após as denúncias. O deputado Luiz Argôlo (SDD-BA) também é acusado pela PF de participar do esquema.
Na matéria da Veja, os três acusados são citados pela contadora ligada a Youssef, Meire Poza, por receber mais de R$ 8 milhões. O ex-presidente Fernando Collor e o ex-ministro da Saúde, Alexandre Padilha (PT), também aparecem como beneficiários dessa grana. Meire depôs no conselho de Ética como testemunha no processo que pede a cassação de Argôlo. Segundo a contadora, sua empresa de contabilidade emitia notas fiscais fajutas de serviços que nunca foram prestados. As empresas, entre elas a Conasa, pagavam as notas fiscais com dindim sujo do doleiro. Agrana acabava embolsada pelos políticos e seus comparsas.

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